Infância

Especialistas pedem tolerância zero com estalinhos em festas juninas

Thais Carvalho

Do UOL, em São Paulo

O mês de junho traz com ele as tradicionais festas juninas, com  suas comidas, roupas e brincadeiras típicas. Aparentemente inocentes, os estalinhos, um dos divertimentos preferidos das crianças, são tão perigosos quanto os fogos de artifício, e ambos estão entre os maiores causadores de acidentes nesta época.

Alessandra Françoia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura, que tem como objetivo promover a prevenção de acidentes com crianças e adolescentes até 14 anos, aconselha manter materiais como álcool, fogos e brinquedos com pólvora, como os estalinhos, longe da criançada durante todo o ano.

"As festas juninas têm algumas brincadeiras bastante perigosas para as crianças, embora sejam tradicionais", diz Françoia, que recomenda aos pais substituir os jogos por outros não inflamáveis.

O cirurgião pediatra Mauricio Pereima, membro da SBQ (Sociedade Brasileira de Queimaduras), concorda com a orientação da ONG. Para ele, a tolerância deve ser zero em relação aos brinquedos que envolvam combustão.

"A SBQ tem registro de casos de crianças que se queimaram descascando diversos estalinhos para construir um maior. Os pais devem se conscientizar e manter os filhos por perto durante todo evento", afirmou.

Outra recomendação da SBQ é não permitir, em hipótese nenhuma, que crianças sejam responsáveis ou façam parte do processo de soltar fogos ou acender fogueiras. E, se houver uma fogueira no evento, a distância mínima que deve ser mantida dos focos de fogo é de cinco metros.

No caso de acidentes, Pereima recomenda procurar um médico o mais rápido possível. "Sempre que acontece um acidente envolvendo queimadura, o ideal é molhar a região queimada com água corrente e não aplicar nenhum remédio ou receita caseira sobre a pele. É importante procurar o serviço de saúde, pois, em muitos casos, o ferimento é pequeno, porém profundo, o que reforça a necessidade de um diagnóstico adequado e de um pré-atendimento especializado."

Mesmo com as frequentes campanhas de prevenção, segundo o cirurgião plástico Reginaldo Lessa, do Hospital Universitário e do Hospital São Lucas, de Aracaju (SE), os casos de queimadura crescem 200% nessa época do ano na capital sergipana, uma das cidades nordestinas com maior tradição em festas juninas. Crianças e adolescentes entre quatro e 14 anos estão entre os mais atingidos.

Festa com segurança

O Esporte Clube Pinheiros, que fica na zona oeste de São Paulo, organiza há 60 anos uma tradicional festa junina e há dez não conta com fogos de artifício, fogueira, venda de estalinhos nem de qualquer outro artefato inflamável. Na edição de 2013, a organização do evento pensou em mais uma forma para garantir a segurança da criançada, o "Arraiá da Criança".

"É um espaço exclusivo para as crianças, que ficarão ali acompanhadas por monitores enquanto os pais aproveitam a festa", explica Carlos Alberto Costa de Oliveira, diretor da área social do clube e responsável pela comemoração.

Segundo Oliveira, houve uma preocupação de estabelecer uma programação infantil até às 20h para que os públicos não se misturem. "É mais seguro dessa forma e os pais têm mais liberdade e menos preocupação."

 

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