Adolescência

Não menospreze ou ignore a angústia do adolescente com acne

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É papel dos pais fazer o jovem entender a importância de cumprir corretamente o tratamento imagem: Thinkstock

Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

O aparecimento de uma espinha GG, ofuscante e robusta, está entre os acontecimentos mais temidos do dia a dia do adolescente. Pior ainda é quando existe uma legião delas. Garotos e garotas sofrem igualmente.

A acne é a doença dermatológica mais comum do planeta. Segundo dados da Academia Americana de Dermatologia, 20% da população mundial já sofreu ou está sofrendo com o problema.

Apesar de também atacar os adultos, a acne é típica da adolescência. Nessa fase, há uma grande mudança hormonal, que provoca uma superprodução de sebo pelas glândulas sebáceas. Essa secreção não consegue ultrapassar a abertura do poro e ali se acumula formando comodões abertos (cravos pretos), que oxidam e escurecem em contato com o ar, ou comedões fechados (cravos brancos). O acúmulo dessa substância retida pela obstrução dos folículos pilosos favorece a infecção por bactérias, especialmente pela Propionibacterium Acnes, e daí aparecem as espinhas.

Papel dos pais

Há várias maneiras de os pais ajudarem seus filhos a superar esse inconveniente. Em primeiro lugar, diz o dermatologista Adilson Costa, chefe do serviço de dermatologia da PUC de Campinas, no interior de São Paulo, é imprescindível não colocar apelidos nos jovens quando o quadro clínico se manifestar.

Nada de fazer pouco caso do problema ou ignorá-lo. O segundo passo é consultar um dermatologista o quanto antes. E, por último, é necessário estimular o adolescente a cumprir o tratamento do início ao fim, sem falhas.

“O mais importante é conversar com o adolescente e esclarecer que ele é o responsável por cuidar da própria pele. Ele tem de ficar convencido da importância do tratamento, principalmente, para evitar as marcas e cicatrizes, que poderá levar por toda a vida se não agir com responsabilidade”, afirma a dermatologista Silvia Zimbres, que tem especialização em dermatologia clínica e cirúrgica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Remédios

Segundo o dermatologista Adilson Costa, um dos tratamentos medicamentosos mais modernos e seguros contra a acne é a associação do adapaleno (um retinóide sintético) ao peróxido de benzoíla (um antimicrobiano não antibiótico), combinação que não gera resistência bacteriana, mesmo com o uso prolongado, o que costuma ocorrer com antibióticos.

Também não estão descartadas fórmulas contendo ácido salicílico, enxofre e peróxido de benzoíla, além de antibióticos e retinóides. Todos são de utilização tópica, com exceção dos antibióticos, que podem ser tópicos ou orais, e dos retinóides (entre eles a isotretinoína), que também podem ser tópicos ou orais.

Na maioria das vezes, segundo Costa, é necessária apenas a utilização tópica, embora, em casos de lesões inflamatórias, prescreva-se antibióticos orais e/ou isotretinoína oral. Outras medidas, como limpeza de pele, podem ser coadjuvantes, principalmente, quando há comedões. “De um modo geral, o uso correto da medicação é o suficiente.”

O que é recomendado para um paciente pode não ser  para outro. O dermatologista Jardis Volpe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e diretor clínico da Clínica Volpe, em São Paulo, afirma que os tratamentos devem ser individualizados, de acordo com a intensidade de manifestação da doença, envolvendo medicamentos tópicos e orais.

Em casos mais graves, os especialistas indicam o uso da vitamina A ácida, a isotretinoína, mais conhecida como Roacutan, seu nome comercial. Apesar de ser um medicamento eficaz, é polêmico, podendo produzir efeitos colaterais bem desagradáveis, como ressecamento da boca, dos olhos e do nariz. “Seus efeitos colaterais são previsíveis, reversíveis e dependem da dose prescrita”, diz Costa.

A isotretinoína é contraindicada para quem tem alterações importantes do colesterol, alterações hepáticas e para mulheres grávidas ou que não façam uso de contraceptivos, pois pode causar má formação fetal.


Tratamentos

De acordo com Jardis Volpe, nos próximos anos, é esperada a chegada ao mercado de um tratamento a laser que será capaz de uma destruição seletiva de glândulas sebáceas, mas sem efeitos colaterais. Enquanto isso, há outras opções não disponíveis, entre as quais:

Isolaz: é um método combinado que une um sistema de vácuo e um laser indolor. O objetivo é limpar profundamente a pele, primeiro retirando o sebo das lesões da acne (pelo vácuo), depois emitindo uma luz pulsada para destruir a bactéria que provoca a acne. Segundo Volpe, o tratamento é indicado uma vez por semana, por quatro ou oito semanas.

Luz azul emitida por diodo (LED): também indicada para destruir as bactérias que causam as espinhas. Indicação: duas vezes por semana, durante dez semanas.

Genesis: é um laser pulsionado que provoca aquecimento local. O objetivo é reduzir a oleosidade, os poros abertos e a inflamação. Indicação: uma vez por semana, durante seis semanas.

A utilização de produtos cosméticos específicos, como sabonetes, loções adstringentes, hidratantes e géis secativos, também auxiliam no combate ao problema. No entanto, além de todos os cuidados, um conselho que não pode ser esquecido: jamais cutucar ou espremer as espinhas, o que resultará em mais inflamação e em cicatrizes irreversíveis.

Eliminação de marcas

Uma das heranças da acne é o aparecimento de marcas que, se não forem tratadas, acompanharão o adolescente por toda a vida adulta. É possível eliminá-las? Em parte, diz o dermatologista Adilson Costa. “Nem todas as marcas saem com os tratamentos disponíveis, já que é preciso levar em conta sua profundidade e tempo de existência, além da intensidade da acne”, fala o dermatologista.

Mas há esperanças. “Atualmente, os peelings, o laser e a dermoabrasão, espécie de lixamento da pele, realizados no consultório do dermatologista, são as alternativas mais promissoras para a melhoria das cicatrizes pós-acne”, diz Costa.

Outra alternativa, segundo a dermatologista Silvia Zimbres, é o laser CO 2 fracionado. O número de sessões é variável, dependendo de cada caso.

A importância da alimentação

Tratamentos à parte, ainda há outro fator a ser levado em conta: a alimentação. “Os estudos ainda não são definitivos, mas percebe-se que alimentos ricos em carboidratos refinados, como as farinhas brancas, e o leite, principalmente o desnatado, podem piorar a evolução do quadro clínico”, afirma o dermatologista Adilson Costa. Alimentos gordurosos também devem ser evitados, pois contribuem para aumentar a oleosidade da pele.

Na lista de alimentos recomendáveis para os adolescentes com propensão às espinhas, estão os vegetais, os pães com multigrãos e os feijões de todos os tipos. A cereja, a maçã e a ameixa também estão liberadas, mas deve-se evitar a banana, a melancia e o kiwi, que têm alto índice glicêmico, elevando o nível de açúcar no sangue, o que também pode ajudar a provocar espinhas.

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