Infância

Troca e aluguel são alternativas para saciar desejo por brinquedos novos

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No Dia das Crianças, várias instituições vão promover, pelo Brasil, feiras de trocas de brinquedos imagem: Getty Images

Verônica Fraidenraich

Do UOL, em São Paulo

Toda casa com criança é igual, tem brinquedos por todos os lados –nos armários, nas prateleiras, dentro de caixas, sobre a cama ou espalhados em um canto qualquer. Ainda assim, o seu filho sempre encontra um argumento que justifique uma nova aquisição: as luvas que faltavam da fantasia do Homem-Aranha, a roupa nova da boneca da moda ou o jogo eletrônico que todo mundo tem na escola. A situação se agrava a cada aniversário –quando chegam montes de presentes– e em datas como o Dia das Crianças e o Natal.

Fundamentais para o desenvolvimento da criançada, muitos brinquedos são específicos para cada faixa etária. Só que, à medida que a criança cresce, deixa de lado alguns objetos e haja argumento para convencê-la a se desfazer deles.

Diante desse cenário, muitos pais têm procurado alternativas para evitar que a casa não se torne um amontoado de coisas. A participação em feiras de trocas de brinquedos, por exemplo, costuma fazer sucesso entre a garotada. A paulista Ana Luisa Tarrio, 8 anos, diz que o evento não tem muita regra. “Você monta uma barraca com tudo aquilo que não brinca mais e procura algo que lhe interessa para oferecer em troca.”

Ana Luisa conta que já deu bichinhos de pelúcia, porque tinha vários deles, e um quebra-cabeça. “Ele era muito fácil para mim.” Entre os achados, trouxe um boneco e um par de patins, que usou por muito tempo. O irmão, André, 4 anos, encontrou óculos de natação e touca justo na época em que começaria a praticar o esporte, segundo sua mãe, Carolina Tarrio.

Carolina é uma das fundadoras do Movimento Boa Praça, em São Paulo, que visa a ocupação consciente das áreas verdes e organiza piqueniques, sempre no último domingo de cada mês, com atrações diversas, como música, sarau e cinema, além das feiras de troca.

Opção

O prédio, a escola ou mesmo o parque podem servir de espaço para a realização das feiras, que fazem as crianças refletirem sobre o valor dos seus pertences, além de promover a interação entre elas.

O instituto Alana, ONG que atua em defesa da criança, disponibiliza em seu site um manual para a organização de feiras e, em 2012, realizou, pela primeira vez, uma ação incentivando esse tipo de atividade, o que resultou em mais de 50 eventos autônomos pelo Brasil.

Neste ano, a feira do próprio Alana acontecerá, em 12 de outubro, na Casa das Rosas, em São Paulo, das 11h às 15h. No site da entidade, é possível conferir outros eventos que acontecerão, em função do Dia das Crianças, pelo país.

“A ideia é que as feiras adquiram cada vez mais autonomia, e a gente apenas sirva de apoio, repassando informações”, afirma Renata Franco, assistente de mobilização do Alana.

O Movimento Infância Livre de Consumismo é uma das instituições que aderiu à iniciativa. “É um momento divertido, em que as crianças ficam na expectativa do que levarão para casa”, afirma Mariana Sá, uma das fundadoras da entidade em Salvador.

Propriedade temporária

Outra opção que tem chamado atenção dos pais é o aluguel de brinquedos. As empresas atendem pela internet e oferecem produtos dos mais variados tipos, como móbiles e blocos de encaixar, divididos por faixa etária.

Os planos mensais custam, em média, de 75 reais a 180 reais, conforme o número de itens locados, e, em geral, não é cobrado frete de entrega. Caso a criança não goste do que escolheu ou enjoe da diversão antes dos 30 dias, alguns estabelecimentos trocam o produto sem ônus para o cliente.

Na Brinque Troque, de Porto Alegre, a mesa de atividades é um dos modelos mais concorridos entre os 120 disponíveis. “Produtos de qualidade e alto custo no mercado têm grande procura”, afirma a proprietária Carolina Job Brose, que diz atender 280 famílias por mês na capital gaúcha e arredores.

Já no Clube do Brinquedo, de São Paulo, são 800 opções diferentes, submetidas regularmente a processos de higiene e revisão para garantir segurança. “A criança perde o interesse pelo produto muito rápido, e o aluguel é uma forma de evitar o desperdício”, diz o dono Wagner Heilman. A empresa, criada há três anos, faz entre 800 e mil locações mensais.

Para diminuir o acúmulo de brinquedos em casa, vale ainda doar aqueles em bom estado, que há tempos estão sem uso. Inúmeras organizações não governamentais, hospitais infantis, igrejas, escolas e redes de farmácia aceitam esse tipo de doação ao longo do ano ou em datas específicas, durante campanhas de arrecadação.

Veja instituições que promovem feiras de trocas de brinquedos:

Movimento Infância Livre de Consumismo (em várias cidades do país)

Instituto Alana (em várias cidades do país)

Movimento Boa Praça (São Paulo)

Cineclube socioambiental Crisantempo (São Paulo)

Algumas entidades, espalhadas pelo Brasil, que recebem doações de brinquedos

Abrace (instituição de apoio a crianças com câncer), em Brasília

Aldeias Infantis S.O.S, presente em 12 Estados e no Distrito Federal

Amicca (Amigos da Infância com Câncer), no Rio de Janeiro

ABBRI (Associação Brasileira de Brinquedotecas), em Araraquara (SP), Curitiba (PR), Guarulhos (SP), Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Bernardo do Campo (SP) e Ubatuba (SP)

ONG Brinquedos para Todos, em São Paulo

Entidade beneficente Lalec (Lar, Amor, Luz e Esperança da Criança), em São Paulo

Nacc (Núcleo de Apoio à Criança com Câncer), em Recife (PE)

ONG Sonhar Acordado, em Joinville (SC), Curitiba, São Paulo, Campinas (SP), Jundiaí (SP), Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Fortaleza

ONG Viva Rio, no Rio de Janeiro

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