Infância

Antes de agir, entenda o que leva a criança pequena a ser agressiva

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Os adultos devem ter cuidado com a forma como expressam suas frustrações; as crianças imitam o que veem imagem: Getty Images

Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

Na sua casa ou na de conhecidos, você já deve ter presenciado a cena da criança pequena que bate nos outros, chuta canelas, puxa cabelos...  Antes de julgar ou tomar qualquer atitude, é preciso entender a motivação por trás do (mau) comportamento.

“As crianças muito pequenas ainda não conseguem distinguir o carinho da agressão”, afirma Edwiges Ferreira de Mattos Silvares, professora titular do Departamento de Psicologia Clínica da USP e especialista em comportamento infantil.

Segundo Edwiges, elas começam a ter noção do que é certo ou errado a partir dos três anos. E é por isso que, nessa faixa etária, são totalmente desaconselháveis os programas de televisão com cenas violentas e de agressão, já que elas estão começando a aprender modelos de comportamento.

É preciso entender que o exemplo vem, principalmente, de casa. Pais que brigam entre si ou gritam com os filhos devem ter consciência de que eles irão copiar esse tipo de atitude. “Se o modelo é de agressividade, as crianças imitarão esse padrão”, diz a pedagoga Julia Milani, da Assessoria Educacional Terceiro Passo.

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  • Arte/UOL

Motivação

De acordo com a pedagoga Julia, crianças pequenas ainda sem o domínio da fala não têm recursos para lidar com a frustração de não verem seus desejos atendidos. “Quando aprendem a andar, elas começam a interagir com o ambiente de uma forma bem mais ativa. Como é o adulto quem vai colocar os limites, a decepção da criança começa de uma forma muito rápida. E qual a única forma de demonstrar isso? Por meio de reações físicas”, diz Júlia.

Para a psicóloga Cristiane Moraes Pertusi, doutora em psicologia do desenvolvimento humano, a agressividade infantil pode se manifestar devido a muitos fatores. O importante é tentar compreender a criança.

“Todo comportamento, seja afetivo ou agressivo, tem um motivo, não surge do nada. Pode ser para chamar a atenção, por ciúme de um irmão ou de outra pessoa, por imitarem os adultos, por mudança de babá. E as crianças também testam os limites”, diz Cristiane.

Como lidar

Mesmo não sendo incomum, a agressividade infantil é um comportamento que merece toda a atenção dos pais. “Tem de detectá-la, entender por que está acontecendo, trabalhar a situação e fazê-la parar”, afirma a psicóloga.

Se a criança já tiver um ano e meio ou mais, os adultos devem demonstrar seu descontentamento se ela extrapolar limites. “As ordens têm de ser sempre curtas e claras. Quando são objetivas, as crianças conseguem entender. É preciso mostrar o que queremos do outro”, diz a pedagoga Julia Milani, acrescentando que um simples “não” é insuficiente. É necessário explicar o motivo.


“Mas não pode virar sermão. Melhor uma frase curta do que um discurso. As crianças não conseguem assimilar longas dissertações”, afirma Julia.

E, se os pais desejarem um resultado eficiente, coerência é a palavra-chave, dentro e fora de casa. Segundo a pedagoga Julia, há pais que são severos na frente dos amigos ou em ambientes públicos, mas, quando estão em casa, agem de maneira diferente, são bem mais condescendentes. Aí, não há ordem que funcione, seja ou não objetiva.

Acima de tudo, é importante lembrar que educar não é punir e, sim, mostrar o caminho. Mas os limites devem ser dados e sinalizados o tempo todo. “Os pais devem se abaixar, olhar nos olhos, falar com convicção e com toda a calma. Tem de fazer o filho prestar atenção. A criança para quando ela sente firmeza”, diz Cristiane.

Além disso, não espere resultado imediato. É preciso ser paciente e explicar, com toda a calma, quantas vezes forem necessárias. E sem agressividade.

 

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