Gestação

Colo do útero curto faz Isabel Fillardis passar por gravidez de risco

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A atriz Isabel Fillardis está grávida de um menino imagem: Divulgação

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

Aos 40 anos, a atriz Isabel Fillardis está grávida de sete meses de um menino, seu terceiro filho. Mãe de Analuz, 12, e Jamal Anuar, 10, ela e o marido, Júlio Cesar Santos, com quem está casada há 12 anos, planejaram a chegada do caçula, o que não evitou que fossem surpreendidos por uma gravidez de risco.

Em meio a exames para verificar seu estado de saúde para iniciar as tentativas de engravidar, mas já tendo suspendido seu método contraceptivo, Isabel descobriu que seu colo do útero estava curto, o que poderia causar um parto prematuro.

"Diante desse quadro, decidimos abrir mão do terceiro filho, mas, uma semana depois, a menstruação não veio, e descobrimos que eu estava grávida. Foi muito tenso saber sobre o risco. Meu marido ficou e está muito preocupado. Acho que ele só vai ficar tranquilo, de verdade, quando estiver tudo bem comigo e com o bebê", contou a atriz ao UOL Gravidez e Filhos.

De acordo com Coríntio Mariani Neto, obstetra da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo), o encurtamento do colo do útero, normalmente, é diagnosticado durante a gravidez, com o exame de ultrassom, e, fora dela, é raro de ser detectado.

"O colo do útero curto nada tem a ver com a idade da paciente ou com o número de gestações que ela teve. A partir do diagnóstico, o procedimento indicado é a cerclagem, que é dar pontos no orifício interno do colo para fechá-lo e assim permitir que a gravidez evolua até que a criança chegue a termo ou próximo dele", afirmou. O procedimento é feito sob anestesia e os pontos são retirados com cerca de 37 semanas (uma gestação a termo dura entre 37 e 42 semanas) para que o parto possa ocorrer normalmente.

Isabel foi submetida a uma cerclagem e se sente mais segura agora, que, segundo ela, "as fases mais delicadas já passaram". Mas a sua rotina atual é de muito repouso em sua casa, no Rio de Janeiro.

As principais preocupações de uma gestação após os 35 anos (faixa etária considerada fator de risco segundo o documento "Manual Técnico - Gestação de Alto Risco", do Ministério da Saúde) são as chances aumentadas de a mulher desenvolver diabetes e hipertensão, doenças que exigem um acompanhamento mais rigoroso durante o pré-natal.

"A idade passou quase que desapercebida depois que descobrimos o problema com o colo do útero. Sempre fui muito saudável, não tenho pressão alta e nas minhas duas primeiras gestações engordei entre dez e 12 quilos", falou a atriz, que também não tem diabetes.

Parto prematuro

Segundo o obstetra Coríntio Mariani Neto, algumas providências podem ser tomadas para que o parto não seja prematuro, pois, mesmo em casos de gravidez de risco, o recomendado é deixar o nascimento acontecer naturalmente.

"Existem exames e testes que são feitos e que dão sinais se aquela gestante está perto de entrar em trabalho de parto. A regra número um para prevenir é o uso da progesterona (hormônio feminino), que deixa o útero mais 'descansado' e em 'repouso'. A gestação só deve ser interrompida se houver risco para mãe ou bebê", afirmou Mariani Neto.

E esse é o desejo de Isabel, apesar de ter sido prevenida por seu médico para ficar "preparada", e de malas prontas, a partir de dezembro, quando iniciará o oitavo mês de gravidez.

"Vamos esperar o máximo que der, mas já estou tomando injeção de corticoide (para amadurecer o pulmão do bebê), porque quero fazer o máximo para não precisar manter meu filho na UTI", disse.

Depois de passar por um parto normal aos 28 anos e uma cesárea aos 30, a atriz foi categórica na resposta sobre a maior diferença entre as duas primeiras gestações e a atual.

"Cansaço. Minha resistência é muito menor. Não posso fazer atividade física. Para sentir o bem-estar que ela traz, faço shiatsu. Para não ficar inchada, recorri à drenagem linfática", contou.

A gravidez semana a semana

  • Arte/UOL

Armazenamento de células-tronco

O filho mais novo de Isabel, Jamal Anuar, é portador da síndrome de West, tipo raro de epilepsia. A doença foi uma das razões que levaram a atriz a decidir armazenar as células-tronco do cordão umbilical do bebê que vai nascer. A esperança é que, no futuro, pesquisas desenvolvam um novo tratamento para a síndrome de Jamal a partir desse material.

"Conversei muito com os neurologistas que o acompanham e sei que são apenas estudos sem resultados. Mas, se existe uma esperança no fim do túnel, por que não guardar essas células e ter ali uma ferramenta para buscar uma qualidade de vida melhor? É pela família toda, afinal, não sabemos as doenças que podemos vir a ter", declarou a atriz.

Segundo Eliseo Sekiya, especialista em hematologia e hemoterapia e cientista da CordCell, clínica de armazenamento, coleta e pesquisas sobre células-tronco do cordão umbilical, ainda não existem estudos específicos sobre a síndrome de West, mas a área neurológica é uma das que recebe investimento.

"Outras síndromes epiléticas já são estudadas em animais e a tendência é que essas pesquisas avancem para a fase clínica (em seres humanos)", afirmou Sekiya, que também lembrou que a compatibilidade entre irmãos de mesmos pais é de 25%, caso dos filhos da atriz.

De acordo com Coríntio Mariani Neto, mais de cem doenças podem ser tratadas com as células-tronco. Todas são muito raras e só aceitam esse tipo de tratamento. "As mais 'conhecidas' são: anemias raras, linfomas (câncer nas glândulas linfáticas), leucemias (câncer no sangue) e mielomas (câncer na medula óssea)", falou.

Para o obstetra, a alternativa de armazenar deve ser avaliada por quem tem essa disponibilidade financeira (a coleta custa em torno de R$ 3.500 e existe anuidade para o armazenamento), pois é um investimento na criança e também na família.

"Eu sugiro, pois é um material que é jogado fora quando não é coletado e, muitas vezes, um diagnóstico que necessita desse tipo de tratamento é feito somente após o parto", afirmou o médico obstetra.

 

 

 

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