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Criança não precisa de açúcar; veja alternativas para evitá-lo

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Comer açúcar é desnecessário para a saúde do organismo humano, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, de acordo com os médicos imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

Quatro ou cinco colheres de chá: essa é a quantidade aproximada de açúcar que a AHA (American Heart Association) recomenda que as crianças ingiram por dia.

Parece pouco diante de tantos chocolates, balas, biscoitos, refrigerantes e outras guloseimas que estão no armário de casa ao alcance de seus filhos? Então, é melhor rever os hábitos alimentares da  família.

O consumo excessivo de açúcar tem a ver com o desenvolvimento de cáries e o ganho peso (que aumenta a chance de diabetes e de doenças cardiovasculares), por exemplo. Mas, além disso, comer açúcar é desnecessário para a saúde, independentemente da idade.

Desnecessário, mas, ao mesmo tempo, irresistível. Então, como fazer para encontrar o equilíbrio no dia a dia? É difícil e exige disciplina e, às vezes, pulso firme. Desde que nasce, o organismo do homem tem preferência por alimentos com sabor doce, por isso, é preciso controlar não só a quantidade de açúcar que seu filho come, mas, também, o tipo.

Os açúcares são classificados em livre (presente em frutas e vegetais) e simples (usado principalmente em produtos industrializados). Ambos são considerados carboidratos simples e, ao lado do grupo dos complexos (amidos) e das fibras alimentares, formam o grande grupo dos carboidratos.

Os carboidratos são importantes, afinal eles são fonte de energia para o corpo. Porém, para uma alimentação ser considerada saudável, os açúcares simples são dispensáveis --os outros grupos dão conta do recado. De forma geral, segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, todos os grupos de alimentos, exceto as carnes, os óleos, as gorduras e o sal, possuem carboidratos.

Até os dois anos de idade, o recomendável é não dar açúcar nenhum para a criança, de acordo com o material elaborado pelo Ministério da Saúde Dez passos para a alimentação saudável –guia alimentar para crianças menores de dois anos. Isso porque, até esse período, elas estão formando os hábitos alimentares que, na maioria dos casos, acompanharão a pessoa para a vida toda.

O melhor é sempre optar por alimentos in natura. Isso significa uma mesa farta em frutas, sem refrigerantes, doces, gelatinas, achocolatados ou sucos em pó.

Depois dos dois anos, é recomendável continuar com uma alimentação sem adição de açúcar e, se ele aparecer na dieta, que seja de forma esporádica. Se for o caso, mel pode ser usado depois do primeiro ano de vida. "Antes disso, pode causar intoxicação alimentar", diz Paula Crook, nutricionista da PB Consultoria em Nutrição, em São Paulo.

Com as crianças crescendo, é inevitável o contato com diversos sabores. Para elaborar receitas doces, como bolos e tortas, Paula recomenda que os pais prefiram usar açúcar mascavo ou demerara orgânico, mais saudáveis, mas não menos calóricos do que o branco. Ambos são extraídos da cana de açúcar, mas o primeiro não passa por processo de refino e o segundo, semelhante ao açúcar cristal, porém mais escuro, não sofre a etapa de branqueamento.

"Eles mantêm um teor um pouco maior de vitaminas e minerais", diz Paula. Lucilia Santana Faria, coordenadora médica da UTI pediátrica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, completa: o tipo mascavo é absorvido e metabolizado mais lentamente do que o refinado, liberando energia e hormônios de forma mais lenta, o que provoca uma sensação de saciedade um pouco mais prolongada.

Se as crianças estiverem consumindo açúcar em excesso e os pais decidirem virar o jogo, o mais adequado é reduzir o consumo aos poucos. Paula explica que as papilas gustativas que temos na língua se dessensibilizam devagar. "Não é recomendável usar adoçantes. Por adoçar mais, ele provoca o efeito inverso", explica a nutricionista.  

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