Gestação

Plano de parto lista os desejos da gestante; veja prós e contras

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O plano de parto é uma lista de procedimentos que a gestante deseja que sejam feitos ou não imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

Você já ouviu falar em plano de parto? Trata-se de uma carta feita pela gestante para o dia do nascimento do bebê e os momentos subsequentes, com uma lista de procedimentos que ela deseja que sejam realizados ou não.

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No plano, a grávida pode manifestar seu desejo de ter um parto normal, receber ou não anestesia, a posição em que quer dar à luz e quem deve cortar o cordão umbilical do bebê, entre outras vontades.

Ana Garbulho, obstetriz formada pela USP (Universidade de São Paulo), consultora de aleitamento materno do Gama (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) e do ComMadre – Apoio à Gestação, Parto, Amamentação e Pós-Parto, ambos em São Paulo, sugere que tudo o que for conversado com o médico do pré-natal seja colocado em papel e assinado pela grávida e pela equipe que realizará o parto. Para ela, a mulher deve ter voz ativa em todo o processo de nascimento.

"O bom plano prevê as intercorrências também, como a necessidade de uma cesariana, quando a mulher deseja um parto normal", diz ela. "Os médicos que são seguros de suas práticas concordam em assinar o plano sem medo", afirma Ana.

Para a ginecologista e obstetra Flávia Fairbanks, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo, registrar por escrito não é recomendável, pois, na opinião dela, o profissional tem de ter liberdade para trabalhar.

"Além disso, a vontade da mulher na hora que está escrevendo o plano é muito diferente da que ela tem na hora do parto". Há casos de gestantes que escreveram não querer anestesia no parto normal. No entanto, no momento de dar à luz, não aguentaram a dor e pediram pelo medicamento. Depois, questionaram o médico porque ele atendeu à vontade dela se no documento constava o oposto.

Plantão de dúvidas

Apesar de contrária a um plano de parto por escrito, a obstetra Flávia diz que, durante o pré-natal, é importante que a grávida exponha todas as suas dúvidas e expectativas para avaliar se o profissional que a está acompanhando é o mais adequado.


"Ainda mais porque vivemos tempos de bombardeio de informações", diz a médica. "Porém, a mulher deve compreender que nem sempre o que deseja pode ser feito. A decisão final sempre é do médico", afirma.

A ginecologista e obstetra deixa claro que a gestante não deve acreditar que pode dar ordens ao profissional. "Da mesma maneira que os passageiros não dizem ao piloto do avião como ele deve proceder no controle da aeronave, a paciente não pode querer conduzir a prática médica. Se as expectativas da mulher não coincidirem com o discurso do médico, recomendo buscar outro profissional. Há excelentes médicos que seguem diversas linhas".

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  • Arte/UOL

Sobre o que conversar com o médico? 

Flávia sugere questões a serem discutidas para que a mulher conheça em detalhes a forma de atuação do obstetra. Veja:

- O que o médico pensa sobre aplicação ou não da anestesia?

- Qual é a sua tolerância em relação à data do parto (ele aceita ultrapassar 41 semanas se o bebê não se manifestar?)

- O médico estará disponível para fazer o parto na época prevista (não estará de férias, por exemplo)? 

- Em relação ao trabalho de parto, nos momentos que o antecedem, a gestante pode andar, ficar de cócoras, na bola ou na banheira de hidromassagem, por exemplo?

- É comum o médico optar pela episiotomia (a incisão feita na região do períneo para ampliar o canal do parto, em caso de parto normal)?;

- Ele costuma aplicar ocitocina (a substância que promove contrações)?;

- Quem fará o corte do cordão umbilical?;

- O médico aplicará nitrato de prata nos olhos do bebê assim que ele nascer (indicado para prevenir conjuntivite, dentre elas, a causada pela gonorreia contraída pela mãe)?;

- Qual posição é a recomendada por ele na hora de dar à luz, se o parto for normal?;

- Qual será o destino da criança assim que ela nascer? O médico permitirá que o bebê vá imediatamente para o colo da mãe para mamar?

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Itens que podem constar em um plano de parto:

- "Complicações podem acontecer. Peço que, nesse caso, a equipe médica discuta comigo os procedimentos e medicamentos antes de administrá-los, se possível";

- "Durante o trabalho de parto, opto por fazer (ou não fazer) a tricotomia (raspagem dos pelos pubianos)";

- "Não deve ser oferecido ao bebê qualquer tipo de alimento, fórmula, água ou chupeta. Ele deve receber exclusivamente leite materno via amamentação";

- "A placenta deve ser expulsa espontaneamente da parede do útero. Não deve ser efetuada nenhuma tração ou injeção de medicamentos para acelerar a saída, a menos que haja necessidade";

Acompanhante é um direito

A presença de um acompanhante antes, durante e depois do parto, escolhido pela gestante, é uma garantia legal. A lei vale para todos os hospitais do país, sejam públicos ou privados. A futura mãe pode optar por uma doula –pessoa que dá aconselhamento e assistência não médica (física, emocional, informativa etc.) a parturientes.

- "Caso a cesárea seja necessária, desejo anestesia peridural, sem sedação";

- "Quero ver a hora do nascimento, com o rebaixamento do protetor ou por um espelho";

- "Após o nascimento, o bebê e eu estando bem, desejo que o coloquem sobre meu peito e que minhas mãos estejam livres para segurá-lo. Quero amamentá-lo o quanto antes".

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