Adolescência

Irmãos adolescentes que se agridem podem ter boa relação na vida adulta

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Para resolver situações de brigas entre os filhos, tome cuidado para não priorizar nenhum dos lados imagem: Getty Images

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

Irmãos brigam. Quando estão na adolescência, então, nem se fala. Essa é uma fase bastante confusa, com a explosão de hormônios, e tudo o que parece simples pode se tornar um grande problema. Indivíduos nessa etapa da vida tendem a ser inflexíveis, justamente, por não terem maturidade emocional.

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Mas se você tem filhos adolescentes que brigam e chegam a se agredir fisicamente, não se apavore. Os conflitos de hoje podem se resolver. Com a sua ajuda, é possível que eles entendam o quanto é vantajoso ter um irmão por perto e não carreguem essa "rixa" para a vida adulta.

Segundo José Roberto Leite, coordenador da Unidade de Medicina Comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o adolescente agride porque não sabe lidar com as frustrações.

"O jovem se frustra com algo que, obviamente, não esperava, o que o irmão fez ou deixou de fazer. Ele manifesta raiva em forma de agressão, porque não consegue elaborar um pensamento racional sobre o acontecimento que o deixou naquele estado."

O primeiro passo para modificar a situação, é explicar para os filhos esse mecanismo de reação. Entendendo o comportamento inadequado, poderão tentar mudar a atitude em um próximo conflito.

Diante de uma situação de agressão física entre os filhos, é claro que a primeira coisa a fazer é separá-los, mas deixe a conversa para quando os ânimos se acalmarem.

"Lembre-se de conversar com cada um separadamente e que tomar uma atitude sobre o ocorrido não significa apoiar um em detrimento do outro. Não dê importância para a disputa e, sim, aos sentimentos e à reação de cada um após a briga", fala a terapeuta familiar Riva Gelman.

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O que não fazer

Riva afirma que, depois da agressão, determinadas atitudes dos adultos podem desencadear mais conflitos em vez de melhorarem o relacionamento dos filhos. Uma delas é relembrar brigas anteriores.

"Se os pais usam o argumento de que o mais velho tem de dar o exemplo ou que o menino tem de dar a vez para a menina, já perderam a chance de resolver, pois colocarão um dos lados em posição de inferioridade. O caminho é fazer com que cada um perceba o que fez para que o conflito acontecesse", declara a terapeuta.

Para José Roberto Leite, da Unifesp, uma situação que serve como exemplo do que não deve ser feito após uma briga entre irmãos adolescentes é permitir que aqueles que dormem no mesmo quarto mudem o local de dormir dentro de casa.

"Fazer isso só vai prejudicar, e um dos benefícios de ter irmão é, justamente, aprender a dividir. Assim, o jovem vai achar que, sob pressão, consegue mudar determinadas coisas”, diz Leite.

Aos pais, cabe observar o ambiente familiar e não estimular situações que gerem ciúme, competitividade ou sentimento de injustiça em um dos filhos, pois isso pode acabar em mais conflito.

De acordo com a psicóloga especialista em relacionamentos Pamela Magalhães, se as brigas se repetirem, o melhor a fazer é se aproximar mais dos envolvidos para observar como anda a vida particular de cada um. "Quanto mais estrutura emocional esses adolescentes tiverem, mais acolhidos se sentirão", afirma.

Castigo

Depois de um episódio de agressão física entre os filhos, os pais devem avaliar uma punição para ambos, não importando as alegações de quem teria agredido primeiro.

"Os filhos têm de arcar com as consequências de um ato mal feito. Passar a mão na cabeça só vai contribuir para que uma situação semelhante aconteça. O importante é colocar limites e parâmetros iguais", fala Pamela.

Segundo José Roberto Leite, dependendo da gravidade do conflito, é necessário procurar apoio psicológico profissional para os envolvidos.

"Os pais podem usar habilidade e a intuição para aplicar uma punição de forma adequada para cada um, sem prevalecer ninguém em uma briga em que ambos se agrediram. Mas, é difícil lidar com algo com que se está emocionalmente envolvido, nesse caso, o ideal seria procurar um especialista."

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