Infância

Falar palavrão pode ser forma de a criança pedir mais atenção

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Uma das estratégias para fazer com que a criança pare de falar palavrão é desviar a atenção dela imagem: Getty Images

Isabela Barros

Do UOL, em São Paulo

Bastou ouvir o pai falar uma expressão desaforada uma única vez, em um momento de estresse no volante, para Arthur, 2 anos, repetir o termo em plena aula de natação, no dia seguinte.

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A mãe do menino, a enfermeira Lorena Leão Ribeiro Cardoso, 31, estava com ele na hora. “Morri de vergonha, mas ignorei e comecei a distraí-lo com outros brinquedos na piscina”, conta.

“Em casa, eu e meu marido nos policiamos muito a esse respeito e, quando ele fala alguma palavra inadequada, a gente finge que não escutou e tenta desviar a atenção dele”, completa a enfermeira.

Para Lorena, tentar argumentar que determinada palavra é feia, e proibir, pode ser muito pior. “Ele vai achar que é brincadeira e começar a repetir para ver a nossa reação”, diz ela.

Na opinião de pedagogos e psicólogos ouvidos pelo UOL Gravidez e Filhos, a postura de Lorena em relação ao filho foi impecável. Nada vale mais na luta contra os termos de baixo calão do que o exemplo que vem de casa.

“As crianças aprendem a falar por imitação”, afirma Maria Ângela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da PUC de São Paulo. “Nada tem mais peso nesse sentido do que a forma como os pais falam.”

Se o objetivo é corrigir o uso desse ou daquele termo, tanto nos primeiros anos de vida quanto mais adiante, o melhor é não fazer muito alarde. Com aqueles que estão começando a falar, os pais devem, simplesmente, mudar de assunto ou propor alguma brincadeira.

Dicionário a postos

Com os mais velhos, pode ser o caso de recorrer ao dicionário e mesmo debater o uso da palavra. “Certa vez, uma amiga, professora de alunos com idade média de oito anos, precisou sair da sala e, ao voltar, viu um palavrão em letras gigantes escrito na lousa”, conta Maria Ângela, da PUC.

“Sem dar muita bola, ela olhou para o quadro e sugeriu que os estudantes procurassem no dicionário uma palavra mais bonita para expressar aquilo”, diz. Depois do episódio, a turma nunca mais teve problemas do tipo. “Aquelas crianças só queriam chamar a atenção.”

Se a tática de não repreender com veemência para não valorizar demais o assunto não funcionar, é o caso de conversar diretamente sobre o tema. “Os pais devem explicar aos filhos que aquela palavra não quer dizer uma coisa boa”, afirma Christina Carbonaro, pedagoga do Colégio Internacional Ítalo Brasileiro, na capital paulista.

“Ou que existem palavras melhores para expressar aquilo se houver sinônimos.” Para a pedagoga, a partir dos seis anos, já é possível debater o tema em casa, sem maiores dificuldades.

Dentro desse clima de negociação, outra dica boa para deixar os termos de baixo calão longe da boca das crianças é inventar, em família, uma palavra para ser usada em situações de raiva ou irritação. “Pode ser muito divertido criar um termo novo assim, exclusivo dos pais e dos filhos”, diz a pedagoga Christina.

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Quando algo não vai bem

Além do fator imitação, logo que as crianças começam a falar, e da vontade de chamar a atenção, para os mais velhos, o uso de palavrões pode indicar que alguma coisa não vai bem.

“É importante tentar entender o que o filho está querendo dizer com esse comportamento”, afirma Izabella Paiva Monteiro de Barros, psicóloga clínica, supervisora e professora do curso de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

“O palavrão pode significar um pedido de ajuda, um apelo para que a família pare e olhe para aquela criança”, diz. “Por isso, não basta repreender, tem de trabalhar as motivações que levaram a criança a agir assim.”

Outra situação muito comum, segundo a psicóloga, é que os meninos e as meninas sejam influenciados por outras figuras de referência além dos pais e parentes.

“São as pessoas com quem eles convivem na escola, na creche, as próprias babás”, diz Izabella. Nada que não possa ser combatido com o exemplo de casa. “Os pais serão sempre o principal modelo de identificação dos filhos.”

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Sete dicas para lidar com a situação

- Dê o exemplo e não fale palavrões em casa;

- Não grite nem faça alarde se o seu filho falar algum termo inadequado;

- Se ele for pequeno e estiver começando a falar, apenas desvie a atenção para outro assunto ou brincadeira;

- Se ele tiver mais de seis anos, já dá para conversar abertamente sobre o tema;

- Invente um termo novo para ser usado em família sempre que alguém ficar com raiva;

- Recorra ao dicionário para encontrar sinônimos se houver;

- Avalie se o hábito não significa um sinal de que algo não vai bem com a criança.

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