Infância

Na hora de dar remédio ou injeção, pais não devem enganar a criança

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Mesmo crianças pequenas são capazes de entender que o remédio e a injeção são para que ela melhore imagem: Getty Images

Juliana Zambelo

Do UOL, em São Paulo

Para a maioria das crianças, adoecer e tomar remédios são incômodos que os pais conseguem administrar sem grandes dramas. Mas, para algumas, a necessidade de ingerir qualquer medicação se torna uma grande batalha doméstica em um momento em que elas já estão fragilizadas.

O pediatra Peter Liquornik , do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), afirma que o primeiro passo é sempre a conversa. “A melhor maneira de administrar o medicamento é ter plena convicção de sua necessidade e explicar isso à criança”, diz.

Alessandra Cavalcante Fernandes, pediatra do Hospital e Maternidade Rede D’Or São Luiz, também na capital paulista, concorda que a explicação é o primeiro passo. “Em primeiro lugar, tem de tentar conversar, explicar que o remédio é para sarar. Uma criança de três ou quatro anos já entende esse argumento”, afirma.

Caso a criança continue não aceitando, vale usar coisas que ela goste como suporte para o medicamento, como um copo especial ou uma colher diferente. “Tem de ter paciência até encontrar algo que ela aceite”, fala Alessandra.

Para a pediatra, os pais devem evitar oferecer um presente ao filho para que ele tome o remédio. Com essa atitude, os adultos estarão ensinando a criança a sempre pedir um prêmio em troca de algo que ela não quer fazer. “Ela vai aprender a usar essa chantagem para tudo.”


Segundo Valéria Lopes, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, se a criança estiver reagindo a um medicamento por causa de seu sabor ruim, vale solicitar uma troca ao médico. “Os pais podem pedir para o pediatra que ele receite alguma coisa mais palatável para a criança, existem alternativas.”

Outra opção é colocar o remédio no espaço lateral da boca da criança, e não diretamente sobre a língua, assim ela sentirá menos o gosto do medicamento. Já disfarçar o sabor desagradável com água com açúcar ou um pouco de leite condensado pode ser um recurso válido para alguns medicamentos, mas não todos. Para saber se a conduta não vai interferir na ação daquele remédio específico é necessário consultar o pediatra caso a caso.

Injeção

A aplicação de injeções, seja com medicamentos ou vacinas, pode ser também fonte de muito estresse entre pais e filhos. Para os especialistas, a regra é a mesma para os remédios de via oral: conversa e sinceridade.  “Nunca se deve mentir para a criança, dizer que ela vai fazer alguma outra coisa e, quando ela se dá conta, está em um local onde vai tomar uma injeção”, diz Valéria Lopes.

Alessandra, do São Luiz, concorda que mentir pode piorar a situação. “O que a gente mais ouve é os pais dizerem que não vai doer nada, mas é mentira. Tem de falar para ela que vai doer um pouco, mas explicar que é uma dor momentânea, que não vai ficar doendo depois, que passa rápido.”

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