Infância

Encontrado nos peixes, DHA turbina o desenvolvimento infantil

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Sardinha e atum em lata são fontes acessíveis e excelentes da gordura tipo DHA imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

É sabido que o ômega 3, um tipo de gordura, faz um bem danado à saúde, diminuindo os índices de colesterol ruim (LDL) e aumentando os do bom (HDL). De uns tempos para cá, uma fração dele vem ganhando tanta fama quanta o próprio.

Graças à biologia molecular, hoje se sabe que o ácido docosahexaenóico, mais conhecido pela sigla que o representa, DHA, é responsável por desempenhar funções essenciais, como recobrir membranas celulares e ajudar na formação da retina e dos neurônios, pois é um componente da bainha de mielina, que recobre essas estruturas e torna possível a comunicação entre elas.

Para o organismo infantil, o DHA é essencial, pois é, nos primeiros anos, que a capacidade cognitiva humana se desenvolve com mais ênfase e é bastante solicitada para impulsionar a aprendizagem.

“O cérebro é formado por 60% de gordura e quase tudo provém do ômega-3 e da fração de DHA. Se não existem esses ingredientes, outras formas de gordura, nem sempre benéficas, entram no lugar”, afirma Dennys Cintra, professor de nutrigenômica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Fazer com que a alimentação da criança contenha DHA é fundamental. São necessários entre 800 mg e 1.000 mg por dia. Evidentemente, ninguém precisa enlouquecer para controlar essa quantidade –tão pequena e tão significativa ao mesmo tempo.

“Cuidar para que a dieta alimentar contenha alimentos com DHA duas vezes por semana é suficiente”, diz Christiane Leite, do Conselho Científico do Departamento de Nutrologia e Suporte Nutricional da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).


Mas o que é fonte de DHA? Alguns vegetais e peixes, nozes e certas sementes, de acordo com Luciana Setaro, docente do curso de nutrição da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Alimentos que contêm a substância

- Peixes: atum, bacalhau, sardinha, salmão, entre outros. Segundo Cintra, da Unicamp,  a maior concentração de DHA nos peixes está nos olhos, no cérebro, no fígado (que chega abrigar cerca de 98%) e no rim desses animais –e ainda nas ovas deles–, partes pouco consumidas pelos brasileiros.

“Atum ralado e sardinha em lata, à venda em supermercados, são excelentes fontes, pois é possível encontrar resquícios de rim e fígado misturados à carne”, diz o professor de nutrigenômica. Já os filés, mais secos por conter pouca gordura, consequentemente, não são tão ricos em DHA.

- Sementes: linhaça e chia. É possível incorporar na rotina alimentar das crianças, incorporando-as em saladas ou, então, na forma de farinha, para engrossar sopas, molhos e massas.

- Óleos: de canola e de soja.

No caso das sementes e dos óleos, de acordo com Cintra, é preciso cautela e não exagerar no consumo. Eles são ricos em alfa linoléico, também uma fração do ômega 3, que, depois de ingerida, é transformada em DHA pelo organismo. “Porém, somente 15% do que consumimos sofrem o processo”, declara o professor da Unicamp.

Para mulheres em fase gestacional, a recomendação de Christine, da SBP, é ingerir de duas a três vezes por semana esses alimentos.

Na fase do aleitamento materno, o ingrediente segue sendo fundamental: fornecer DHA para o bebê, por meio do leite materno, contribui com o desenvolvimento dos neurônios. Na criança pequena, o processo de mielinização (formação da bainha de mielina, citada no início desta reportagem) é muito rápido nos primeiros dois anos de vida e de extrema importância para o desenvolvimento e o bom funcionamento cérebro.

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