Gestação

Peso e fim do aleitamento são requisitos para plástica após parto

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No pós-parto,o organismo apresenta maior risco de trombose e de embolia, potencializados por qualquer cirurgia imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

Para muita gente, o segredo de mulheres ricas e famosas que saem em boa forma da maternidade, poucos dias depois do parto, tem nome e sobrenome: cirurgia plástica. Porém, especialistas na área são categóricos ao afirmar que não é bem assim. 

Primeiramente, eles chamam atenção para o corpo dessas mulheres antes da gestação –saudável, no peso ideal, sem flacidez e gorduras localizadas– e também durante os nove meses –com peso sob controle e pele bem hidratada.

“As gestantes que engordam entre oito e 12 quilos, por exemplo, já perdem muitos deles no parto. Cerca de três são do bebê, outros tantos são culpa do inchaço, que some nas primeiras semanas do pós-parto. Acabam restando um ou dois para eliminar”, afirma Ernesto Novoa, especialista em cirurgia plástica pela SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) e membro da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica. Em segundo lugar, os médicos destacam o histórico genético privilegiado de algumas mulheres, o que favorece que tudo volte para o lugar naturalmente.

Segundo os especialistas ouvidos pelo UOL Gravidez e Filhos, depois que o bebê nasce, o organismo feminino, inclusive por conta da amamentação, não se encontra em um estado de normalidade.

“Não tenho como saber se a paciente vai, realmente, manter aquele sobrepeso que a incomoda ou se vai perdê-lo rápido, quais são as medidas reais dela, se os seios vão aumentar ou diminuir depois da amamentação etc”, diz Charles Yamaguchi, cirurgião plástico membro da SBCP e da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia.

Faltam dados reais para que o médico possa planejar as intervenções e assim atender aos desejos da mulher de se livrar da barriga que está com pele acumulada ou dos seios flácidos.

“Durante a amamentação, as mamas estão com as glândulas hipertrofiadas pela prolactina (hormônio que estimula a produção de leite), não há como saber como ficarão depois. No caso de áreas com excesso de pele, é importante compreender que, no pós-parto, o organismo comanda um processo de retração. Se interferimos com uma cirurgia, esse processo continua depois, prejudicando o resultado”, fala Novoa.

Ele ainda chama atenção para o fato de os procedimentos plásticos incapacitarem as mães de darem a atenção que os bebês necessitam nos primeiros meses de vida. O corpo feminino trabalha depois do nascimento para manter a vida e nutrir a criança. Quando sofre algum tipo de intervenção estética, ele interpreta como se fosse um desvio. “Dependendo da cirurgia, a mulher não pode fazer esforços com os braços, como ela vai segurar o bebê?”, questiona ele.

De acordo com Eduardo Motta, ginecologista, mastologista, obstetra e um dos responsáveis pelo Departamento de Formação Continuada da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), no pós-parto,o organismo apresenta maior risco de trombose e de embolia, potencializados por qualquer cirurgia.

Quando, então, a mulher pode buscar um cirurgião plástico para avaliar se é o caso de optar por uma abdominoplastia ou pelo implante de silicone nas mamas? O indicado pelos especialistas entrevistados é quando já tiver ocorrido a recuperação do peso ideal (ou então quando ele se torne estável).

No caso de cirurgia nas mamas, para aumentar ou diminuir o tamanho, é preciso esperar um semestre depois da amamentação. Esse tempo é necessário porque, de acordo com Yamaguchi, no período citado, o leite continua a ser produzido e estocado. Como ele é considerado um material contaminado, pode ocasionar infecções com mais frequência.

Além disso, por causa da gravidez, os seios sofrem modificações no que diz respeito ao tamanho e ao tipo de tecido que os compõem. Motta destaca que médico e paciente também devem levar em conta o retorno normal da menstruação.

Se o tempo de espera recomendado não é obedecido, os resultados cirúrgicos tendem a não agradar. “Quando a mulher é submetida à lipoaspiração, por exemplo, um ou dois meses depois do parto, ela é operada em uma fase de transição, em que o corpo ainda retém muito líquido”, diz Novoa. O resultado, já no pós-operatório, pode não corresponder às ações do médico.

Segundo Motta, embora existam diversos tipos de lipo, os riscos são os mesmos. “O prefixo mini não diminui os perigos, não faz com que a cirurgia possa ser interpretada como algo sem risco para a mãe.”

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