Adolescência

Viajar com o filho adolescente abre brecha para melhorar diálogo

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A viagem permite aumentar o clima de intimidade da família e expressar mais os afetos imagem: Getty Images

Rita Trevisan e Suzel Tunes

Do UOL, em São Paulo

Viajar com a família toda reunida pode ser uma excelente oportunidade para fortalecer vínculos, sobretudo entre pais e filhos adolescentes. É o que garante Dinah Akerman, psiquiatra pela USP e especialista em psicoterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae. Programar, então, uma viagem para as férias escolares que se aproximam pode ser uma chance de melhorar o convívio familiar.

Segundo a especialista, a logística do dia a dia é muito complicada e dificulta os encontros dentro de casa. Além disso, em uma viagem, tudo se torna mais fácil, inclusive o diálogo. “As pessoas, quando estão mais relaxadas, baixam a guarda, ficam mais afetivas. A viagem permite aumentar o clima de intimidade da família e expressar mais os afetos.”

Difícil mesmo pode ser tirar o adolescente de casa. “Talvez seja a etapa mais complicada da viagem”, diz a psicóloga Maria Regina Domingues de Azevedo, professora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina do ABC.

Maria Regina fala que muitos adolescentes são, de fato, resistentes a fazer programas com os mais velhos. “Essa é uma fase da vida em que existe uma necessidade de recolhimento. É um momento em que o jovem está buscando se reconhecer, até mesmo nos aspectos físicos, que sofrem grandes mudanças. Esse recolhimento fica bem evidente entre os 13 e os 16 anos. Aos 17 e 18, começa um movimento de reaproximação.”

Até lá, para convencer os filhos adolescentes a se interessarem pelo projeto da viagem em família, só existe um meio: o diálogo. Mas, para que ele funcione, é preciso que os pais falem menos e ouçam mais.

Espaço para todos

Segundo a psiquiatra Dinah Akerman, os pais, envolvidos com as responsabilidades de organizar e pagar a viagem, muitas vezes, esquecem-se de consultar os filhos sobre o roteiro e as atividades a serem feitas no destino. Mas, para envolver os adolescentes, o ideal é sempre consultá-los. A psiquiatra propõe, inclusive, que os jovens sejam estimulados a listar o que desejam fazer: lugares que querem conhecer, onde pretendem comer etc.

Os adultos podem até se surpreender com as sugestões dadas pelos mais jovens. “Às vezes, os filhos se contentam com passeios muito mais baratos do que os imaginados pelos pais”, afirma Dinah.

A psicóloga Maria Regina sugere que, em um roteiro de uma semana, por exemplo, cada dia seja reservado para a atividade que atenda ao interesse específico de um membro da família. Também é importante separar um ou dois dias para as atividades que contemplem interesses comuns.

Sem preconceitos

Praia ou montanha, parque ou museu, restaurante sofisticado ou lanchonete fast food, cada família tem as suas preferências e organiza a viagem de acordo com suas condições financeiras. O que se deve evitar, conforme alerta a psicóloga Maria Regina, é limitar as opções, levando em conta os preconceitos.

Adolescentes, por exemplo, podem ficar encantados com um tour por um museu, como o de História Natural de Nova York. E mesmo a tradicional e acinzentada cidade de Londres pode seduzir a garotada, desde que a família reserve um tempinho para passeios criativos com os jovens, como o que reproduz os passos do espião James Bond em uma investigação internacional.

Também é preciso considerar que a viagem é ótima para promover o enriquecimento cultural. Cabe aos pais despertar o interesse dos adolescentes para as diferenças que há entre o destino e o país de origem. Mas sem forçar a barra. “O importante é que a família toda se divirta e volte para casa mais unida e com muitas lembranças boas”, diz Maria Regina.

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