Gestação

Informe-se e perca o medo da anestesia na hora do parto

Getty Images
É importante aproveitar o pré-natal para tirar dúvidas sobre a anestesia com o médico imagem: Getty Images

Daniela Venerando

Do UOL, em São Paulo

Entre os temores que rondam a cabeça da mulher prestes a ter um filho está o da anestesia. Qual será o tamanho da agulha? Como age no corpo? Quais os efeitos que provoca? Para passar por ela, ou até mesmo decidir não usá-la, o melhor caminho é buscar muita informação durante o pré-natal.

"É preciso saber que a dor é inerente ao processo, mas ninguém precisa passar por sofrimento, pois temos a tecnologia a nosso favor. É muito importante que o médico converse com a sua paciente e acolha todas as suas dúvidas. O diálogo é a melhor forma de evitar o nervosismo durante o trabalho de parto",  afirma o obstetra Eduardo Motta, médico-assistente do Hospital das Clínicas, de São Paulo.

O avanço tecnológico garante à grávida um cenário bastante favorável. O risco de reação à anestesia é remoto, e os medicamentos e materiais usados, como agulhas e cateteres, são descartáveis e muito mais seguros.

A gravidez semana a semana

Saiba como a gravidez evolui, semana a semana, e aproveite melhor os dias que antecedem o nascimento de seu bebê

Veja
A espessura da agulha, por exemplo, diminuiu e muito nos últimos anos. Atualmente, é igual a um fio de cabelo. Além de diminuir o incômodo da aplicação, que acontece na região lombar entre a terceira e a quarta vértebras, o fato contribui para minimizar a ocorrência de dor de cabeça no pós-parto, efeito colateral da anestesia corriqueiro no passado.

O incômodo ocorria, frequentemente, porque a agulha usada era grossa e rompia a membrana que protege a medula, provocando vazamento do liquor, líquido que banha todo o sistema nervoso.

"Hoje, é muito difícil acontecer esse tipo de problema, porque a nova espessura da agulha diminuiu o vazamento do líquido. No entanto, ainda ocorre em 0,4% dos casos, principalmente, com aquelas que sofrem de enxaqueca crônica”, diz Ricardo Goldstein, médico anestesista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Segundo o especialista, quando a dor de cabeça acontece, ela é, na maioria das vezes, solucionada com analgésico em um ou dois dias. São raros os casos que necessitam de nova punção no local da picada e curativo.

Tolerância à dor

A indicação do uso de cada um dos três tipos de anestesia (raquidiana, peridural ou bloqueio duplo) vai depender de diversos fatores, como a posição do bebê na barriga, o estado clínico da mãe, o estágio em que se encontra o parto e o grau de tolerância à dor da parturiente, já que a percepção varia muito de uma pessoa para a pessoa.

Durante o parto, a mulher tem autonomia para pedir anestésico para aliviar a dor, mas, se o médico atender ao pedido muito cedo, pode interferir na evolução do trabalho de parto. E o tão sonhado parto vaginal pode se transformar em uma cesariana.

"É uma negociação entre o médico e a parturiente. Daí a importância dos dois conversarem antes para que a situação esteja mais ou menos acordada na hora do nascimento. Muitas vezes, não excluo a dor, mas a deixo de uma forma tolerável para a mulher. O médico, o anestesista e a paciente têm de funcionar como um time, um dando informação ao outro", declara o médico Eduardo Motta.

Conheça mais detalhes dos tipos de anestesia

Raquianestesia
Também conhecida como raquidiana, é a técnica mais usada nas cesarianas, quando não é necessária a participação ativa da parturiente. A aplicação é única, tirando completamente a sensibilidade do umbigo para baixo. A grande vantagem é que seu efeito é imediato, e a dose é bem menor do que a peridural, em uma proporção de dez para um.

Peridural
Mais comumente usada nos partos normais, alivia as dores de parto, mas não tira os movimentos, permitindo que a gestante permaneça com força na barriga e ajude na expulsão da criança. A dose aplicada é bem maior do que a raqui, e demora cerca de 30 minutos para fazer efeito. Depois que a substância anestésica é aplicada na região lombar, o médico substitui a agulha por um cateter, que permite reforçar a dose, caso a dor aumente ou o trabalho de parto se prolongue.

Bloqueio duplo
É a combinação dos dois tipos: peridural e raquidiana. Atualmente é a técnica mais indicada para o trabalho de parto normal, pois alivia, imediatamente, a dor, ao mesmo tempo, que proporciona um menor relaxamento muscular, permitindo que a mulher sinta as contrações. Nesse tipo, um cateter também é deixado estrategicamente para que mais analgésico possa ser injetado, se o nascimento demorar.

Topo