Gestação

Mãe de primeira viagem, Jaque Khury mostra treino que a fez voltar à forma

Por Louise Vernier e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

Apenas cinco meses depois de dar à luz Gael, seu primeiro filho, a atriz e ex-BBB Jaque Khury, 30 anos, recuperou seu corpo enxuto, com direito a abdome sarado. Os 23 quilos que ganhou durante a gestação já foram eliminados.

Voltar em tão pouco tempo ao corpo de antes da gestação não foi obra do acaso. “A Jaque sempre se exercitou. Assim, quando foi liberada pelo obstetra para retomar as atividades físicas, os resultados vieram de maneira mais rápida e eficaz do que se ela fosse uma pessoa sedentária”, afirma o nutrólogo Mohamad Barakat, especialista em fisiologia do exercício pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e responsável pela gestão do programa de condicionamento físico da artista após a gravidez.

“Mulheres que se exercitam regularmente, antes e durante a gestação, têm mais facilidade para recuperar a boa forma após o parto. Não é mágica, é comportamento adequado”, afirma Alexandre Pupo, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Antes de engravidar, Jaque frequentava a academia de três a cinco vezes por semana. E foi durante esses treinos que ela desconfiou da chegada do bebê. “Comecei a ficar muito indisposta e, às vezes, sentia tontura, mas ainda nem imaginava que poderia estar grávida”, conta ela. Por causa desses sintomas, a ex-BBB, ao confirmar a gestação, foi aconselhada a se afastar dos exercícios físicos durante o primeiro trimestre da gestação.

Contudo, não havendo contraindicação médica, a prática de atividade física pode ser mantida durante o restante da gravidez, com a frequência média de duas a três vezes por semana. “Os exercícios são extremamente importantes para a gestante, pois ajudam a controlar o nível de açúcar no sangue, prevenindo o diabetes gestacional. Também contribuem para a manutenção dos níveis da pressão arterial dentro dos padrões normais, diminuindo a propensão ao aparecimento da doença hipertensiva específica da gestação”, declara Alberto D’auria, obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, também na capital paulista.

A prática regular de atividade física ainda traz outros importantes benefícios: fortalece a musculatura da pelve, deixando-a bem preparada para o parto normal, diminui a probabilidade de ganho excessivo de peso e contribui para o equilíbrio emocional, por causa do aumento da liberação de endorfina, uma substância que provoca sensação de bem-estar.

No entanto, as futuras mães devem ter cautela na hora de escolher o exercício. Segundo Pupo, até a 20ª semana de gravidez, são permitidas atividades que não exijam tanto equilíbrio, já que ele fica comprometido pelo ganho de peso. Exercícios de altos impacto e intensidade também devem ser evitados. A partir dessa fase, hidroginástica e outras modalidades dentro da água são mais indicadas.

“Nas primeiras semanas, costumo recomendar a caminhada, o jogging (prática em que o ritmo é mais rápido do que o da caminhada e mais lento do que o da corrida), e alguns exercícios de musculação. Depois desse período, o melhor é investir em modalidades aquáticas, que têm menor risco de quedas e ainda ajudam a aliviar o impacto nas costas, nos joelhos, no quadril e nos tornozelos da gestante”, diz Pupo.

Jaque seguiu à risca essas recomendações. Assim que teve a liberação de seu médico, no segundo trimestre, iniciou um programa de exercícios específico para gestantes. “Comecei mesclando 40 minutos de exercícios localizados com 40 minutos de exercícios na piscina. Ficava mais disposta e feliz, menos inchada e não sentia tantas dores nas costas. Até o Gael mexia mais dentro da minha barriga quando eu estava dentro da água. Era delicioso”, fala. Quando o ganho de peso começou a refletir na coluna, causando dores na lombar, a atriz iniciou aulas de hidroginástica, modalidade que praticou até poucos dias antes de o bebê nascer.

Segundo Eduardo Zlotnik, ginecologista e obstetra do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, os exercícios só devem ser interrompidos de imediato caso a gestante comece a sentir dores ou se apresentar sangramento. Se a gravidez prosseguir sem problemas, a mulher pode continuar se exercitando enquanto se sentir confortável.

“Vamos diminuindo a intensidade dos treinos conforme a data do parto se aproxima. Fica impossível manter a movimentação em intensidade elevada quando o centro de gravidade e a postura da grávida já estão totalmente modificados”, afirma Gizele Monteiro, personal gestante e diretora do programa Mais Vida Gestantes.

Depois do parto

Após a chegada do bebê, as mães podem voltar à ativa em um prazo de cerca de 40 dias. Durante esse período, conhecido como quarentena, o organismo feminino está voltando à sua condição normal e ainda está se adaptando à produção de leite, alimento que é essencial ao bebê.

“Depois de 40 dias, a produção de leite se estabiliza e a atividade física moderada pode ser liberada”, afirma o ginecologista Alexandre Pupo. Caso a mãe volte antes do indicado, o leite pode secar, já que o organismo consumiria grande parte das calorias e dos nutrientes necessários para a produção do alimento do bebê durante a execução do treino, conforme explica o especialista

Jaque teve Gael em um parto cesariana e ficou 70 dias afastada dos exercícios. Após a pausa, voltou aos poucos, com a ajuda de Fabio Aquino, personal trainer da equipe de especialistas que trabalha sob a orientação de Mohamad Barakat. “Eliminei os primeiros dez quilos na maternidade, quando o bebê nasceu. Os outros cinco eram inchaço, e perdi naturalmente. Sequei os demais com muito treino e uma boa alimentação", afirma a atriz.

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