Infância

Bicho de estimação faz muito bem à criança, mas adulto é quem cuida

Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

Seu filho pede insistentemente por um bicho de estimação e você está adiando a decisão de comprar ou adotar um, com a justificativa de que está à espera de que ele tenha capacidade de assumir os cuidados? Saiba que a responsabilidade sobre o animal, até que a criança cresça, será sua, mas os ganhos dessa convivência serão de toda a família.

“Estar preparado para ter um animal é coisa de adulto, não de criança”, afirma o veterinário Lauro Lantzman e professor de psicobiologia do Centro de Ciências Humanas e da Saúde, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Segundo o especialista, não há como preparar uma criança para ter um animal. “Só se aprende a lidar convivendo, e é o adulto quem vai dirigir esse aprendizado. Pode-se dizer para a criança que o bicho é dela, mas o adulto é o dono, o responsável por criar".

O que se pode fazer é avaliar alguns aspectos antes de escolher quem será o novo habitante da casa, como o comportamento e a personalidade da criança, a situação econômica da família (pois cuidar de um animal implica em gastos), o espaço disponível para o bicho, entre outros.

A idade certa

Segundo a pediatra Sonia Baldini, secretária do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, o ideal é aguardar o filho fazer um ano para pensar em ter um bicho de estimação, pois a chegada do próprio bebê muda muito a rotina da casa. “A não ser que a família já tenha um animal, aí é preciso dar bastante carinho a ele para amenizar o ciúme que possa sentir e fazer com que aceite a criança”, fala.

A partir de três anos, a criança pode ser envolvida nos cuidados com a mascote, sempre acompanhada por um adulto. Mas, somente a partir dos 12 anos, em geral, é que se pode delegar a maioria das tarefas importantes, como alimentar e dar banho.

A supervisão dos adultos também é importante nos momentos de brincadeira entre criança e bicho. “Os riscos de elas se machucarem ou machucarem os animais são os mesmos que existem se deixarmos dois irmãos brincando sozinhos. É preciso ensinar a criança a não fazer movimentos bruscos, a não puxar orelhas e rabo, a ser carinhosa e a ter cuidado”, fala a veterinária Gabriela Toledo, mãe de Gabriel e que tem em casa oito gatos e seis cães.

Adoção e aprendizado

Sonia, que defende a adoção de animais, lembra aos pais que os animais adultos podem ser uma boa alternativa na hora de escolher um bicho de estimação para a criança, já que, em geral, são mais tranquilos do que os filhotes.

E não são apenas cachorros e gatos que podem conviver pacificamente com a garotada. “Para crianças a partir dos três anos, todos os animais comuns podem ser adotados: pássaros, cachorros, gatos, peixes, tartarugas, roedores”, diz.

Independentemente da idade, segundo  a pediatra, o convívio com o bicho é sempre muito rico para o aprendizado da criança. “É possível ensinar a cuidar e a respeitar outro ser vivo e a lidar com sentimentos, como frustração, quando o animal não obedece, ou tristeza, quando ele fica doente, por exemplo. Além disso, a convivência com os animais estimula o sistema imunológico, diminuindo a chance de alergias”, afirma a pediatra.

A veterinária Gabriela Toledo concorda com a pediatra e acrescenta: “Há estudos apontando que crianças que convivem com animais têm menos chances de desenvolverem problemas respiratórios”. Ela cita pesquisa realizada com 397 crianças pela Universidade da Finlândia Oriental, divulgada na revista “Pediatrics”, em 2012, mostrando que as crianças que conviveram com cães apresentavam menos problemas de infecções respiratórias, no primeiro ano de vida, do que aquelas que não tiveram contato com animais.

Para os pais que ainda têm dúvidas em ter um animal de estimação, Gabriela dá um conselho: “adote um cão ou um gato. Sua vida vai mudar e para melhor. Mas assuma a responsabilidade pelo animal como se fosse outro filho, e não se iluda achando que a criança cuidará do bicho. Ela vai apenas brincar e interagir com ele, o que não tem dinheiro nenhum que pague”.

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