Infância

Aulas de tecnologia ganham espaço e importância nas escolas

Getty Images
A tecnologia tem de ser mais um recurso para a criança na escola, mas não o único imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

No próximo ano, em nove estados norte-americanos, a ciência da computação deixará de ser uma matéria eletiva e terá o mesmo valor de matemática e ciências. O que significa que 30 distritos escolares dos Estados Unidos terão aulas de codificação de computadores para turmas de ensino médio e fundamental.

No Brasil, a onda tecnológica também está adentrando as escolas com força. É cada vez maior o número de salas de aula com computadores dividindo espaço com cadernos e livros, e crescente a oferta de cursos extracurriculares. Ao mesmo tempo, muitos pais se sentem perdidos em meio a tanta informação nova e têm dúvidas sobre a real validade desse tipo de conhecimento.

Será modismo ou realmente as crianças nascidas nesse início do século 21 precisam aprender a lidar cada vez mais com computadores, não só como usuárias, como também no papel de desenvolvedoras de conteúdo?

As famílias também temem que o mundo high-tech engula as crianças e os jovens a ponto de eles não se interessarem mais por outros assuntos, como esportes. E mais: quem não fica com um pé atrás quando o filho passa horas navegando na internet: será que ele está seguro ou corre o risco de entrar em contato com pessoas más intencionadas?

Atentas às novas tendências e, ao mesmo tempo, alinhadas às questões apresentadas pelos pais, diversas instituições de ensino estão oferecendo cursos que ensinam a garotada a criar aplicativos e games, por exemplo.

“É uma forma de ensinarmos mais uma linguagem para os alunos e também como eles devem se comportar no ambiente digital com segurança e responsabilidade”, afirma Renata Pastore, diretora de tecnologia educacional do Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo.

Na escola, os alunos têm contato com tecnologia na sala de aula a partir dos dois anos para trabalhar com conteúdos curriculares tradicionais. Depois, do terceiro ano do ensino fundamental em diante, são oferecidos cursos não obrigatórios, como oficinas de games, robótica e de lógica de programação em “Scratch” (uma nova linguagem gráfica que permite criar animações e jogos, dentre outros produtos).

Renata diz que todos são ministrados por professores especialistas da própria escola e que a adesão atualmente é de cerca de 10% dos matriculados totais. “Não tratamos isso como modismo. São oficinas como tantas outras que temos, como as de esportes e artes. O papel da escola é oferecer e dar subsídios para os alunos escolherem a que querem se dedicar, sempre levando em conta que ter tempo livre é fundamental.”

Mas, em meio a tantas novidades e boas intenções, muitos educadores alertam que os pais devem ficar atentos a alguns pontos básicos antes de liberarem os filhos para esse tipo de aprendizagem.

Maria Virgínia Gastaldi, mestre em educação e formadora do Instituto Avisa Lá, ONG de São Paulo destinada à formação continuada de educadores, recomenda conhecer o trabalho das escolas para se assegurar de que a tecnologia é uma das possibilidades, entre tantas outras, que as crianças têm direito a conhecer e experimentar. O importante é que ela esteja incorporada ao trabalho de forma a ser mais um recurso disponível para a construção de sentidos e significados sobre o mundo.

Escolas especializadas

Além das escolas regulares investirem no tema, estão surgindo as especializadas no assunto. Na Dragonbyte Escola de Criação Digital, em São Paulo, criada há cerca de cinco meses, crianças de oito a 14 anos aprendem não só a linguagem de programação, mas também a pensar no enredo, cenário e personagens de jogos, entre outras aplicações, que eles mesmos inventam e desenvolvem.

A missão dos professores é fazer com que os alunos usem a tecnologia como viabilizadora de seus projetos. “Temos um curso relacionado à moda, que possibilita criar a própria estampa e, em breve, ofereceremos aulas de animação 3D”, diz Gislene Silveira, fundadora e coordenadora da empresa. Para ela, o importante é aprender a dominar a tecnologia para se expressar e intervir no mundo.

“Os cursos também despertam vocações e alavancam o potencial de alguns. As crianças chegam eufóricas porque vão poder mexer em computadores. Então, por que não usar essa energia para ativar a economia criativa, o potencial de trabalho no futuro?”, fala. Na opinião de Renata, investir nesse tipo de educação para as crianças desenvolve habilidades empreendedoras como criatividade, criticidade, autonomia e espírito inovador.

Topo