Gestação

Wanessa teve parto normal, após primeiro filho nascer por cesárea

Manuela Scarpa e Marcos Ribas/Photo Rio News
Wanessa teve José Marcus (no colo) por cesárea; seu caçula nasceu de parto normal imagem: Manuela Scarpa e Marcos Ribas/Photo Rio News

Pamela Marul

Do UOL, em São Paulo

Ao contrário do que se ouve em muitos consultórios médicos, é possível ter um parto normal após uma cesárea. Foi com isso em mente que a cantora Wanessa Camargo conduziu a gestação de João Francisco, seu segundo filho, nascido em junho deste ano.

“Meu sonho sempre foi ter parto normal, tentei ter o José Marcus (seu primogênito) assim de todas as maneiras, mas o médico disse que não dava para esperar, que ele já estava em sofrimento e eu não quis arriscar”, fala a cantora. Quando se viu grávida de novo, ela conta que trocou de médico. “Fui atrás de um especialista favorável ao parto normal, e ele falou que era possível sim.”

“O parto normal após a cesariana somente estará contraindicado se houver uma situação plenamente justificada na qual a cirurgia represente um menor risco para mãe e filho do que o parto vaginal”, afirma a obstetra Mônica Resende, do Hospital e Maternidade São Luiz, de São Paulo.

Até chegar a essa informação, é frequente que a mulher tenha de peregrinar de consultório em consultório até encontrar um obstetra que apoie seu desejo de ter um parto natural. É resistente a cultura de que uma vez tendo feito uma cesariana, as demais gravidezes resultarão em nascimentos por meio da cirurgia.

Casos como o de Wanessa acontecem com frequência. A dentista Thais Jorge passou por uma história semelhante. “No nascimento da Catharina, minha primeira filha, achei que minha médica, que cuidava de mim desde a adolescência, me conduziria ao melhor processo para dar à luz. Quando chegou perto do parto, ela falou que a minha bacia tinha um ângulo desfavorável para o parto natural e por isso teríamos de marcar a data para a bebê nascer. Ela foi categórica ao afirmar que não seria possível parto normal”, conta.

Grávida do segundo filho, Thais decidiu se informar e buscar o parto que considerava ideal. “Eu me informei mais e procurei outro médico. Fui em muitos que compartilhavam do mesmo discurso de que, após uma cesárea, não poderia ser normal. Quando conheci um pouco mais sobre parto humanizado, encontrei uma especialista que aceitou que eu entrasse em trabalho de parto e que conduziria para um parto normal”, diz.

Reinaldo Canato/UOL
A dentista Thais Jorge e os filhos, Pedro e Catharina imagem: Reinaldo Canato/UOL

Muitos médicos alertam as mulheres que desejam parto natural após cesárea do risco de uma rotura uterina, que é o rompimento lento e progressivo (total ou parcial) das paredes do útero, e até usam isso como justificativa para não realizar o parto. “Esse risco não passa de 1%. Ou seja, um caso a cada cem”, afirma o médico Marcelo Burlá, presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com Mônica Resende, existe restrição para o parto normal após duas cesáreas, pois aumenta a incidência de inserção baixa de placenta ou placenta prévia, que ocorre quando há fixação da placenta na parte baixa do útero, perto do colo. O problema eleva o risco de sangramentos durante a gestação.

“Trata-se de uma ocorrência contornável, se detectada cedo, mas, sem os cuidados adequados, pode causar a morte do bebê”, diz a especialista.

Cuidados extra

Por mais que seja possível realizar o parto vaginal, é preciso tomar algumas precauções. É recomendado aguardar, pelo menos, dois anos entre a cesárea e o parto normal, assim se garante que a cicatriz tenha resistência suficiente para que o nascimento ocorra em segurança.

O motivo que levou à cesariana também deve ser considerado. “Algumas situações são indicação absoluta de cesárea, como os vícios pélvicos, que acontecem quando a criança tem tamanho normal, porém a bacia óssea da mãe não tem a abertura necessária ou apresenta alguma deformidade que impeça a passagem do bebê”, diz o obstetra Marcelo Burlá.

O médico alerta que, durante o trabalho de parto, é importante acompanhar a eficácia das contrações, já que a cicatriz da cesárea altera a maneira como elas acontecem. Ele ainda aconselha evitar usar ocitocina, substância que ajuda a melhorar a qualidade das contrações uterinas.

“É aconselhável não utilizar. Quando usada, deve ter um acompanhamento rigoroso, porque ela intensifica a atividade uterina, aumentando os riscos de colapso muscular.”

Recuperação pós-parto

Toda a caminhada para conseguir realizar o sonho do parto normal após uma cesárea é regada com emoção e vantagens na hora da recuperação pós-parto. “Minha recuperação foi imediata, meu leite desceu mais rápido e me senti a mulher-maravilha por ser capaz de parir aquele ser que conviveu comigo por tanto tempo”, conta Thais, relembrando a emoção do momento.

“Meu trabalho de parto durou 12 horas e foi tudo conduzido com muito amor, naturalidade, respeito e carinho. Pedro nasceu sem nenhuma intervenção nem anestesia. Foi um momento inesquecível para toda a família.”

Wanessa também viveu a experiência de forma intensa, cercada pela família. “Fiquei 22 horas em trabalho de parto. Estava ouvindo música, minha irmã me acompanhou, ela e meu marido me faziam massagem. Foi cansativo fisicamente, mas foi tão incrível, lindo, que eu faria tudo de novo” relembra.

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