Bebês

Após campanha, Pedrinho tenta transplante de intestino em Miami

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A mãe, Aline, com Pedrinho; o menino nunca saiu do hospital desde que nasceu imagem: Reprodução/Facebook

Priscila Tieppo

Do UOL, em São Paulo

Depois de arrecadar cerca de R$ 3 milhões em doações, contando com o voo executivo que o levará para Miami, Pedro da Lavra Baragão, o Pedrinho, 1 ano, viaja para os Estados Unidos neste domingo (12), Dia da Criança, para se submeter a um transplante de intestino.

Pedrinho nasceu com uma doença rara chamada síndrome do intestino curto. Ao nascer, ele pesava 2,425 kg, media 44 cm, mas não tinha o intestino delgado. O problema foi constatado ainda na gestação, mas, apesar de se saber que havia algo errado no abdome de Pedrinho, era preciso esperar que ele nascesse para se realizarem exames.

O garoto nasceu com 36 semanas, prematuro tardio (normalmente, uma gestação completa dura de 40 a 42 semanas), foi para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na maternidade Pro Matre, em São Paulo, e com cinco dias passou por uma cirurgia. Desde seu nascimento, ele vive no hospital.

“O médico descobriu que ele teve uma má formação uterina e que o intestino estava necrosado. Ele não tinha o intestino delgado. Aquele foi o pior dia da minha vida. Nunca tinha ouvido falar que isso pudesse acontecer”, conta Aline da Lavra, 35 anos, mãe de Pedrinho.

O intestino delgado é o órgão responsável pela absorção dos nutrientes provenientes dos alimentos. Uenis Tannuri, chefe da Cirurgia Pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, cuidou de Pedrinho quando ele estava na Pro Matre e explica que, em casos como o dele, a alimentação precisa ser intravenosa, ou seja, por meio de cateter na veia.

“Não é possível se alimentar pela boca por conta dos nutrientes. Como ele não tem nada de intestino delgado, se for pela boca, apenas entra e sai, não há absorção do que é importante para o crescimento dele”, afirma o especialista.

Uenis Tannuri diz que muitas crianças conseguem sobreviver com esse tipo de alimentação, que pode ser feita em casa quando autorizada pelo médico, mas é um tratamento para a vida toda.

Uma esperança

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Aline no hospital com Pedrinho imagem: Reprodução/Facebook
Depois do desolamento diante da notícia, Aline procurou informações sobre a doença, entrou em contato com pais que passavam pela mesma situação e decidiu, assim que o filho foi transferido para o hospital infantil Sabará, também na capital paulista, que buscaria a ajuda de um médico gastroenterologista especializado em intestino. 

“Ele testou algumas alternativas para o caso do Pedrinho, como colocar válvulas para a alimentação, mas ele não evoluiu com o tratamento. Foi então que o médico disse que o recomendado era fazer uma cirurgia”, fala a mãe.

A intervenção cirúrgica para um transplante de intestino não é feita aqui no Brasil. “É uma operação complexa, muito delicada, e é difícil ter um doador cadáver compatível com a criança. Aqui no hospital das Clínicas ainda estamos estudando esse tipo de operação”, afirma Tannuri.

Aline, então, soube que, nos Estados Unidos, esse tipo de cirurgia poderia ser feita. Ao saber do custo, em torno de R$ 2 milhões, pensou em fazer uma campanha para arrecadar o dinheiro. Em Miami, o médico brasileiro Rodrigo Vianna será o responsável pelo procedimento.

“No começo, foi tudo muito caseiro, eram amigos e parentes ajudando. Depois, começaram os eventos em prol do Pedrinho, leilões, bingos, bazares, e fomos para as redes sociais. Já recebi até cartas de crianças com moedas. É emocionante”, diz Aline sobre a mobilização que começou em maio.

Para ajudar, o site Tecla F resolveu criar um "crowdfunding" (financiamento coletivo na internet) para a biografia do Pedrinho.

“É muito comum vermos essas campanhas para obras literárias, mas nunca de uma obra em branco. O Pedrinho não ter o direito de viver grandes histórias, como eu e o Bruno [Lima, sócio do site] já vivemos juntos me incomodava muito”, conta Thiago Hassu, sócio do Tecla F.

A verba

Parte do valor da cirurgia precisa ser adiantado para que o menino possa entrar na fila de transplante e ter seu procedimento pré-agendado. Além disso, existem os custos para a família se manter no país até ser concluído todo o tratamento. Aline calcula que o período em solo americano deva ser de dois anos. “Depois que ele conseguir o transplante, o pós-operatório é muito importante”, diz.

Pedrinho ainda aguarda por um doador para realizar a cirurgia. A princípio, ao chegar na cidade americana, fará exames no hospital Jackson Memorial, em Miami. A mãe promete contar novidades no Facebook da campanha e pede para que as doações continuem para manter a família por lá. Ela embarca acompanhada dos pais e do irmão, que vai ajudar na comunicação em inglês. O pai de Pedrinho, Roger Baragão, fica no Brasil cuidando da campanha por aqui.

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