Gestação

Dar banho no bebê logo que ele nasce é dispensável; entenda

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Há práticas, como dar banho na criança logo após o nascimento, que podem ser adiadas imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

Nem tudo o que é feito em uma sala de parto é tão necessário ou imprescindível quanto parece. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o parto é um evento fisiológico e sempre deve haver uma razão que justifique uma intervenção durante o nascimento de um bebê. Porém, a maioria dos nascimentos no Brasil é recheada de protocolos médicos sem evidências científicas que os comprovem.

Há práticas questionáveis, como dar banho na criança logo que ela nasce, que podem ser dispensadas ou adiadas a pedido dos pais, com o consentimento do obstetra e do pediatra.

“Antigos paradigmas estão sendo substituídos por medidas apoiadas em critérios científicos rigorosos e conhecidas atualmente com o título de ‘medicina baseada em evidências’”, diz Claudio Basbaum, especialista em ginecologia e obstetrícia, diretor técnico da clínica Pro-Matrix e membro do corpo clínico do Hospital e Maternidade São Luiz-D'Or, ambas em São Paulo.

Confira a seguir quais são os procedimentos dispensáveis. Para não realizar alguns deles, é preciso que os pais assinem um termo de responsabilidade junto ao hospital ao optarem por sua não realização.

1 - Aplicação de colírio de nitrato de prata

Se os exames para gonorreia e clamídia da mãe derem negativo, é possível dispensá-lo. Ele é usado em parto normal (jamais em cesáreas, já que o bebê não passa pelo canal vaginal), se a mulher tiver uma dessas doenças, para evitar conjuntivites graves no bebê causadas pela bactéria Neisseria Gonorrheae e pela bactéria Chlamydia Trachomatis. É importante que o produto não seja usado desnecessariamente porque pode provocar conjuntivite química na criança.

2 – Aspiração

Esse procedimento não deve ser realizado em todos os bebês. É obrigatório somente quando for necessário fazer a chamada ventilação por pressão positiva, ou seja, quando é o caso de reanimar a criança porque ela não está conseguindo respirar por si mesma.

3 - Injeção de vitamina K

A substância tem por finalidade prevenir hemorragia neonatal e é aplicada, geralmente, por via intramuscular no berçário. Porém, é possível fazer a aplicação oral em casa, para poupar o recém-nascido da dor provocada pela injeção. Segundo documento da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), para administração oral, é preciso dar uma dose de 2 mg no primeiro dia de vida da criança e repetir o procedimento quando ela completar uma semana de vida.

4 - Teste do pezinho

Melhor coletar o sangue do bebê depois das 48 horas do parto e até 30 dias depois do nascimento para evitar que os resultados acusem falsos positivos, comuns quando o exame é realizado logo que a criança nasce. O teste é realizado antes desse período nos hospitais para que ninguém deixe de fazê-lo.

5 - Banho logo após o nascimento

A água usada para lavar a pele da criança retira o vérnix caseoso, uma substância gordurosa esbranquiçada que recobre o corpo do bebê e que costuma desaparecer após 24 horas.

Normalmente, as crianças são banhadas antes de serem entregues aos pais apenas para terem um aspecto mais agradável. O primeiro banho deve ser adiado até que a respiração esteja estabilizada e a temperatura corporal em torno de 36,7º C, o que ocorre entre três ou quatro horas após o parto.

A manutenção da barreira protetora da pele logo após o nascimento é válida para proporcionar uma boa adaptação da criança fora do útero, como também para a termorregulação. Além do mais, essa substância tem ação antibacteriana. Porém, após as primeiras 24 horas de vida, a retirada do vernix é recomendada para evitar infecções e alergias causadas pela alta umidade. Somente em alguns casos a remoção tem de ser realizada logo após o nascimento, como no caso de filhos de mães com HIV.

Fontes: Ana Garbulho, obstetriz, doula, consultora de aleitamento materno e autora do site Primeiros Dias; Carolina Hofmeister, médica ginecologista e obstetra responsável pelo curso Preparando o Ninho, da Escola de Pais do Mamusca, em São Paulo, e Claudio Basbaum, especialista em ginecologia e obstetrícia, diretor técnico da clínica Pro-Matrix e membro do corpo clínico do Hospital e Maternidade São Luiz-D'Or, ambas em São Paulo.

 

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