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Conheça o que há de novo para tratar a cólica dos bebês

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Antes de medicar o bebê, os pais devem avaliar o quanto as cólicas incomodam a família imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

Lactobacilus reuteris DSM17938 é o nome do que há de mais moderno para tratar cólicas, mal que faz recém-nascidos e bebês até por volta dos três meses sentirem dores e chorarem por horas, sem consolo. Trata-se de um probiótico, segundo explica Melissa Ramos Morais, pediatra nutróloga da clínica Casa Curumim, em São Paulo.

"Esse micoorganismo vivo age no intestino diminuíndo o crescimento de outras bactérias prejudiciais à saúde e, com isso, ajuda a melhorar o funcionamento do intestino, tratando, consequentemente a cólica infantil". 

Ainda não se sabe com exatidão porque o Lactobacilus reuteris DSM17938 funciona. Melissa diz que há duas hipóteses: ele reduz a produção de gases e diminui os movimentos peristálticos no corpo da criança. 

De acordo com Mauro Batista de Morais, professor de gastroenterologia pediátrica da Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), estudos realizados na Itália, Canadá, Polônia e outros países mostram que os bebês que foram medicados com esse lactobacilo choravam menos durante uma crise de cólica em relação aos do grupo que tomou placebo.

O lactobacilo em questão é uma alternativa para o uso de remédios com dimeticona, prescritos por alguns pediatras para que o bebê consiga eliminar com mais facilidade os gases que provocam as cólicas. "Porém, não existe demonstração científica que a substância reduza os gases realmente", diz a pediatra. Apesar disso,  por não causar efeitos colaterais, muitos pais ficam mais tranquilos ao administrá-la aos filhos, ainda que o resultado não seja o esperado. "Eles ficam mais calmos, e isso, às vezes, ajuda a serenar a criança também", conta Melissa. 

O Lactobacilus reuteris DSM17938 deve ser prescrito pelo pediatra após uma avaliação do quadro apresentado pela criança. A cólica intestinal deve ser encarada como normal em crianças pequenas. "É um processo natural do corpo humano, já que o tubo gastrointestinal dos bebês é imaturo e precisa de um tempo para funcionar bem, sem provocar dores", diz Monica Picchi, neonatologista e pediatra no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Em conversa com o pediatra, os pais devem avaliar o quanto as dores incomodam eles e o filho. Com base nisso, alguns médicos nem chegam a indicar medicamentos para tratar o problema. Preferem dar tempo ao tempo e recomendam que a família recorra a procedimentos como o uso de bolsas térmicas sobre a barriga.

"Também é indicado fazer massagens na área e movimentar as pernas do bebê, dobrando os joelhos em direção ao tronco. Essas manobras colaboram para a liberação de gases", explica Alexandre Funcia de Azeredo Silva, pediatra da clínica Casa Curumim, em São Paulo. Outras dicas dos médicos são: deitar a criança de bruços sobre o antebraço e dar um banho morno no ofurô ou balde para bebês --às vezes, o resultado é tão bom que o bebê chega a evacuar na água.

Além da imaturidade do organismo infantil, outros fatores podem provocar cólicas. "Por isso, uma única escolha de tratamento pode não ser eficaz", diz Melissa. A médica fala que é necessário avaliar bem o bebê, conhecer a história detalhada da cólica (como duração e os tratamentos anteriores com e sem sucesso), observar e corrigir a mamada, seja do leite materno ou da fórmula, porque a criança pode engolir ar ao sugar o leite.

Rever a dieta da mãe também pode ajudar, já que grãos, leite de vaca e derivados, por exemplo, podem desencadear o problema pois passam para o leite materno. Silva ainda ressalta que os pais devem ficar bem atentos ao choro do bebê que julgam ser sinal de cólica. "Não raro, a criança está chorando porque tem fome. Basta oferecer o peito", finaliza. 

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