Bebês

Afeto e estímulos no dia a dia fazem bebê se desenvolver melhor

Fernanda Carpegiani

Do UOL, em São Paulo

Seu filho pode ter apenas três meses de idade, mas, enquanto você lê uma história ou conversa com ele, bilhões de neurônios estão recebendo essas novas informações e preparando o terreno para tudo o que ele ainda vai aprender –nos próximos anos e durante o resto da vida.

"O bebê não nasce pronto, então precisa do contato com o ambiente para lapidar o cérebro e se tornar inteligente, principalmente nessa fase inicial, quando se forma toda a estrutura neurológica", afirma a neuropsicóloga e psicopedagoga Adriana Fóz, coordenadora do Projeto Cuca Legal, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Até por volta dos três anos, a criança passa por um período crítico e decisivo de formação das habilidades, em que ela tem um potencial de desenvolvimento maior. É o que os especialistas chamam de janela de oportunidade. "Há momentos em que serão ativados determinados circuitos neuronais, e o circuito que não for ativado não vai funcionar plenamente depois", fala o neuropediatra Rubens Wajnsztejn, secretário-geral da SBNI (Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil).

De modo geral, todas as crianças vão aprender a andar, falar e a se relacionar, cada uma ao seu tempo, mas o processo será mais rápido e eficiente se houver contato com os estímulos corretos.

Com um ano, seu filho não está preparado ainda para ler e escrever, mas já pode e deve receber informações preciosas que vão ajudá-lo, mais tarde, na aquisição da linguagem. Isso porque a capacidade de absorver e entender determinadas informações vai mudando ao longo da vida.
"Tudo o que é novidade é um estímulo. Fazer cócegas no pé, deixar o bebê pisar na terra e na areia, oferecer diferentes sons, todas essas coisas ajudam na organização do cérebro", afirma o pediatra Luiz Guilherme Florence, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

É importante saber a hora certa de apresentar cada novidade para a criança, sem deixar de respeitar o ritmo e o limite de cada faixa etária. "Para que ela dê conta de decodificar as novas informações, a estimulação deve ser suave. Não adianta hiperestimular indiscriminadamente, é preciso oferecer estímulos com um objetivo, um foco", declara Rubens Wajnsztejn. Ou seja, tudo com equilíbrio e tranquilidade.

O afeto também é importante e representa um dos maiores estímulos que os pais podem dar. "O desenvolvimento emocional afeta o desenvolvimento cognitivo, e ambos são bem maleáveis durante os primeiros anos de vida", diz Adriana Fóz. Amor, carinho e atenção são a chave para seu filho crescer bem e aproveitar o máximo de cada fase de aprendizado.

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