Gestação

Mãe deve dar espaço e valorizar a forma como o pai cuida do bebê

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Ter o pai e a mãe se alternando nos cuidados torna o bebê mais seguro imagem: Getty Images

Marina Oliveira e Maísa Correia

Do UOL, em São Paulo

Após o parto, a mulher entra em um processo chamado de identificação primária e vai ficando cada vez mais sensível às necessidades do filho. O processo é tão intenso que muitas mães também se mostram apreensivas e resistem a deixar o bebê aos cuidados de outras pessoas, ainda que a oferta de apoio venha do pai da criança.

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“Boa parte da insegurança materna é fruto do desejo de prosseguir sentindo-se indispensável para esse ser pequenino, tão amado”, declara a psicopedagoga Irene Maluf, conselheira da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia). Mas a participação paterna é tão importante para o bebê quanto para a mãe que, menos sobrecarregada, pode aproveitar melhor esse novo estágio da vida em família.

 

“O pai tem um papel específico e importante nesse primeiro momento de vida de seu filho, que consiste em sustentar emocionalmente a mulher”, diz a psicóloga Ana Paula Magosso, pesquisadora do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade da USP (Universidade de São Paulo).

O desgaste físico do pós-parto soma-se ao cansaço ocasionado pelos cuidados constantes com o bebê. É o suficiente para que a mãe acabe se esquecendo de si mesma, do marido e do resto da família. Aos poucos, essa situação pode se tornar estressante demais. Resultado: a disposição cai e os relacionamentos –com o bebê e o parceiro– ficam altamente prejudicados.

Fora isso, a volta ao trabalho é uma realidade para a maioria das mulheres. E o processo de retomada da vida profissional será mais fácil à medida que a mãe perceber que pode contar com uma rede de apoio, com pessoas que saberão cuidar do bebê quando ela precisar se ausentar, incluindo o pai.

“Se o bebê se acostuma com os pais cuidando alternadamente dele, além de se sentir mais seguro, terá melhor qualidade de vida, principalmente no que diz respeito aos aspectos emocionais”, diz Irene.

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Para colher os benefícios para si e para o bebê, o primeiro passo é a mãe adquirir consciência dos próprios limites e valorizar a capacidade do pai –mesmo o de primeira viagem– de oferecer todo tipo de cuidado e atenção necessários à criança.

“Agora, se a mãe faz parecerem muito complicados os cuidados com o recém-nascido, não reconhece as habilidades do pai e ainda banca a supermãe, nenhum homem em sã consciência vai se aventurar a participar desse momento”, diz a psicopedagoga Irena.

Nesse caso, os prejuízos serão significativos, de acordo com a profissional. “Perde-se a possibilidade de estreitamento de vínculo entre pai e filho; a oportunidade de o casal desenvolver cuidados familiares juntos, o que fortalece a relação a dois; e a melhoria do equilíbrio emocional da mulher, como pessoa, mulher e mãe.”

Divisão de tarefas

Evitar tantas consequências negativas é possível, mas, para isso, é fundamental que o casal se acostume a dividir todas as experiências relacionadas ao filho, desde a gestação. Já nessa fase é importante que os futuros pais conversem a respeito de suas expectativas, medos e das mudanças que a criança vai trazer à rotina do casal.

“Discutir as necessidades do bebê, como pretendem se organizar para supri-las e qual a disponibilidade emocional e prática de cada um é essencial para garantir que o filho tenha bases sólidas para o seu desenvolvimento físico e psíquico”, diz Ana Paula Magosso.

O pai pode participar de todo o pré-natal, acompanhando a mulher em consultas sempre que possível e cuidando do bem-estar dela. “Delegar certas tarefas ao pai, antes mesmo do nascimento do bebê, como pintar o quarto ou montar algum móvel, é algo extremamente positivo. Iniciativas como essa contribuem para o desenvolvimento da paternidade e ajudam a aproximar ainda mais a família”, diz o psicólogo Tiago Lupoli, especializado em psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae.

Após o nascimento do bebê, o pai também pode auxiliar nas mais variadas tarefas, muito além da troca de roupa e de fralda. Ele pode dar banho, preparar o bebê para mamar, pode fazê-lo arrotar ou niná-lo quando acordar no meio da madrugada, poupando a mãe. “No início, a mulher pode acompanhar o pai nesses cuidados. Com o tempo e a partir da parceria e do diálogo, a insegurança materna tende a diminuir”, afirma Lupoli.

A principal recomendação é evitar críticas exacerbadas à maneira como o pai executa as suas tarefas de rotina. O homem aprenderá mais se a mulher dividir com ele as descobertas sobre o bebê e se indicar o que já percebeu que o filho gosta, por exemplo, o jeito de ser manipulado no banho ou na hora em que precisa conciliar o sono e não consegue.

“Todo mundo precisa de um modelo e de muito treino para adquirir autoconfiança em uma situação nova. E, nesse meio tempo, muitas fraldas ficarão mais ou menos mal colocadas. Mas se o ambiente entre os pais for afetuoso e a criança receber atenção e carinho, ela certamente não terá do que reclamar”, diz Irene Maluf.

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