Adolescência

Para lidar com adolescente rebelde, é preciso afeto e insistência

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Para colocar limites no jovem, pai e mãe devem ter o mesmo discurso imagem: Getty Images

Fernanda Carpegiani

Do UOL, em São Paulo

Você quis ser o pai ou mãe legal e oferecer o máximo de liberdade ao seu filho, na esperança de que ele vivesse uma infância feliz e tranquila. Tudo correu bem até ele entrar na adolescência, quando seus comportamentos passaram a beirar a rebeldia: só faz o que quer na hora que quer. Assustado com essa postura repentina, você pensa: onde foi que errei? Dá tempo de reverter a situação?

Se o jovem sai de casa sem avisar, volta tarde e não cumpre os combinados, está sobrando liberdade e faltando limites bem definidos. Mas não se desespere, porque esse assunto é recorrente nas salas de psicólogos e terapeutas e, sim, tem solução. Só não vai ser fácil. "É como mudar as regras no meio do jogo. O adolescente não entende e tende a confrontar ainda mais os pais", afirma a psicóloga clínica Mariana Schwartzmann, especialista em adolescência pela Unicamp (Universidade de Campinas).

Saiba pedir ajuda

A psicóloga Ceres de Araújo, professora da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo e autora do livro "Pais que Educam – Uma Aventura Inesquecível" (Ed. Gente), diz que esse tipo de caso, quando os pais foram liberais demais e querem retomar o lugar de autoridade, só se resolve em consultório. "Os pais são modelos e precisam ser valorizados para serem respeitados. Quando não se coloca limites na infância, é muito complicado querer colocar na adolescência. É preciso buscar uma mediação e fazer acordos", fala.

A psicóloga Mariana, da Unicamp, discorda. "Nem sempre é questão de terapia. Na maioria dos casos, o trabalho é de orientação dos pais. É difícil, mas possível. O mais importante é o pai e a mãe trabalharem juntos. Discutirem fora da presença do jovem e trazer a decisão da dupla", diz. Do contrário, o adolescente fica sem referência e acaba pedindo sempre para quem disser sim, o que pode causar conflitos inclusive entre o casal.

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Por mais cansativo que seja (e de fato é), os pais precisam aprender a tolerar a revolta dos filhos, porque faz parte dessa fase do amadurecimento. "A adolescência é um salto que a criança dá em direção a ela mesma. Há um desprendimento das referências dos pais na busca de uma noção mais própria e individual de si. Isso gera conflito e angústia", declara a psicóloga Mafalda Janasievicz  Pepe, professora do curso de abordagem psicanalítica da adolescência do Instituto Sedes Sapientiae, que sugere uma postura de tolerância ativa. Aceitar que os conflitos vão existir sem deixar de oferecer as referências necessárias.

O primeiro passo é entender o que são limites e porque é tão importante estabelecê-los na fase de transição entre a infância e a vida adulta. Muitas vezes, os pais acreditam que o adolescente sabe se virar ou que não há mais tempo para retomar as rédeas da relação. "Limites são parâmetros, referências e medidas de proteção em relação a alguém que ainda está se formando e tem fragilidades. Sem uma presença firme dos pais, o adolescente fica abandonado à mercê da própria impulsividade", afirma a psicóloga Mafalda. Em outras palavras, dar limites não é cercar ou controlar, e sim proteger, amar e orientar. E é isso que você precisa dizer para o seu filho.

Devagar e sempre

Toda vez que precisar chamar a atenção do adolescente para um comportamento equivocado, use o discurso do afeto. Seja coerente e evite reações explosivas. "É um processo gradual e insistente, um dia após o outro. Não adianta entrar com dinamite, é preciso ter autoridade, sem ser autoritário e violento", diz Mafalda. Se você der um castigo muito severo, como um mês sem celular, depois vai se sentir culpado e voltar atrás da decisão, o que demonstra que os limites são flexíveis demais.

Seja objetivo e coloque os motivos reais dos limites: amor e preocupação. Explique que avisar aonde vai, com quem, que horas volta é uma questão de segurança, e que você precisa saber porque não quer que nada de ruim aconteça com ele. "Na adolescência não adianta impor, é preciso conversar, discutir pontos de vista, aceitar réplicas e dar direito a tréplicas", afirma a psicóloga Ceres de Araújo. O importante é sempre colocar que, por trás do pai chato que diz não, está o pai que ama e protege seu filho.

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