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Como blindar a pele do bebê contra sol, brotoeja e picada de inseto

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A partir dos seis meses, o bebê deve usar protetor solar e específico para criança imagem: Getty Images

Ana Castro

Do UOL, em São Paulo

Estação que convida a família a passar mais momentos ao ar livre, o verão é também o período do ano em que os pais têm de redobrar os cuidados com a pele do bebê. Sol em excesso, picadas de insetos e brotoeja (nome popular de miliária, uma inflamação da pele) são alguns dos possíveis problemas.

Segundo Dolival Lobão, chefe da seção de dermatologia do Inca (Instituto Nacional do Câncer), órgão do Ministério da Saúde, expor o bebê ao sol sem os devidos cuidados pode predispor ao câncer anos depois, já que o efeito da radiação no organismo é cumulativo. O especialista ainda atribui à exposição solar excessiva o risco de queimaduras agudas e o envelhecimento precoce.

A primeira e mais primordial recomendação aos adultos é sobre o horário de exposição. Mesmo o banho de sol –que deve durar cerca de 15 minutos e é necessário para que a criança sintetize a vitamina D, substância essencial para o desenvolvimento– deve ser evitado entre as 10h e as 16h.

Além da atenção com o relógio, é preciso proteger a criança. Os bebês abaixo de seis meses não devem utilizar protetor solar. Caso sejam expostos ao sol, precisam usar bonés e roupas e ficar embaixo de um guarda-sol. Atualmente, há no mercado uma oferta de roupas especiais, feitas com tecidos que já vêm com proteção solar, mas peças comuns mesmo servem como barreira mecânica para o sol.

A partir de seis meses, a criança pode usar protetor  solar.  No entanto, o dermatologista Wellington de Jesus Furlani, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), alerta que o produto tem de ser específico para uso infantil. “Os de adulto têm muita química e podem aumentar a chance de alergia.”

De acordo com Kerstin Abagge, presidente do Departamento de Dermatologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), os protetores específicos para bebês a partir de seis meses possuem uma formulação menos alergênica e formam uma proteção mais física e de barreira, do que química, como o de adulto.

Para evitar uma reação alérgica, Furlani recomenda que se faça um teste antes do uso. “É só passar uma pequena quantidade na criança, atrás da orelha, e aguardar umas três horas. Se não apresentou vermelhidão ou outra reação, pode-se usar o protetor solar tranquilamente.”

A aplicação do produto deve ser feita a cada duas horas, sempre quinze minutos antes da exposição solar, e os adultos não podem esquecer de aplicar o protetor em locais como orelhas, atrás dos joelhos e no dorso dos pés. No caso de bebês com pouco cabelo, deve-se passar na cabeça também.

Brotoeja e picadas

Além dos riscos da exposição ao sol, outro problema frequente no verão é o aparecimento da brotoeja, que se apresenta sob a forma de erupções na pele, que provocam coceira e queimação. Muitos pais pensam que se trata de uma espécie de alergia ao calor, mas, na verdade, é a obstrução dos dutos excretores das glândulas sudoríparas, o que impede a saída do suor.

Ambientes quentes e úmidos e o excesso de roupas podem ser a causa do problema. Aplicar óleos e hidratantes na pele do bebê também estão na lista de possíveis causadores dessa dermatite.

Para evitá-la, nos dias quentes, os adultos devem colocar roupas leves e deixar a criança mais à vontade. Segundo o dermatologista Wellington de Jesus Furlani, nos casos mais leves, o incômodo pode ser contornado com banhos mais frequentes e aplicação de pasta d'água e loção de calamina.

“Em casos mais graves, é preciso procurar um médico para que ele possa prescrever o medicamento mais adequado”, diz Furlani. Algumas vezes é necessário o uso de antibióticos e corticoides.

No verão, época de maior proliferação de insetos, as crianças também sofrem com as picadas, mesmo as que não apresentam alergia podem se machucar ao coçar o local. O mais importante para prevenir esse problema é também o mais difícil: evitar que os insetos entrem em contato com os bebês. Para isso, os pais devem usar proteção mecânica como roupas, mosquiteiros e telas.


De acordo com a pediatra Kerstin Abagge, os repelentes só podem ser usados depois dos seis meses. No Brasil há várias substâncias químicas liberadas para o uso em crianças, e os pais devem utilizar preferencialmente os produtos com apresentação loção cremosa.

“Algumas vezes, a administração oral de vitamina B1 pode auxiliar com o efeito repelente em crianças alérgicas a picadas de insetos, mas deve ser sempre orientada por um médico”, declara Kerstin. A aplicação do repelente deve ser nas áreas expostas e ser repetida pelos pais ou responsáveis a cada quatro horas.

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