Infância

Como checar a segurança do parque onde seu filho brinca

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Um parque sem manutenção adequada pode ser palco de acidentes como quedas imagem: Getty Images

Rita Trevisan e Suzel Tunes

Do UOL, em São Paulo

As quedas são a maior causa de hospitalização de crianças no Brasil. Em 2012, segundo o Ministério da Saúde, 75 mil crianças, de zero a nove anos, deram entrada em hospitais por causa de acidentes. Desse total, 36 mil, 48%, em razão de quedas. A partir dos dois anos, muitas dessas ocorrências se dão em playgrounds.

“Brinquedos inseguros ou instalados inadequadamente e a falta de atenção dos pais estão entre as principais causas desses acidentes”, afirma a pediatra Renata Waksman, secretária do Departamento de Segurança da Criança e Adolescente da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

Além de lesões causadas por quedas em pisos de concreto, nos parques, são comuns casos de crianças que sofrem queimaduras provocadas por metais expostos ao sol e machucados em função de arestas cortantes, farpas de madeira e pregos salientes.

A Rede Nacional Primeira Infância (que reúne entidades públicas e privadas de defesa dessa faixa etária), em parceria com a ONG Criança Segura (integrante da rede internacional Safe Kids), produziu um mapeamento dos acidentes ocorridos com crianças entre zero e nove anos, a partir dos dados do Ministério da Saúde.

O estudo constatou que, nos últimos cinco anos, as hospitalizações de crianças de zero a dois anos aumentaram 11%. “Mas boa parte dessas lesões poderiam ser evitadas com medidas de prevenção para garantir a segurança dos brinquedos e uma observação mais atenta dos adultos”, afirma Gabriela Guida de Freitas, coordenadora nacional da ONG.

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Manutenção

A ausência de manutenção é um dos principais problemas encontrados em brinquedos e áreas de lazer destinados a crianças.

“O brinquedo pode ter sido feito conforme as normas de segurança, mas, com o passar do tempo, acaba se deteriorando e, assim, poderá apresentar riscos. É preciso criar a cultura da manutenção. É como cuidar de um carro. É mais barato trocar uma peça do que comprar um novo”, afirma o arquiteto Fábio Namiki.

O profissional é o coordenador de uma comissão formada por fabricantes, fornecedores, laboratórios de testes e entidades, como a SBP, que, em 2012, revisou as normas para segurança de playgrounds da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). As diretrizes são válidas, porém de cumprimento não obrigatório, para áreas públicas de lazer (como praças e parques) e também para clubes, escolas, creches, bufês, condomínios, hotéis, entre outros espaços.

A nova norma –NBR 16.071– traz requisitos de segurança para a instalação dos parques e fabricação dos brinquedos, especificando as dimensões e materiais mais seguros e os cuidados com a manutenção dessas peças e áreas de lazer.

Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei (PL 138/2011), de autoria do deputado Weliton Prado (PT-MG), que obriga a aplicação das normas da ABNT. Mas não há previsão de quando esse projeto será votado e, caso seja aprovado, transformado em lei nacional.

Por enquanto, existem apenas iniciativas municipais, como uma lei, publicada em abril de 2014, pela prefeitura de Belo Horizonte (MG), que determina a fixação, em parques de diversões e bufês de recreação infantil, de placa informativa sobre manutenção, vistoria e riscos na utilização dos brinquedos.

Pais atentos

Mas não é apenas o estado dos brinquedos que deve ser observado pelos pais. A forma de utilização também, pois acidentes podem ocorrer devido ao comportamento inseguro das crianças. “Os adultos devem observar as crianças o tempo todo”, afirma a pediatra Renata Waksman.

Devem, por exemplo, orientar os filhos a segurarem firmemente, com as duas mãos, em todos os brinquedos, a não ficarem de pé ou de joelhos em equipamentos como balanço e gira-gira, a subirem no escorregador pela escada (e não pela rampa), a nunca escorregarem de bruços.

“Já vi crianças quebrando o braço por causa do impacto na descida”, declara o arquiteto Namiki. Além disso, vale evitar aglomerações nos brinquedos e empurra-empurra, principalmente, quando há crianças pequenas envolvidas. Outro cuidado deve ser com a roupa usada para brincar. Elementos como capuz e cadarços podem enroscar em brinquedos, provocando acidentes.

A psicopedagoga Sirlândia Reis de Oliveira Teixeira, pesquisadora da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo) e diretora da Associação Brasileira de Brinquedotecas, afirma que, a partir dos quatro anos, grande parte das crianças consegue compreender as instruções dos adultos.

“É interessante que as regras sejam passadas antes mesmo de se chegar ao parque ou ainda em casa, quando a família estiver se preparando para sair”, fala a especialista. 

Segundo a psicopedagoga, os pais devem explicar que os brinquedos são de uso coletivo, que a criança deve esperar a vez e que pode avisar o adulto sempre que algum amigo a estiver empurrando ou fazendo algo perigoso.

“O melhor que os pais podem fazer é ficarem sempre atentos, vigiar enquanto o filho brinca. O que não significa ficar o tempo todo grudado na criança, mas observá-la de perto, enquanto ela brinca espontaneamente”, afirma a professora Sirlândia.

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Condições gerais

- Deve estar localizado em região iluminada, onde bata sol e haja sombra;

- Deve ser cercado com barreira física para impedir o acesso à rua;

- Os brinquedos devem estar em boas condições de manutenção, sem superfícies cortantes, parafusos soltos, farpas ou rachaduras em madeiras, metais oxidados ou desgastes nas engrenagens.

Piso

- Deve ser feito de material que absorva impacto, como areia, grama ou borracha;

- Se for utilizada areia, ela deve ter 50 cm de profundidade, ser coberta à noite, para evitar acesso de animais, e passar por inspeções periódicas para a retirada de objetos enterrados que possam machucar as crianças.

Balanço

- Para os menores de dois anos, os assentos devem ser do tipo cadeira, com encosto e proteção nas laterais;

- Cada balanço pode ter apenas duas cadeiras, separadas por, pelo menos, 60 cm cada. Os pais devem orientar a criança a sair pela lateral oposta ao balanço do lado, para não passar em frente a ele;

- Os balanços devem estar distantes de outros equipamentos. A distância ideal na frente e atrás deve ser o dobro da altura da barra suspensa.

Gangorra

- Deve possuir alças para a criança segurar;

- O assento deve ser em forma de cadeira, de material confortável;

- A altura máxima de elevação do chão não pode ultrapassar um metro;

- O mecanismo de engrenagem deve ser fechado, para evitar que as crianças machuquem as mãos ao tentar manipulá-lo;

- A gangorra deve proporcionar um movimento suave e progressivo, do ponto mais baixo até o pico de altura de cada lado, sem deslocamentos abruptos.

Escorregador

- Deve ser fabricado com material que não acumule calor em excesso, para prevenir queimaduras;

- A prancha de deslizamento deve ser constituída de chapa única, com bordas arredondadas;

- No final da rampa, deve haver uma parte plana, para reduzir a velocidade e amortecer o impacto;

- A área livre na frente da prancha do escorregador deve se estender pela mesma distância da altura da plataforma, com um mínimo de 2 m e máximo de 2,40 m.

Gira-gira

- Deve ter estruturas ou alças para a criança se segurar;

- Não deve ter obstáculos nos quais a criança possa enroscar o pé enquanto estiver em movimento.

Brinquedo de escalar (trepa-trepa)

- Sua altura total não deve exceder três metros;

- Deve estar em piso que absorva o impacto em caso de queda.

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