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Para proteger a criança contra a dengue, saiba usar o repelente

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Pais devem consultar um médico antes de aplicar repelentes nas crianças imagem: Getty Images

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

 

Um levantamento do Ministério da Saúde, divulgado em março, mostrou que 340 municípios brasileiros estão em situação de risco para a epidemia de dengue, sendo a maioria na região Nordeste (171), seguida pelo Sudeste (54), Sul (52), Norte (46) e Centro-Oeste (17). O cenário alarmante faz com que os pais busquem formas para proteger os filhos, no entanto, as crianças com menos de dois anos não podem usar qualquer tipo de repelente contra insetos.

"Os mosquitos são atraídos pelo odor e pela temperatura do nosso corpo. Os repelentes mascaram o cheiro que a gente exala, afastando os mosquitos", explica Ademir Martins, pesquisador do Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores do Instituto Oswaldo Cruz.

Atualmente, a única substância que pode ser usada para proteger bebês acima de seis meses é a IR3535 (os menores não podem usar nenhuma). "Os pais devem checar o rótulo do produto e observar se a concentração desse elemento no repelente é de 30%. Esses produtos conferem proteção de quatro horas", afirma Carolina Marçon, dermatologista da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia). 

Outros dois repelentes também podem ser utilizados por crianças, com as substâncias DEET e Icaridina (KB3023) na composição, mas apenas por aquelas com dois anos ou mais. "A Icaridina deve ter concentração de 25% e protege de oito a dez horas. O DEET só pode ser usado em maiores de dois anos, na concentração de 10%. Ele protege por quatro horas", afirma Carolina.

As três substâncias são eficazes na proteção contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. "Elas afastam o inseto e são recomendadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde)", diz Martins.

Apesar de fundamental, tenha parcimônia ao usar repelente, recomenda Helena Maria Corrêa de Sousa Vieira, do Departamento de Alergia e Imunologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria). "Adultos devem aplicar o produto apenas duas vezes por dia em crianças abaixo de dois anos. As que têm acima dessa idade podem usar três vezes ao dia", fala.

Nos mercados e farmácias, é possível encontrar repelentes em diferentes texturas, como spray, gel, creme ou loção, mas, de acordo com Paulo Pachi, pediatra da Maternidade Pro Matre Paulista, em São Paulo, todos têm a mesma eficácia. "Prefiro os cremes aos sprays, pois é mais fácil enxergar as áreas em que o produto foi aplicado."

Quem preferir o produto em spray deve tomar cuidado na hora de aplicar na criança. "Nunca espirre diretamente no rosto. Coloque o repelente nas mãos e depois aplique", afirma Pachi. Carolina também recomenda usar sprays em ambientes abertos e distante das vias respiratórias.

Como a criança tem uma pele mais sensível, Helena Maria afirma que os pais nunca devem deixar os filhos dormirem com o repelente no corpo. "A pele tem menos resistência, e o repelente não deixa de ser um produto tóxico", fala a alergista da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Orientação médica

Os especialistas ouvidos pelo UOL Gravidez e Filhos recomendam que as crianças menores de dois anos só usem repelentes com orientação médica. "Os pais também devem tomar certos cuidados, como não aplicar a substância na pele ferida ou irritada. Caso qualquer sintoma apareça após utilizar o produto, a área deve ser lavada. Os adultos devem seguir as orientações do rótulo e procurar um médico", explica Carolina.

A dermatologista Samantha Enande também destaca alguns possíveis efeitos neurotóxicos do produto que podem aparecer a longo prazo. "A criança pode se queixar de dores de cabeça, fadiga, perda de memória. Caso qualquer um desses sinais apareça, os pais devem levá-la ao médico", afirma.

Os produtos que combinam repelentes com filtros solares também não são indicados pelos profissionais, pois precisam ser reaplicados com uma frequência maior, o que pode causar danos à pele da criança.  "Primeiro passe o protetor solar, aguarde 30 minutos para que a pele o absorva e, depois, aplique o repelente próprio para cada faixa etária", explica Helena Maria.

Repelentes naturais e óleos

Repelentes naturais, como óleos de andiroba, eucalipto e citronela, são eficazes, no entanto, protegem por pouco tempo. "Para ser mais eficiente, teria de ser aplicado a cada duas horas, e a indicação é apenas para crianças acima de dois anos", afirma Helena Maria.

Para a dermatologista da SBD, outro problema é que os produtos naturais nunca foram testados em crianças. "Portanto, não há garantia de que são seguros."

Abaixo de seis meses

Como não é recomendado utilizar repelente em bebês com menos de seis meses, os pais devem tomar outras medidas preventivas para evitar picadas de insetos. Uma delas é manter as crianças em ambientes fechados. "Os pais devem manter as portas bem vedadas e as janelas teladas. Se possível, o ambiente deve ser refrigerado com ar-condicionado, principalmente do amanhecer ao pôr-do-sol, que é quando o mosquito mais ataca", diz Helena Maria.

"Evite colocar roupas coloridas e perfumes florais nas crianças, pois isso atrai insetos. Prefira roupas claras que cubram bem o corpo", fala Carolina.

Martins afirma que o controle do mosquito ainda é a melhor forma de evitar a dengue. "Os mosquitos que picam são os adultos, portanto precisamos impedir que as larvas cresçam e, para isso, devemos impedir sua proliferação, desfazendo os criadouros com água parada."

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