Bebês

Mãe de Enzo, Luisa Mell espera que filho também seja vegetariano

Marina Oliveira e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

Aos 36 anos, a apresentadora e ativista em defesa dos animais Luisa Mell trabalha a divulgação da primeira campanha lançada pelo instituto que leva o seu nome, fundado em janeiro deste ano. A entidade abriga bichos abandonados, organiza feiras de adoção e promove a conscientização sobre o tema. O mote da ação não poderia ser mais propício para o momento que ela vive: “Não abandone o seu peludo quando seu bebê chegar”.

Luisa é mãe de Enzo, que nasceu em fevereiro e já está adaptado aos dois “irmãos peludos”, como ela se refere aos labradores Marley e Gisele, ambos com 12 anos. “Não tive frescura nenhuma. Desde o primeiro dia, deixo os dois lamberem a perninha do Enzo. Evito, óbvio, que eles se aproximem do rosto e das mãos, mas não tenho neuras”, diz.

Na verdade, quem precisou ser preparado para a chegada do bebê foram os cachorros, que tiveram  crises de ciúme durante o primeiro mês do novo habitante na casa. “Um dia, cheguei e o Marley tinha feito cocô na porta do meu quarto e estava lá, sentado ao lado. Para chamar a atenção mesmo.”

A apresentadora encarou a “rebeldia” do bicho como natural. “O erro das pessoas é dar bronca ou colocar o cachorro para fora quando o bebê chega. Antes, o cão ficava dentro de casa, dormia na cama do dono e, de repente, é jogado no quintal. Dessa forma, ele vai entender que o ser que chegou é o inimigo dele”, fala.

Durante a gravidez, além de dar dicas, em seu site, para apresentar o recém-nascido aos animais de estimação, Luisa postou muitas fotos nas redes sociais ao lado dos seus mascotes, para provar que bichos e gestantes podem se dar bem.

“O abandono de animais com a chegada do primeiro filho acontece, principalmente, por ignorância dos novos pais e, às vezes, dos médicos, que acreditam ser prejudicial o contato do bebê com os mascotes. Mas há também aqueles que acham que não vão mais ter tempo para cuidar do bicho e o abandonam, na rua ou dentro da própria casa. E isso é uma grande crueldade, porque o dono é tudo para o cachorro”, declara.

Uma vegana grávida

Luisa parou de comer carne vermelha aos 13 anos. Já o frango saiu da dieta em 2002, quando estreou o “Late Show”, programa que comandou na RedeTV! por seis anos. Ela se assustou ao conhecer o processo de criação das aves.

Em 2005, abandonou também o peixe e, há quase dois anos, tornou-se vegana, não come nada de tenha origem animal. Ao fim da gravidez, ela totalizou 14 quilos a mais na balança. “Tinha bastante consciência da importância da alimentação, mas, antes, não levava tão a sério. Por exemplo, óleo de linhaça é ruim, mas precisa comer, porque tem ômega 3. Antes da gravidez, pulava, mas depois fui super-rígida. Lentilha não é uma coisa que amo, mas comia todos os dias. Feijão na hora do almoço e lentilha à noite, por causa do ferro e da proteína.”

A dieta balanceada foi complementada com suplementos. “Tomei um específico para grávidas, além de ômega 3 vegetal, cálcio e magnésio”, diz. Hoje, ela continua com acompanhamento nutricional para garantir que a amamentação proporcione os nutrientes necessários ao filho, mas também para eliminar os cinco quilos que restaram após o parto.

Quando Enzo começar a crescer, o plano da ativista é apresentá-lo à dieta vegetariana. “Em casa, vou oferecer comidas saudáveis e que não sejam obtidas por meio da crueldade com os animais. Vou explicar a minha filosofia e fazer algo que minha mãe não fez comigo, que é dizer que aquele bife é um pedaço de um bicho que sofreu ao ser criado de uma maneira terrível e morreu só para os humanos sentirem prazer.”

Por ter levado quase 20 anos até cortar de vez a carne da dieta, ela diz acreditar que o processo deva ser gradativo e afirma que não pretende forçar o filho a nada. “Vou explicar, mas sem pressionar, porque não quero ser uma mãe castradora. O meu papel vai ser o de dar informação”, afirma. “Quero dar o exemplo, integrar o Enzo aos projetos que desenvolvo, levá-lo às feiras de adoção e tentar ser a melhor pessoa que conseguir. Afinal, nada melhor do que o exemplo para educar.”

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