Adolescência

Antes de mandar filho estudar fora, avalie planos para volta ao país

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Não importa o objetivo posterior, é melhor não viajar no último ano do ensino médio imagem: Getty Images

Amanda Sandoval e Carol Salles

Do UOL, em São Paulo

Viabilizar uma experiência internacional para o filho, que complemente a formação acadêmica, é um desejo que se torna cada vez mais recorrente entre as famílias brasileiras. Antes de decidir, vale pesar quando mandar o adolescente, para quê tipo de programa e como fazer o investimento valer a pena na volta.

“Um intercâmbio é um dos melhores presentes que um jovem pode receber. Ele volta mais maduro, mais preparado para lidar com desafios e fazer escolhas”, diz a psicóloga Rosalia Schwark, especialista em psiconeurociência pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Veja a seguir orientações para fazer a melhor escolha.

A melhor idade

Antes de mandar o filho estudar no exterior, é preciso avaliar o objetivo da família. Se a ideia é que o jovem passe um semestre ou um ano estudando fora e depois volte para fazer faculdade no Brasil, a idade ideal é entre 15 e 16 anos, ou seja, no primeiro e segundo anos do ensino médio. Isso porque cursando o terceiro (e último) ano no Brasil, o aluno pode se preparar melhor para o vestibular.

É igualmente importante analisar a maturidade do estudante para participar de um programa internacional. “Quem for cursar o ‘high school’ (nome dado ao ensino médio, em inglês) precisa saber que se trata de um programa denso, que exige foco. O aluno tem de manter as notas na média ou acima, mesmo estudando em outro idioma”, diz Denis Florencio, gerente de “high school” do STB (Student Travel Bureau), em São Paulo.

Se a proposta for emendar o curso com uma faculdade lá fora, a idade ideal é 16 anos (quando o adolescente está no segundo ano do ensino médio). “Assim, há tempo para verificar se é isso mesmo o que o jovem quer, estender a permanência, terminar os estudos e, em seguida, ingressar na universidade desejada”, declara Fernanda Zocchio Semeoni, diretora de produtos e operações da Experimento Intercâmbio Cultural, em São Paulo.

Mesmo nesse caso, a viagem no decorrer do terceiro ano do ensino médio não é recomendada. “Para conseguir um diploma de ‘high school’, é preciso acumular uma quantidade de créditos. Em um ano, é quase impossível conseguir isso. Daí a recomendação de embarcar antes”, fala Florencio.

Existe, ainda, a opção de o jovem terminar o ensino médio no Brasil e, depois, fazer mais um ano de “high school” lá fora, sem compromisso com o desempenho no colégio. “Nesses casos, não é preciso cumprir a cartilha obrigatória que o governo brasileiro exige e o estudante pode montar seu currículo”, diz André Simonetti, gerente de produtos da Central de Intercâmbios, em São Paulo.

Algumas escolas estrangeiras oferecem até 60 opções de matérias, como culinária, eletrônica, mecânica, enfermagem, além das tradicionais. E é possível direcioná-las para a área que o aluno deseja seguir, posteriormente, em sua profissão.

Conquista de autonomia

Segundo os especialistas, o programa de “high school” no exterior pode ser especialmente útil para jovens que não estão acostumados a preparar a própria comida, a fazer a cama e a zelar pelos próprios pertences. O período no exterior favorece a conquista de autonomia, e o adolescente costuma voltar da viagem mais independente, responsável e colaborativo.

Para os pais que ainda permanecerem inseguros em relação à desenvoltura dos filhos em uma experiência dessas, uma possibilidade é fazer um treino antes, enviando o estudante para um programa de férias, entre 11 e 14 anos. Dura de três a quatro semanas e os jovens seguem acompanhados por um guia brasileiro.

“Nesse tipo de programa, as crianças têm aulas de inglês diariamente e participam de atividades esportivas e culturais”, afirma Simonetti.

O tempo de duração da experiência

Embora a viagem de estudos de seis meses seja uma alternativa, cursar um ano letivo completo pode ser mais proveitoso para o aluno. “Assim vive-se uma experiência mais completa”, declara Simonetti.

Outro ponto importante é ter em mente que a adaptação pode durar até seis meses. “Por isso, em um ano, o adolescente tem a chance de se adequar à nova rotina e, nos meses subsequentes, aproveitar o programa ao máximo”, diz Marcelo Demarzo, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Também vale a pena colher mais informações para planejar o processo de readaptação do jovem, planejando o retorno dele após o intercâmbio. O MEC (Ministério da Educação e Cultura) exige que o aluno curse algumas matérias para validar o período de estudos no exterior, como matemática, ciências (que compreende física, química ou biologia), ciências sociais (história ou geografia, sociologia ou psicologia) e educação física.

É a escola no Brasil, no entanto, que dá a palavra final. A instituição pode exigir matérias extras para que o aluno continue matriculado no programa. Por isso, antes da viagem, é importante o estudante procurar a secretaria do colégio, contar seu plano e conversar a respeito.

Segundo os especialistas, um estudante que acate as orientações da escola, demonstre bom rendimento e cumpra a carga horária mínima não corre o risco de não ter seus estudos validados ao retornar para o Brasil. Ainda assim, ele poderá ter de se submeter a alguns testes no retorno. Se passar, poderá se matricular no ano seguinte. Caso contrário, terá de repetir a série.

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