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Meninas carentes ganham baile de debutante e vestido de estilista famoso

Alexandre Fontenele / Divulgação
Baile do Projeto Fada Madrinha, que aconteceu, em abril, em uma boate de Búzios imagem: Alexandre Fontenele / Divulgação

Andrezza Czech

Do UOL, em São Paulo

Ter uma grande festa, com direito a vestido de estilista famoso e ator global como príncipe, é o sonho da maioria das adolescentes prestes a completar 15 anos. Para muitas delas, ele continuaria apenas na imaginação, dados os custos de uma comemoração assim. Para 45 meninas carentes de todo o Brasil, porém, foi possível ver o desejo se transformar em realidade.

As garotas participaram de duas festas coletivas realizadas pelo projeto Fadas Madrinhas – Baile de Debutantes, organizado pelas amigas Liliane Barros Marty Caron, 36, promotora de eventos, e Camila Chiari, 35, gerente de marketing. As duas já haviam tocado projetos sociais diversos quando moravam em Belo Horizonte, como organizar festas em asilos e distribuir cestas básicas, até que Liliane teve a ideia do baile de debutantes em um sonho, literalmente. “Em uma noite, sonhei que era debutante, as convidadas da festa eram meninas de projetos sociais que fazemos e o príncipe era o Rodrigo Santoro. Quando liguei para a Camila para contar, decidimos fazer o sonho vir para a vida real”, conta.

Na primeira edição do Fadas Madrinhas, realizada em maio de 2014, 20 mineiras puderam realizar o desejo de ter um baile de debutante. Neste ano, o evento aconteceu em abril, em Búzios (RJ), onde Liliane vive atualmente, com 25 meninas de todo o Brasil. Elas foram selecionadas entre mais de 2.000 e-mails e 200 cartas enviados para a organização. A ideia das amigas é fazer, pelo menos, uma festa por ano, se possível com um maior número de debutantes, de acordo com o apoio que conseguirem de parceiros.

Gonzalo Arselli / Divulgação
A mesa de doces foi montada com a ajuda de parceiros das organizadoras do evento imagem: Gonzalo Arselli / Divulgação

Comemoração de verdade

Na edição deste ano, a festa teve DJ, valsa tocada ao vivo, show da cantora Aline Calixto e a presença do ator Paulo Dalagnoli, o Lírio de “Malhação” (Globo), que foi o príncipe do baile. A decoração foi toda inspirada em doces. “A pista de dança era um pirulito, por exemplo. Foi tudo bem lúdico e colorido”, diz Liliane.

Em vez da tradicional valsa, muitas debutantes têm optado por coreografias montadas especialmente para a festa, a chamada "valsa maluca"

Queridinho das celebridades, o estilista mineiro Victor Dzenk Dzenk doou os 25 vestidos usados pelas debutantes --que eram de organza de seda, de cores que iam do rosa ao verde esmeralda-- e recebeu as nove adolescentes mineiras em seu ateliê, em Belo Horizonte, para fazer os ajustes necessários. Ele ainda foi à festa como padrinho.

“No começo, as meninas ficaram meio intimidadas, mas fui logo quebrando o gelo. Se você só doa as roupas, não recebe a gratidão delas. É um projeto muito lindo, você tem de participar mesmo, sentir a energia boa do baile”, fala Dzenk.

O estilista já conhecia Camila, que trabalhou como gerente de marketing de sua grife, e também os projetos sociais realizados por Liliane. “Chorei o tempo inteiro no baile. As garotas nem precisavam falar o quanto sonhavam com aquele momento. As lágrimas de felicidade mostravam isso.”

Para poder participar do projeto, as adolescentes precisam ser estudantes da rede pública de ensino e comprovar boas notas. Na carta ou e-mail que enviam, devem contar como é sua vida e explicar os motivos pelos quais desejam ter a festa.

“Foi muito difícil escolher”, diz Liliane. O critério, segundo as organizadoras, não é selecionar as histórias de vida mais tristes e, sim, as de superação. “Lemos todas as cartas e ficamos comovidas, mas selecionamos as mais positivas, de meninas que querem estudar e batalhar para ter um futuro melhor e ajudar os pais”, fala Camila.

Entre as escolhidas, há meninas que tiveram de lutar contra doenças graves e que caminham horas em uma estrada de terra para chegar à escola. “Neste ano, duas das selecionadas haviam tido câncer em um mesmo local da perna e tiveram de amputá-la. Descer a escada para dançar a valsa foi uma superação para elas. Outra não via o pai há quatro anos, e fizemos que ele fosse à festa. O projeto não é só fazer o baile, é ajudar as meninas a realizarem encontros e superar problemas”, afirma Liliane.

Ajuda de todos

Como o projeto acontece sem o patrocínio de empresas ou ONGs, Liliane e Camila contam com a ajuda de amigos e doações de empresas de eventos. Na primeira edição, a dupla conseguiu doação do espaço pelo Clube Chalezinho, em Belo Horizonte, mas pagaram pela decoração e pelo bufê. Neste ano, a boate Privilège, de Búzios (RJ), emprestou seu espaço, enquanto a decoração foi oferecida pela Arquitetando Eventos, o bufê ficou por conta da chef Michelle Marucco e os doces foram da marca carioca Docinhos & Doçuras.

Alexandre Fontenele / Divulgação
Além da festa, o ator Paulo Dalagnoli foi ao passeio de barco com as adolescentes imagem: Alexandre Fontenele / Divulgação

Gastos de hospedagem e transporte das debutantes e suas famílias saíram do bolso de Liliane e Camila, que, para levantar fundos, fizeram rifas de dois vestidos doados pelo ateliê Lu Henriques, do qual Camila é sócia. A alimentação nos três dias de hospedagem em Búzios teve ajuda de empreendimentos da cidade, que doaram pizzas e crepes para as meninas e familiares.

A comemoração teve ainda um passeio de barco doado para as debutantes. Quando as adolescentes estavam na embarcação, o ator Paulo Dalagnoli apareceu levando presentes para cada uma delas. Tanto Dalagnoli quanto a cantora Aline Calixto e o DJ Mark Luk não cobraram cachê. "Contamos com doações, saímos passando o chapéu e sempre tem algum aperto, mas, no final, tudo dá certo e vale muito a pena. O que recebemos em troca é muito maior", afirma Camila.

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