Gravidez e filhos

Mitos e verdades: febre alta não significa doença grave

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Dúvidas sobre a febre são comuns e mal-estar dos filhos pode ser amenizado imagem: Getty Images

Cintia Baio

Do UOL, em São Paulo

Basta a criança ficar um pouco mais quente para os pais se preocuparem e começarem a checar a temperatura dela de tempos em tempos. Mesmo estando relativamente acostumados a verem os filhos febris, mães e pais têm dúvidas recorrentes sobre como agir para diminuir o mal-estar da criançada. Veja o que é verdade e o que não passa de crença sem fundamento, segundo os pediatras Thiago Gara, do Hospital e Maternidade São Luiz, e Hamilton Robledo, do Hospital São Camilo, ambos de São Paulo. 

1. A febre representa risco maior para recém-nascidos?

Verdade
Até os três meses, o sistema de defesa do bebê ainda não está pronto para combater todas as doenças. Qualquer febre nessa idade, principalmente em prematuros, deve ser investigada com mais atenção. Os pais devem procurar o médico da criança assim que a febre começar. Ele vai examinar o recém-nascido e pedir exames para checar se existe alguma infecção.

2. Só é considerado febre se a temperatura da criança ultrapassar 37,8ºC?

Verdade
Hamilton Robledo afirma que existem diferentes critérios para identificar o que é febre e o que não passa de um estado subfebril. A maioria dos especialistas considera que temperaturas entre 37,8ºC e 38ºC podem ser consideradas como febre fraca; entre 38ºC e 39ºC, febre moderada, e acima de 40ºC, febre alta. A temperatura pode variar segundo o local do corpo onde é feita a medição. “A oral e a retal são as mais exatas, mas utilizamos a medição axilar por ser a mais confortável para a criança”, fala o pediatra.

3. Fazer a criança ingerir líquidos ajuda a reduzir a temperatura?

Mito
De acordo com o pediatra Thiago Gara, ingerir líquidos é extremamente importante para evitar uma possível desidratação, que pode ser causada pela transpiração excessiva durante o processo febril. No entanto, tomar água não faz a temperatura corporal a baixar. Vale lembrar que a febre está entre as causas mais frequentes de desidratação em crianças, problema que apresenta sintomas como urina escura e escassa, sonolência e boca seca.

4. É mais aconselhável fazer a temperatura baixar aos poucos?

Verdade
Embora o desejo das mães seja fazer a febre sumir rapidamente, para amenizar o quanto antes o desconforto da criança, não é indicado estimular a redução drástica da temperatura, diz Robledo. Ele afirma que a área do cérebro que controla a temperatura corporal precisa entender que ela está baixando, e isso acontece aos poucos. Caso contrário, o cérebro pode interpretar que existe alguma descompensação e passar a trabalhar para deixá-la mais alta.

5. Febre alta é sinônimo de doença grave?

Mito
Muitas infecções graves costumam ser acompanhadas por febre alta, mas não há relação entre as duas coisas. Algumas crianças podem ter febres altíssimas motivadas apenas por uma unha encravada. Outras, com pneumonia, por exemplo, podem ter um quadro febril baixo. Tudo depende do organismo de cada um e do tipo de infecção. O importante é que os pais não se preocupem só com o termômetro, mas fiquem atentos ao estado geral da criança (se ela está apática ou não, se está se alimentando...).

6. Banho morno e compressas ajudam a reduzir a temperatura?

Verdade
De acordo com os pediatras, não é preciso submeter a criança a banhos ou compressas com água fria, pois a água morna basta. A água fria, além de causar desconforto, pode trazer uma falsa impressão de que a febre baixou, pois resfria a pele.

7. Colocar gotas de álcool na compressa ou na água do banho baixa a febre?

Mito
Isso nunca deve ser feito. Ao evaporar, o álcool provoca a sensação de resfriamento da pele, e o sistema que regula a temperatura do corpo pode interpretar isso como uma redução anormal e trabalhar para aumentá-la.  

8. Febres com temperatura acima de 40ºC podem levar a criança a ter convulsão?

Mito
A convulsão causada pela febre está relacionada com a velocidade em que a temperatura sobe e não com sua graduação. “Existem casos em que uma criança pode convulsionar com 38ºC, 39ºC”, afirma Thiago Gara. A convulsão febril é uma resposta do cérebro para descartar o calor em excesso e acontece, principalmente, com crianças entre seis meses e três anos mas pode ser observada até os seis. Ela dura, em média, cinco minutos.

9. Convulsões febris causam danos neurológicos em crianças?

Mito
Embora pareça assustadora para quem vê, a convulsão febril não causa nenhum dano permanente e é mais impressionante do que perigosa. “A dica, durante a convulsão, é deixar a criança de lado e o mais confortável possível”, fala Hamilton Robledo. O quadro não deve passar de 15 minutos e, normalmente, a criança se sente cansada e sonolenta após o episódio.

10. O nascimento dos dentes pode causar febre?

Mito
“Durante o nascimento dos dentes, a imunidade da criança fica mais baixa, fazendo com que ela possa ter outras doenças que ocasionam febre. Por isso, é comum as mães fazerem tal associação, mas a dentição em si não causa febre”, explica Thiago Gara. 

11. Não se deve medicar a criança antes da temperatura chegar a 37,8ºC?

Verdade
A febre é um mecanismo de proteção e não uma doença a ser combatida. "A criança deve receber antitérmicos apenas quando outros sintomas aparecerem, como moleza e dores no corpo e de cabeça, para reduzir a sensação de mal-estar e o desconforto”, diz Robledo.

12. Para baixar a febre do bebê, deve-se tirar toda a roupa dele?

Mito
É necessário apenas deixá-lo confortável, com roupas leves e em um local fresco. Quando a criança está muito agasalhada, a temperatura do corpo tende a subir. 

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