Gravidez e filhos

Teste a partir da baba do bebê pode prever intolerância alimentar

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Análise de DNA da saliva detecta predisposição a doenças e intolerâncias alimentares imagem: Getty Images

Cintia Baio

Do UOL, em São Paulo

Que mãe não gostaria de poder prever doenças e intolerâncias alimentares que o filho vai desenvolver ao longo da vida e assim tomar as medidas para prevenir ou evitar o sofrimento dele? O que parece um sonho para os pais superprotetores existe: um teste genético, feito com um pouco da saliva do bebê, permite saber se, em algum momento da vida, ele poderá ter diabetes, ser obeso ou intolerante à lactose, por exemplo.

Alguns laboratórios brasileiros já realizam o exame, que não é coberto por planos de saúde ou pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Por meio da análise do DNA presente na saliva e, em alguns casos, em uma amostra de sangue, são identificadas alterações genéticas da criança, que indicam se existe ou não potencial de desenvolvimento de doenças crônicas ou intolerâncias alimentares.

Para Ana Cristina Fontenele Soares, pediatra do Hospital Infantil Sabará, de São Paulo, o teste genético só deve ser solicitado para pacientes que apresentam sintomas ou para investigar irmãos e pais de crianças que tenham uma doença diagnosticada. “Não é um exame que eu pediria para uma criança saudável, sem história familiar importante para alguma doença. Cada caso precisa ser avaliado individualmente, e os pais devem conversar com o pediatra do filho para saber se é válido ou não realizá-lo”, diz.

É importante ressaltar que o resultado do teste é apenas preditivo, ou seja, se der positivo, não significa que a criança é intolerante ou vai ter a doença, mas que ela tem uma predisposição genética para desenvolvê-las ao longo da vida. 

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Investimento vale a pena?

O número de doenças e intolerâncias alimentares que podem ser detectadas e o custo do teste variam conforme o laboratório. O NutriJunior, teste realizado pelo Centro de Genomas, que fica em São Paulo, detecta genes associados à obesidade e ao diabetes do tipo 2, ao metabolismo do folato (ligado ao risco de doenças cardiovasculares) e da vitamina D (relacionado ao aparecimento de doenças ósseas e crônicas), à intolerância à lactose e ao glúten (doença celíaca). O resultado fica pronto em até 40 dias, e o preço é R$ 1.800.

Quem quiser investigar apenas a predisposição à intolerância à lactose pode fazer um teste mais simples, que custa R$ 320. Para realizá-lo, é preciso ter pedido médico e não há cobertura por planos de saúde ou pelo SUS.

“O teste pode ser solicitado por médico ou nutricionista, de qualquer cidade do Brasil. O kit para a coleta de saliva é enviado pelos correios, e a amostra pode ser obtida por quem prescreveu o exame”, fala Mônica Yamada, nutrigeneticista do Centro de Genomas.

O laboratório DLE, com unidades em São Paulo e no Rio de Janeiro, também oferece a análise genética para possíveis intolerâncias à lactose e ao glúten. Para saber se a criança pode um dia ter restrição ao consumo de lactose, os pais vão gastar R$ 780.

Quem pode fazer?

Embora a análise possa ser feita em qualquer idade, já que a constituição genética não se altera ao longo dos anos, Mônica Yamada afirma que as amostras devem ser colhidas nos primeiros meses de vida. “Em casos de doenças e intolerâncias relacionadas à alimentação, a identificação do perfil genético no início da vida ajuda a mãe a buscar alternativas mais cedo”, diz.
 

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