Gravidez e filhos

Menino ou menina? Dia da relação sexual ajuda a definir sexo do bebê

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Escolher o dia do mês para a concepção aumenta chances de escolha do sexo do bebê imagem: Getty images

Marina Oliveira e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paul

Quando finalmente conseguiu engravidar de uma menina, Eva, que hoje está com dois anos e meio, depois de ter dois filhos meninos, a apresentadora Angélica, 41, revelou em entrevistas ter recorrido a uma tática aliada à famosa tabelinha: teve relações sexuais dois dias antes do início da ovulação. Pode parecer estranho, mas a estratégia de escolher alguns dias do mês para a concepção realmente ajuda a determinar o sexo do bebê.

Existe uma explicação científica para isso: os espermatozoides que carregam o cromossomo masculino e o feminino possuem características diferentes. Enquanto o que gera menino é menor, mais leve, rápido e frágil, o da menina tem mais peso e perde em velocidade, porém, é mais resistente.

“Cientistas das décadas de 1970 e 1980 mostraram que, se você tem relação sexual cerca de dois dias antes da ovulação, a chance de nascer uma menina é maior, porque o espermatozoide feminino consegue esperar pelo momento da ovulação. O masculino não, por ser menos resistente”, explica o obstetra e ginecologista Fábio Cabar, especialista em reprodução humana e médico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Por outro lado, se a pretensão é engravidar de um menino, o melhor momento para ter relações sexuais é no dia do início da ovulação. “Os espermatozoides que carregam o cromossomo Y são mais rápidos e conseguem chegar antes ao óvulo”, explica a médica Paula Bortolai, do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, de São Paulo.

Seguindo essas recomendações, a possibilidade de conceber um bebê de um sexo ou de outro aumenta, mas não é garantida. “Você pula de uma chance de 50% para até 80%. É um cenário mais otimista, mas não preciso”, declara Cabar.

O pH do corpo

Características dos organismos dos pais interferem na definição do sexo do bebê. O fato de o homem produzir mais espermatozoides com cromossomo Y do que X, por exemplo, aumenta as chances de o casal ter um menino. 

O ambiente interno do corpo da mulher também pode favorecer a fecundação por determinado tipo de espermatozoide. “O pH ácido favorece a concepção de meninas, já o alcalino ou básico, a de meninos. A explicação para isso é, mais uma vez, a resistência dos espermatozoides que carregam o cromossomo X”, diz Paula.

Entretanto, o uso de produtos como vinagre ou bicarbonato de sódio em banhos de assento ou a realização de duchas vaginais com o objetivo de alterar o pH vaginal não são práticas recomendadas, pois seu resultado não é comprovado. “Essas medidas podem provocar uma infecção ou causar uma futura infertilidade”, diz o ginecologista e obstetra Alfonso Massaguer, especialista em Reprodução Humana pelo Instituto Universitário Dexeus, de Barcelona, na Espanha.

Ele explica que ambos os procedimentos eliminam as bactérias colonizadas na vagina, responsáveis pela proteção do órgão. Com o caminho livre, microrganismos patogênicos podem se instalar na região.

A influência da alimentação

O que a mulher come também podem alterar o pH do organismo e influenciar na definição do sexo do bebê. Uma pesquisa realizada pela consultoria holandesa Gender Consult, especializada em métodos naturais para seleção do sexo, em parceria com as universidades Delft e Maastricht, no mesmo país, apontou que uma dieta rica em cálcio e magnésio, aliada à prática de relações sexuais dias antes da ovulação, aumenta as chances de o embrião fertilizado ser do sexo feminino.

No estudo, divulgado em 2010, as participantes ingeriram alimentos enriquecidos com os minerais e tomaram suplementos de cálcio e magnésio durante nove semanas. Essas mulheres também evitaram alimentos com níveis altos de potássio, o que poderia favorecer o nascimento de um menino. Ao final do período, das 32 mulheres que seguiram o programa completo, 26 engravidaram de meninas.

A exatidão conta

Para as técnicas naturais terem mais chances de sucesso, é preciso saber com precisão o dia da ovulação. “Em mulheres com ciclos menstruais regulares, ela ocorre 14 dias antes da menstruação. Em um ciclo com intervalo de 28 dias, por exemplo, a data mais provável da ovulação é o 14º dia do ciclo. Em ciclos de 26 dias, a ovulação ocorre no 12º”, explica Paula Bortolai.

A mulher também pode reconhecer o momento da ovulação por meio da temperatura basal, tirada ao acordar, antes mesmo de sair da cama. “Por três meses, a mulher deve registrar a temperatura e montar um gráfico. Depois desse período, basta ficar atenta: ao ovular, o calor corporal aumentará, por conta da progesterona”, diz Fábio Cabar.

O muco cervical é outro indicativo de ovulação. Trata-se de uma secreção semelhante à clara de ovo, que aparece no meio do ciclo menstrual. “Se você apreender o muco entre os dedos e afastá-los, fora do período ovulatório, o fio se rompe; durante a ovulação, o fio estica”, afirma o especialista.

Quem busca mais rapidez para conhecer com precisão os melhores dias do ciclo menstrual para conceber um menino ou uma menina pode se submeter a um teste de fertilidade vendido em farmácia. Outra opção é realizar exames de ultrassom em série, para o acompanhamento do desenvolvimento folicular e a descoberta da fase pré-ovulatória, que indica que, dentro de dois dias, ocorrerá a ovulação.

Sem tecnologia

Apenas técnicas naturais podem ajudar os pais a escolherem o sexo do bebê. Nos procedimentos de reprodução assistida, a seleção do embrião de acordo com o sexo é uma prática proibida no Brasil desde 2010, quando foi feita a revisão do Código de Ética Médica, escrito em 1988.

Hoje, casais que se submetem à fertilização in vitro só podem fazer biópsia do embrião para saber o sexo quando há histórico familiar de doença genética relacionada ao cromossomo X ou Y. É o caso, por exemplo, da hemofilia, que se manifesta somente em homens. 

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