Gravidez e filhos

"É hora de termos uma Peppa Pig lésbica", diz político britânico

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Febre entre as crianças, Peppa Pig é uma porquinha carinhosa e teimosa imagem: Divulgação

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

 

Em entrevista exclusiva ao periódico britânico "Daily Mail", o membro do parlamento britânico Norman Lamb afirmou que os desenhos infantis precisam de personagens gays para legitimar as relações homoafetivas perante as crianças. Segundo Lamb, é necessário a existência de uma Peppa Pig lésbica, pois a falta de personagens homossexuais não incute nas crianças os direitos desses casais na sociedade.

Maria Helena Vilela, educadora sexual e diretora-executiva do Instituto Kaplan, um centro de estudos sobre a sexualidade humana, concorda com a necessidade de abordar a diversidade sexual. No entanto, afirma que a Peppa Pig, mesmo sendo apenas um exemplo dado pelo político, não seria a personagem ideal para isso. "No desenho, ela é uma criança e, portanto, ainda não tem sua orientação sexual definida. Acho que valeria abordar esse tema por meio de uma tia lésbica que aparecesse na atração", diz.

De acordo com a especialista, as histórias infantis e contos de fadas sempre mostraram relações heterossexuais, portanto, seria importante trazer para a realidade infantil personagens homossexuais. "Como os contos são formas de apresentar para a criança os valores da sociedade, mostrar a diversidade sexual faria com que elas entendessem, desde pequenas, que isso existe e é completamente normal", explica.

Para a terapeuta sistêmica Glaucia de Paiva Santucci, especializada em relações familiares e socioculturais, a inclusão de personagens  gays em desenhos seria uma forma de mostrar que todas as relações são legítimas. "Sem a presença dessas figuras, vai ser ainda mais difícil transformar o padrão mental existente. Quando damos um lugar para aquela forma de viver, as pessoas começam a aprender a conviver com ela", fala.

Outro ponto positivo da inclusão de personagens homossexuais nesse tipo de programa seria o estabelecimento de uma naturalidade em relação ao tema, pois as crianças compreendem de forma mais fácil tudo o que é lúdico. "Por meio dessa linguagem, e sem o peso do rótulo de que essas relações são 'erradas', a criança aprenderia a lidar com a sexualidade de um jeito natural", diz Glaucia.

Resistência dos pais

Os especialistas dizem que, apesar de uma possível resistência inicial dos pais em deixar as crianças assistirem ao desenho, eles também começariam a encarar mais facilmente o assunto. "O grande medo da sociedade ao deixar uma criança ver um vídeo com um personagem gay é achar que ela pode se tornar homossexual no futuro. Se fosse assim, não existiria homossexualidade. O fato de um menor assistir a um desenho não irá mudar sua orientação sexual, pois isso não depende de um desejo consciente, mas de uma série de fatores alheios a essa questão", explica Maria Helena.

Na opinião de Glaucia Santucci, com esse tipo de atração, os próprios pais poderiam absorver novas informações e aprender com as experiências positivas que os desenhos proporcionam.

Para a psicoterapeuta especializada em crianças e adolescentes Andreia Calçada, os pais devem sempre naturalizar as situações que aparecem. "Eles precisam ensinar aos filhos que existem pessoas que são diferentes e que é preciso respeitar essas diferenças. A criança tem de aprender a se colocar no lugar do outro, para entender que todos merecem respeito por suas escolhas", afirma.

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