Gravidez e filhos

Estudo liga contato com objetos de plástico do dia a dia a aborto

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A quantidade de ftalatos era maior na urina das mulheres que haviam abortado imagem: Getty Images

Melissa Diniz

Do UOL, em São Paulo

Um estudo chinês publicado no jornal “Environmental Science and Technology”, órgão da Sociedade Americana de Química, no início de agosto, relacionou a exposição aos ftalatos a um maior risco de aborto.

Essas substâncias, presentes em vários tipos de objetos do dia a dia --como brinquedos, potes de cozinha e sacolas de mercado--, têm a função de tornar o plástico de PVC flexível, além de serem usados como solventes em cosméticos e produtos químicos.

O estudo analisou 300 mulheres grávidas, das quais 132 haviam perdido o bebê. A concentração de resíduos de ftalatos na urina delas era consideravelmente maior.

Bastante voláteis, as moléculas dos ftalatos ligam-se facilmente ao organismo por meio da ingestão, inalação ou do contato com a pele. Os cientistas, no entanto, ainda não sabem qual o meio de contaminação mais prejudicial à saúde. No caso dos potes de plástico, o risco aumenta quando são aquecidos no forno de micro-ondas. O ideal é trocá-los por recipientes de vidro.

Acredita-se que as mulheres, de maneira geral, sejam mais expostas a essas substâncias do que os homens, porque consomem mais produtos de beleza, como xampus, condicionadores, sabonetes líquidos, géis, loções corporais, esmaltes, perfumes e desodorantes.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado o risco de aborto em mulheres que trabalham na indústria e, portanto, são altamente expostas a esses materiais. Esse, entretanto, é o primeiro estudo a comprovar o risco para uma exposição não vinculada ao ambiente de trabalho.

Ainda é difícil saber se um produto contém ftalatos, pois eles aparecem disfarçados nos rótulos com outros nomes, sendo o mais comum o di(2-etilhexil) ftalato (DEHP). Outras nomenclaturas possíveis são benzila, butila, dibutila, diciclohexila, dietila e diisodecila.

No Brasil, por determinação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), as concentrações de ftalatos e seus derivados são limitadas a 1% em copos e garrafas plásticas descartáveis desde 2009.

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