Gravidez e filhos

Adolescente não querer prestar vestibular não é o fim do mundo; veja opções

Getty Images
Abrir mão do vestibular não significa deixar o filho adolescente ficar em casa à toa imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

Há jovens que desde cedo demonstram aptidões claras para uma determinada profissão e, nesses casos, a escolha de qual faculdade cursar é natural e indolor. Porém, muitos chegam ao fim do último ano do ensino médio com dúvidas sobre qual será o próximo passo. Antes de comprar uma briga com o adolescente indeciso, os pais devem encarar a situação como uma oportunidade de amadurecimento para o filho.

Como você reagiria se seu filho não quisesse prestar vestibular?

Resultado parcial

Total de votos
Total de votos

“Muitas vezes, o jovem identifica suas principais áreas de interesse, mas isso se desdobra em tantas opções de cursos que ele sente dificuldade de escolher”, declara a psicóloga Bárbara Olsen, mestranda em psicologia pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e ex-membro da Comissão de Psicologia Escolar do Conselho de Psicologia Paranaense.

Quando a indecisão é grande, adiar o projeto da faculdade não é tão ruim quanto pode parecer em um primeiro momento. “Entrar em um curso e abandonar no meio do caminho levará a uma perda de tempo bem maior”, afirma a psicopedagoga Ester Chapiro, diretora da Central de Professores, empresa de assessoria pedagógica do Rio de Janeiro.

Forçar a barra para o adolescente se decidir só vai piorar a situação. Ele pode escolher um curso de que não gosta só para acabar com a pressão familiar, o que aumentará a chance de se tornar um profissional e um adulto infeliz. “Ele também pode se desmotivar como aluno e não querer mais voltar a estudar”, diz Ester.

Para a diretora da Central de Professores, insinuar para o filho indeciso que siga a profissão do pai ou da mãe também não deve ser visto como solução.

Como você reagiria se seu filho não quisesse prestar vestibular?

Resultado parcial

Total de votos
Total de votos

Outras alternativas

Não prestar vestibular não significa que os pais devem permitir que o filho fique em casa à toa. É preciso traçar um plano de ação para ele. “A juventude é uma fase de produtividade. O adolescente não pode ficar ocioso”, declara a psicopedagoga Maria Luiza Werneck, membro do Centro de Estudos da Família, Adolescência e Infância do Rio de Janeiro.

Se bem aproveitado, o período pode ser de grandes descobertas e resultar em escolhas mais conscientes. Mas o projeto também dependerá das condições financeiras da família. Se houver a possibilidade de arcar com os custos, uma opção válida é investir em uma viagem de intercâmbio. “Ter de se virar sozinho, poder conhecer novos países, pessoas e estilos de vida amplia os horizontes e aumenta o autoconhecimento”, diz Bárbara.

Realizar cursos de curta duração em áreas de interesse também é uma alternativa, assim como tentar um estágio de observação para descobrir se a profissão que pensa em escolher é realmente o que o adolescente imagina.

“Uma ideia interessante é fazer cursinho preparatório para vestibular, com o objetivo de manter frescos os conteúdos cobrados nas provas”, afirma a psicóloga. Cursos técnicos profissionalizantes podem ser levados em conta na avaliação familiar, só é preciso buscar um que seja reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação).

Segundo as especialistas, o tempo concedido para o adolescente se decidir deve durar de seis meses a um ano. E, no período, o acompanhamento constante dos pais é essencial. Eles devem analisar se as experiências do jovem estão de fato ajudando-o a amadurecer e a se aproximar de seus objetivos. “Os pais precisam motivar os filhos e cobrar resultados quando necessário. O planejamento inicial pode ser ajustado, mas é importante trabalhar com a noção de início, meio e fim do processo”, diz Ester.

Topo