Gravidez e filhos

Mulher relata parto com menos dor após uso de técnicas de hipnose

Arquivo Pessoal
Clarissa (na foto com o marido) aprendeu hipnose e usou as técnicas no parto da filha imagem: Arquivo Pessoal

Cintia Baio

Colaboração para o UOL

O trabalho de parto da advogada Clarissa Homsi, 44, durou pouco mais de três horas e foi, nas palavras da própria, “tranquilo”, em grande parte por causa das técnicas de auto-hipnose.

“Fiquei boa parte do tempo ouvindo um CD de relaxamento e fazendo as visualizações que aprendi no curso. Pari praticamente sozinha, no banheiro de casa, e tive umas seis contrações fortes. Estava completamente consciente e me sentia no controle de tudo. Doeu, mas nada que me fizesse ir para o hospital ou pedir anestesia, como foi na primeira gravidez.”

No sétimo mês de gestação, uma amiga de Clarissa sugeriu que ela lesse um livro e fizesse um curso sobre hipnose. A obra em questão era “Hypnobirthing – the Mongan Method” (“Hipnonascimento - o Método Mongan”, em livre tradução do inglês), escrito pela hipnoterapeuta americana Marie Mongan, criadora da técnica que busca, por meio da auto-hipnose, visualizações e respirações, deixar a mulher relaxada, concentrada e confiante para o parto.

“O objetivo é fazer a gestante perceber que parir é algo totalmente natural e que o corpo sabe fazer isso muito bem”, afirma Lúcia Junqueira, fisioterapeuta, doula e responsável pelos cursos de “hypnobirthing” no Brasil.

A técnica, ainda tímida no Brasil, mas bastante utilizada em outros países desde 1880, está longe de ser como a que costumamos ver na TV, com alguém em transe, inconsciente e executando ordens de quem a hipnotizou.


“Isso é clichê. A mulher fica completamente consciente e controla todo o trabalho de parto. O que fazemos é ensinar a auto-hipnose para a gestante”, diz o obstetra e hipnoterapeuta Osmar Ribeiro Colás, especialista no assunto.

Segundo Colás, durante o pré-natal, a grávida frequenta sessões ou faz um curso breve no qual são ensinadas técnicas de respiração, relaxamento e visualização, que induzem à auto-hipnose.

“É possível usar o recurso apenas no momento do parto, em vez das sessões no pré-natal, mas existe um número muito pequeno de profissionais capacitados. Por isso, o mais comum é a auto-hipnose. A ideia é a gestante aprender sozinha a controlar sua dor, que continua a existir, mas que pode ser menor e interpretada de outra maneira”, fala o obstetra.

Um curso do tipo dura 12 horas e meia, geralmente é feito em grupo e custa R$ 990 (gestante e acompanhante). Nele, a mulher aprende as técnicas de controle para cada momento do parto e como encará-lo de maneira positiva. De acordo com Lucia, o ideal é que ele seja feito a partir da 14ª semana de gestação.

Eficiência varia

Segundo especialistas consultados, a mulher é quem decide se quer ou não a presença do profissional na hora do parto. Eles afirmam que, na maioria das vezes, a participação não é necessária. “Nosso trabalho é deixar a mulher confiante para fazer sozinha”, diz o psicanalista Luciano Sampaio, de Fortaleza. Para ele, em alguns casos, a hipnose pode reduzir a dor pela metade. “O importante é conversar com alguém do corpo clínico, como o obstetra, anestesista ou enfermeira para que eles estejam cientes das técnicas.”

No Brasil, a prática de hipnose é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, de Odontologia, de Psicologia, de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional.

Para a anestesista Monica Siaulys, o grau de eficácia da técnica depende muito de características individuais de cada paciente e de cada gestação. “O que funciona para uma paciente não necessariamente funcionará da mesma forma para outra ou até mesmo para mesma paciente, em uma outra gestação.”

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