Gravidez e filhos

Por culpa, britânicas que tiveram aborto espontâneo sofrem caladas

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Perder o bebê faz mulher se sentir culpada imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

 

Uma pesquisa realizada no Reino Unido pela organização filantrópica Tommy’s, que investiga e divulga informações a respeito de problemas relacionados à gravidez --como aborto espontâneo e parto prematuro--, afirma 70% das britânicas que perderam seus bebês se sentem culpadas e fracassadas.

Das 5.500 mulheres entrevistadas pela instituição, 35% disseram estar tão envergonhadas que não conseguem, nem mesmo, falar com o pai da criança sobre o assunto. Já 67% delas não se sentem à vontade para abordar o tema com as melhores amigas.

Segundo a organização, uma em cada quatro gestações no país termina com a perda do bebê e isso não deveria ser mais um tabu. A instituição defende que as mulheres que sofreram um aborto espontâneo passem por uma avaliação o mais cedo possível. A atual recomendação médica no país é apenas encaminhar para ajuda especializada pacientes que sofreram três abortos em sequência.

A diretora-executiva da Tommy’s, Jane Brewin, afirmou ao jornal britânico “Daily Mail” que o medo de que o assunto seja banalizado por aqueles que desconhecem os fatos faz com que muitas mulheres se sintam constrangidas de falar a respeito da perda. Um dos temores é ouvir frases como “aquilo não era ainda um bebê”.

Segundo o NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido), a maioria dos abortos espontâneos não ocorre por responsabilidade das gestantes, mas por complicações genéticas envolvendo o feto.

Em 2016, a Tommy’s irá abir o primeiro centro nacional britânico de pesquisas sobre aborto espontâneo. A instituição acaba de lançar a hashtag #misCOURAGE, uma combinação das palavras inglesas “miscarriage” (aborto espontâneo) e “courage” (coragem), para incentivar pessoas a falarem sobre a perda de bebês.

Para algumas mulheres, como Emma Benjamin, 34 anos, de Hertfordshire, que já perdeu cinco bebês, falar sobre o assunto ajuda a lidar com a perda e a diminuir a culpa, além de permitir que outras mulheres sejam auxiliadas pelo compartilhamento de informações.

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