Gravidez e filhos

7 dicas para ensinar o filho a lidar com a morte do bicho de estimação

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Vídeo de menino se despedindo do peixe que morreu viralizou nas redes sociais imagem: Reprodução/Youtube

Do UOL, em São Paulo

 

Seja qual for a idade, despedir-se para sempre de um grande amigo nunca é fácil. E a morte de um bicho de estimação pode ser a primeira experiência de perda que uma criança vivencia. Nesse contexto, os pais precisarão estar preparados para agir com cuidado e carinho.

Segundo a psicóloga Maria Júlia Kovács, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), esse é o momento em que a família pode começar a apresentar à criança duas questões fundamentais relacionadas à morte: a universalidade e a irreversibilidade.

“Todos vamos morrer um dia. É importante que a criança saiba que não terá mais o bicho como ele era, mas poderá guardá-lo na memória. O rompimento é da presença, não da relação com o animal”, afirma.

Por isso, os especialistas recomendam: não se pode esconder ou negar o fato. “Os pais não devem tentar pular esse aprendizado, com intuito de proteger a criança do sofrimento e, sim, usar esse acontecimento a fim de prepará-la para outras mortes que ela enfrentará”, fala Rita Calegari, psicóloga da rede de hospitais São Camilo, de São Paulo.

Veja, a seguir, sete dicas para ensinar o filho a lidar com a situação.

1 - Explique claramente o que aconteceu

Não tenha medo de usar a palavra “morte”. Dê a notícia de forma tranquila, simples e clara, recomenda Rita. O nível de compreensão da criança dependerá da idade. Quanto menor ela for, menos entenderá a irreversibilidade da morte.

“Após os sete anos, compreenderá melhor esse conceito e será mais fácil --porém, mais dolorido-- explicar o que ocorreu”, diz Rita. Para as menores, o uso de desenhos animados que tratam a morte de uma forma mais realista –como "Bambi" e "O Rei Leão"– pode ajudar.

2 - Não use linguagem figurada

“Evite dizer que o animal está dormindo ou que foi viajar, por exemplo –a criança poderá achar que quem dorme não acorda mais ou quem viaja não volta, o que a deixará ansiosa frente a essas situações do cotidiano”, afirma a psicóloga Rita Calegari.

3 - Responda ao que for perguntado

Se a criança fizer perguntas sobre a morte do mascote, procure respondê-las de forma simples e objetiva. Mas se limite a responder apenas aquilo que ela quiser saber. “Responder à criança na medida certa colabora na elaboração emocional da situação. Explicação demais pode acrescentar ainda mais angústia e ansiedade à que a criança naturalmente está vivendo”, diz a psiquiatra Ivete Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo.

4 - Acolha o sentimento

“Não tente mudar de assunto, distrair a criança ou tentar fazê-la esquecer a perda para poupar-lhe a dor. Simplesmente acolha o sentimento dela, afinal, o sofrimento faz parte da existência humana”, afirma Ivete.

E saiba que mesmo crianças bem pequenas podem colocar para fora seu sofrimento, das mais variadas formas. Segundo a psiquiatra, as menores, que ainda não têm capacidade de se expressar adequadamente pela fala, ou que falam, mas ainda são bastante imaturas do ponto de vista de desenvolvimento, podem apresentar sintomas físicos, como problemas para dormir ou se alimentar. Algumas podem ficar irritadas e chorosas. E o carinho da família é o melhor remédio em todos esses casos.

5 - Organize um ritual de despedida

“Os rituais existem desde os tempos mais remotos da humanidade. Eles servem para nos ajudar a elaborar situações novas”, diz Ivete Gattás. Segundo a psicóloga Rita Calegari, as cerimônias também oferecem a oportunidade de falarmos o que sentimos e pensamos e, ao compartilhar a experiência, amadurecê-la. Por isso, é importante preparar um momento especial de despedida.

A psicóloga Maria Júlia Kovács sugere a realização de um funeral em cemitérios especializados para animais. Por questões sanitárias, não se deve enterrar o animal no quintal de casa. “Para a família ter um memorial do bicho em casa, pode-se colocar no jardim uma cruz ou outro símbolo, uma pedra ou uma pequena árvore”, fala Maria Júlia.

6 - Não substitua um bicho por outro

“Nunca se deve comprar um outro bicho parecido com o que morreu, com o intuito de amenizar o sofrimento da criança. Segundo a Maria Júlia, esse comportamento dos pais pode transmitir a mensagem equivocada de que pessoas também podem ser substituídas, o que não é verdade.

O ideal é só adotar um novo amigo ao sentir que a criança conseguiu elaborar a perda. “O tempo para a aquisição de um novo animal vai depender de como a criança se mostra, se está pronta ou não para reinvestir seu afeto”, diz Ivete Gattás. “Muitas vezes, a introdução imediata de outro mascote na vida da criança, se ela ainda não estiver pronta, pode gerar rejeição a esse novo bicho."

7 - Prepare a criança para a morte do amigo

Quando o bicho de estimação está idoso ou doente e pode morrer em pouco tempo, vale começar a preparar a criança para a despedida. Segundo Ivete Gattás, a melhor forma de fazer isso é conscientizando-a de que a morte dará ao mascote descanso e alívio da dor. “Enfatize sempre o bem-estar do animal”, afirma Ivete.

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