Gravidez e filhos

"Filho é combustível para correr atrás de conquistas", diz pai aos 20

Arquivo pessoal
O jornalista Guilherme Fuoco, pai da Laura, de seis anos, criou o blog "Papai Jovem" imagem: Arquivo pessoal

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

 

No Brasil, cerca de 5,5 milhões de crianças não têm o nome do pai na certidão de nascimento, segundo dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Na intenção de diminuir esse índice e dar apoio aos homens que se tornam pais na adolescência, o jornalista Guilherme Fuoco escreveu o livro "Papai Jovem - Não Suma. Assuma!".

"Muitos jovens pensam em não assumir, pois acham que não têm condições. Eles não encontram pessoas que deem bons conselhos a respeito. Sempre falo para quem me escreve que ter um filho é combustível para correr atrás de conquistas", afirma Fuoco, que foi pai de Laura --hoje com seis anos-- aos 20 e criou o blog "Papai Jovem" há três.

Ainda que não tenha pensado em "sumir" ao descobrir que seria pai, o jornalista não encontrou nenhum material voltado para os jovens. "Não tinha nenhum amigo ou parente que tivesse passado por situação semelhante. Então pensei em escrever a respeito e dar os conselhos que gostaria de ter recebido. Não tive ninguém que falasse para ficar calmo, amadurecer e aprender a dividir meu tempo. Sempre eram conselhos mais religiosos e generalizados, nada específico para o momento da vida do pai adolescente", diz.

Fuoco não esconde que a rotina depois de ser pai mudou muito, principalmente no que se refere ao lazer. Segundo o jornalista, durante a gestação, os programas são mais familiares e é preciso largar um pouco as baladas e o futebol de fim de semana. "Mas as mudanças são positivas. Se você tem preguiça de acordar, vai pensar que precisa dar o melhor para o seu filho e correr atrás. O dia tem 24 horas e dá para se organizar, amadurecer e encontrar uma maneira de ganhar dinheiro extra para auxiliar nos cuidados com a criança. E depois dá para dividir as responsabilidades e voltar à vida social aos poucos", fala.

Ele divide os cuidados da Laura com a mãe da menina. "Ela também participa e ajuda nos compromissos escolares. Cada um vai em uma reunião. Não estamos mais juntos, mas somos companheiros. A Laura vive comigo  (na casa dos pais de Fuoco) e, no fim de semana, vai para a casa da mãe. É engraçado quando vamos em consulta médica, por exemplo, pois ali a gente vê o quanto somos profissionais ao colocar os cuidados e o bem-estar dela em primeiro lugar", afirma.

O jornalista recebe muitas dúvidas de jovens desesperados com a paternidade. "Sempre indico acalmar a parceira primeiro, pois são as mulheres que sofrem as maiores mudanças com a gestação, corporais e hormonais. Por isso, essa precisa ser a primeira preocupação", afirma. Na sequência, Fuoco recomenda contar aos pais. "Você já vai levar bronca mesmo, então, termine com isso de uma vez. Demora um tempo para as coisas ficarem bem, mas a energia positiva da vinda de uma criança normaliza tudo."

Neste ano, Fuoco resolveu escrever o livro para alcançar e ajudar ainda mais jovens. O livro está em um financiamento coletivo no site da editora Panda Books e já alcançou o montante necessário para ser publicado. "Ainda assim, quem quiser contribuir com 35 reais vai receber o livro em primeira mão. Quanto mais dinheiro arrecadado na plataforma, mais livros serão lançados", explica. O material tem previsão de lançamento em março de 2016.

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