Gravidez e filhos

Mães narram a experiência de dar à luz na virada do ano

Arquivo Pessoal
Danielle Meneses (na foto com o filho, Arthur) passou o Réveillon na maternidade imagem: Arquivo Pessoal

Do UOL, em São Paulo

“Estou acostumada a comemorar aniversário nas festas de fim de ano, porque o meu marido nasceu em 25 de dezembro. Lá em casa, sempre tem bolo de aniversário e brigadeiro na ceia. Por isso, não me assustei quando o médico disse que o Arthur talvez nascesse em 26 de dezembro. Só que a gravidez foi além. Entrei em trabalho de parto no dia 30. O fato de a família estar se preparando para a comemoração foi até bom, porque o momento foi apenas meu e do meu marido. Avisamos os familiares só depois que o Arthur nasceu, em 31 de dezembro. A maternidade estava praticamente vazia. Não havia profissionais de plantão para dar a primeira vacina e fazer os testes do pezinho e da orelhinha. Mas, como esses procedimentos não são urgentes, voltei outro dia. Passamos a noite de Réveillon curtindo o nosso pequeno no hospital. Foi uma passagem de ano maravilhosa.” | Danielle Meneses Tomaz de Souza, 32, analista de sistemas.

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A publicitária Cristina Gianini imagem: Arquivo Pessoal

“Quando engravidei, sabia que o parto seria na última semana de dezembro, mas não exatamente no dia 31. As dores começaram no dia 30, à noite, e meu filho nasceu no dia seguinte, pela manhã. Estava bastante apreensiva, porque o médico que me acompanhou durante o pré-natal todo estava viajando. Foi um plantonista quem fez o parto. Minha maior preocupação era a equipe médica fazer tudo de qualquer jeito, para poder ir embora logo e comemorar, mas fui muito bem atendida. E como era Ano Novo, o hospital abriu uma exceção e me deixou ficar com dois acompanhantes no quarto: meu marido e minha mãe. O motivo de comemoração naquela noite deixou de ser o Réveillon e virou a chegada do meu filho. Só que a celebração foi um pouco diferente: passamos a noite vendo TV e tomando canja de galinha.” | Cristina Giannini Borges Pacoal, 43, publicitária.

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Marília Themudo com o filho, Edison, 57 imagem: Arquivo Pessoal

“Meu filho nasceu às 22h45 do dia 31, após dez horas de trabalho de parto. Foi tão demorado que, quando ele chegou, a minha família, de plantão no hospital, estava morrendo de fome. Ninguém tinha jantado, pois estavam na expectativa e não queriam perder o momento do nascimento. Foi só quando cheguei ao quarto que eles saíram para comprar pizzas. A bagunça de Réveillon rolou no hospital mesmo. Foi uma farra só! A partir daí, o aniversário do meu filho virou um grande evento, ganhamos um motivo a mais para festejar.” | Marília Themudo Lessa, 79, joalheira.

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Aline Eduarda com a filha, Karlla, de um ano imagem: Arquivo Pessoal

“Tinha acabado de deitar, após a festa de Ano-Novo, quando senti algo escorrendo pelas minhas pernas. Meu marido acendeu a luz do quarto e viu que eu estava sangrando. Fomos correndo para o pronto-socorro. O médico me examinou e constatou que a minha placenta tinha descolado, eu precisava de uma cesárea urgente. Às 5h03 da manhã do dia 1º de janeiro, dei à luz uma princesa. Mais tarde, o médico me disse que se eu demorasse mais um minuto para chegar ao hospital, teria perdido a minha filha. Meu coração aperta até hoje, só de lembrar. Neste ano, vamos comemorar os dois anos da Karlla no dia 2 de janeiro, porque já aprendi que no primeiro dia do ano é impossível conseguir comida para a festa.” | Aline Eduarda Siqueira Rodrigues Antunes, 22 anos, dona de casa.

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Marli com o filho, Victor, de 19 anos imagem: Arquivo Pessoal

“Fiquei com muito medo quando comecei a passar mal no dia 30 de dezembro, pois o parto não deveria acontecer antes de 5 de janeiro. Quando percebi que tinha mesmo que ir para o hospital, no dia 31 de manhã, não tinha nem arrumado a mala da maternidade. O meu médico estava viajando, assim como a minha mãe e os meus sogros. Só meu pai estava na cidade. O Victor chegou e acabou com a festa de todo mundo: a avó e a madrinha tiveram que voltar de viagem antecipadamente. Estava emotiva com a chegada do meu primeiro filho, e o clima do final de ano tornou tudo ainda mais intenso. A data só se tornou ruim quando ele passou a querer festas de aniversário com os amigos, porque todo mundo viaja nessa época. Por isso, o aniversário dele sempre é comemorado em janeiro.” | Marli Angioletto Angelim, 51, administradora de empresas.

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Aparecida com a filha, Maitê, de 24 anos imagem: Arquivo Pessoal

“Não sabia qual era exatamente a minha idade gestacional e, já no final da gravidez, não sentia dor nenhuma. Foi preciso que os médicos fizessem um exame para constatar que eu tinha passado dos nove meses de gestação. Então, na ocasião, para não colocar em risco a vida do bebê, o parto foi marcado com urgência para 31 de dezembro. Às 16h27, a minha filha nasceu. Foi uma alegria. Porém, quando chegou meia-noite e eu comecei a ouvir os fogos, fiquei com sentimentos contraditórios, pois estava com pessoas que não conhecia no quarto, não tinha direito a acompanhante. Eu me lembrava da minha família e sentia vontade de estar com eles. Mas, ao mesmo tempo, estava muito feliz de ter a minha filha nos braços nessa data tão bonita.” | Aparecida Santos, 57, cuidadora de idosos.

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Claudete com a filha, Gabrielli, de 21 anos imagem: Arquivo Pessoal

“A previsão é que o meu bebê nascesse entre 5 e 10 de janeiro. Mas, na madrugada do dia 30, comecei a passar mal e fui para o hospital. Quando me disseram que o parto seria naquela hora, eu me assustei, não estava preparada. O meu convênio também não estava. Como o parto adiantou, não havia quartos disponíveis para pacientes particulares no hospital. Precisei entrar pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. Fui colocada na enfermaria, com outras gestantes. Minha filha chegou às 14h do dia 31 e foi uma das cinco meninas que nasceram naquele dia no hospital. Como estava na enfermaria, não pude ter acompanhante. Passei a virada sozinha no quarto, ouvindo os fogos lá fora.” | Claudete Mendes, 43, gestora financeira.

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Maria do Amparo com a filha, Luana, 22 imagem: Arquivo Pessoal

“Como faço aniversário quase no Natal, mais especificamente no dia 23, costumo ficar mais emotiva nessa época. Mas depois do nascimento da minha filha, no dia 31, fiquei ainda mais sensível. No ano em que ela nasceu, passei sozinha a virada, pois não podia ter acompanhantes no quarto. Mas o que senti não era tristeza e, sim, emoção. Naquele dia, descobri que havia nascido para ser mãe. Quando a Luana começou a crescer, percebemos que o único problema seria fazer festa nessa data. É difícil até para encomendar o bolo, já que ninguém entrega nesse dia. Então, para facilitar, decidimos sempre comemorar antes ou depois da data oficial. No dia mesmo, é só a família que está presente.” | Maria do Amparo Oliveira Miranda, 47, dona de casa.

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