Gravidez e filhos

Pais se assustam com babás eletrônicas hackeadas

Reprodução/Fox19
Câmera de babá eletrônica foi invadida, em Cincinnati, nos Estados Unidos imagem: Reprodução/Fox19

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

 

"Homem invade câmera de babá eletrônica e grita para acordar bebê". "Pai conta que estranho invadiu babá eletrônica e xingou filha de dois anos". Essas manchetes podiam ser de algum site de humor que cria notícias falsas, mas foram casos reais que aconteceram em diferentes cidades dos Estados Unidos. E, de acordo com especialistas em segurança da informação ouvidos pelo UOL, qualquer dispositivo do gênero que esteja conectado em rede Wi-Fi é vulnerável a ataques de hackers.

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Esse tipo de babá eletrônica é a opção preferida de muitos pais que trabalham e desejam observar o que o filho faz durante o dia. O produto vem com credencial de acesso, um site em que basta digitar login e senha para ver a criança. Há no mercado ainda produtos "premium", com função de gravar tudo o que é coletado na câmera.
 
"Existe a impressão de que apenas os computadores e smartphones estão suscetíveis a ataques, mas todos os dispositivos conectados na rede, como televisores e roteadores, também correm esse risco. A pessoa acaba sendo espionada com o próprio aparelho que ela adquiriu", afirma Fábio Assolini, analista sênior de segurança da empresa Kaspersky Lab, em São Paulo.

Um estudo americano da Rapid Seven (companhia de segurança digital), realizado há dois anos, analisou nove marcas de babás eletrônicas e comprovou que oito delas tinham vulnerabilidades críticas em seus sistemas, que poderiam ser exploradas por hackers. Para Ulysses Monteiro, consultor de segurança da informação da ISH Tecnologia, essas falhas acontecem, pois as empresas que fabricam esses dispositivos não investem em segurança.

Um dos principais problemas que torna os aparelhos vulneráveis, segundo Assolini, é a falta de criptografia. "O aparelho envia as imagens para um servidor na internet, quando esses dados não são criptografados, ficam mais fáceis de serem coletados", afirma.

As falhas na autenticação do equipamento também oferecem riscos. "O software que roda no aparelho é feito por humanos e tem falhas. Muitos hackers exploram isso e conseguem forçar a entrada. Enquanto os fabricantes sérios corrigem a vulnerabilidade do aparelho e disponibilizam uma nova atualização, alguns ignoram, e a falha fica ativa por anos", fala.

O barato sai caro

O descaso com o consumidor esbarra no custo pago pela babá eletrônica. "Na hora de comprar, os pais optam por marcas baratas e que não são conhecidas no mercado. Geralmente essas empresas não respeitam os consumidores. Procure companhias estabelecidas, com boa reputação, e que não fabriquem apenas babá eletrônica. Ao desenvolver outros dispositivos, ela ganha mais experiência no ramo de segurança", afirma Assiolini.

Para os pais que não necessitam assistir às imagens do filho à distância, o analista sênior de segurança da Kaspersky Lab recomenda equipamentos não conectados à internet, que têm a transmissão via rádio. “Com esse dispositivo, o pai pode ter acesso às imagens em um raio doméstico e eles são bem mais seguros”, afirma.

Quem não abre mão da babá eletrônica com Wi-fi deve sempre buscar as atualizações do produto adquirido. "A maioria dos consumidores não tem costume de atualizar o software. Tem fabricante que manda o aviso de uma nova atualização por newsletter ou no próprio site, mas ainda assim é importante ir atrás, pois a nova versão terá as vulnerabilidades críticas corrigidas, além de ganhar novos recursos", declara Assiolini.

Outro cuidado é na hora de configurar o aparelho: nada de senhas fáceis. "Os dispositivos vêm com uma senha padrão de fábrica e quem não entende muito de segurança costuma não alterar. Os hackers têm uma lista de banco de dados de usuário e senha padrão de fábrica e isso torna a invasão mais fácil. É preciso escolher uma senha forte, que não seja curta nem, fácil de deduzir", afirma Monteiro.

Segundo o consultor de segurança da informação da ISH Tecnologia, uma senha forte associada a um roteador com firewall (barreira de proteção) e que transmita os dados criptografados deixam a casa protegida. "É importante também sempre manter o antivírus atualizado e não clicar em links suspeitos. O problema nem é só hackers assustarem as crianças, mas saberem a rotina da família", conta.

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