Gravidez e filhos

Parto grátis e personalizado: brasileira conta como é ser mãe na Finlândia

Arquivo pessoal
Maila, o marido, Juha, e o filho, Luke imagem: Arquivo pessoal

Melissa Diniz

Do UOL, em São Paulo

 

Nascida no Rio de Janeiro, filha de pai finlandês e de mãe brasileira, a analista de relações internacionais Maila-Kaarina Rantanen, 38, já sabia que a Finlândia era um bom lugar para viver quando decidiu se mudar para lá em 2009. Mas foi durante a gravidez do filho, Luke, hoje com um ano e dois meses, que ela pôde, de fato, sentir na pele as vantagens de morar no país. 

“Como tenho nacionalidade finlandesa, achei que estava na hora de começar minha vida em um lugar onde todos têm oportunidades, graças a sistema gratuitos, e de qualidade, de educação e de saúde.”

Diretora do Centro Cultural Brasil-Finlândia, na Embaixada do Brasil em Helsinque, e colaboradora do blog "Brasileiras pelo Mundo", Maila afirma que a renda familiar não precisa ser a maior preocupação na hora de planejar um bebê, pois o governo fornece saúde e educação gratuitas e de qualidade.

Não por acaso, a Finlândia é considerada o segundo melhor país do mundo para ser mãe, de acordo com o ranking da organização “Save The Children”, de 2015, perdendo apenas para a Noruega.

O conforto da gestante começa assim que se confirma a gravidez e é marcada a primeira consulta com a “neuvola”, enfermeira obstetra que fará todo o controle pré e pós-natal, acompanhando a criança até os cinco anos.

Consultas e exames são gratuitos, incluindo testes clínicos, laboratoriais e até cromossômicos. “A cobertura inclui dois check-ups médicos, duas ultrassonografias, o parto e todos os exames do pós-parto. Qualquer um que tenha visto de residência e número de seguro social tem os mesmos direitos.”

Na 24ª semana de gestação, a mulher escolhe o método do parto, que pode ser normal ou natural (sem anestesia, com a opção de ter o bebê em casa). “Escolhi parto normal e, desde os primeiros sintomas, recebi toda assistência por telefone, só fui à maternidade quando as contrações aconteciam a cada cinco minutos.” A equipe médica é formada por uma parteira e um obstetra, que, se tudo transcorrer bem, só participa no final. A cesárea só é feita em caso de necessidade. 

Após o parto, o bebê é colocado em um moisés com rodinhas ao lado da cama da mãe, que recebe instruções sobre como amamentar e cuidar da criança. “No hospital, tudo fica disponível, fraldas, camisolas, roupas de cama, toalhas, calcinhas descartáveis, absorventes, não é preciso levar nada.”

A Finlândia também oferece três tipos de licença-maternidade, que podem ser somados. As duas primeiras fases duram cerca de nove meses, nos quais a mãe (e em alguns casos o pai) recebe 70% do valor médio de sua renda. Há uma terceira opção que pode durar até a criança completar três anos, com valor variável. “Além disso, cada filho recebe 94 euros por mês de ajuda de custo do governo até completar 17 anos.”

Pacotes-maternidade

www.kela.fi/Reprodução
Conteúdo do pacote-maternidade, distribuído às gestantes na Finlândia imagem: www.kela.fi/Reprodução

A Finlândia é mundialmente conhecida pelos pacotes-maternidade que oferece a todas as grávidas, independentemente da classe social. Instituídos na década de 1930, os kits, contendo todo o enxoval do bebê, vêm em uma caixa de papelão que se transforma em berço. Desde a sua criação, a iniciativa reduziu drasticamente a mortalidade infantil e tem inspirado vários países, como Argentina, Canadá, Chile e Colômbia, a criarem seus próprios modelos de caixas.

Tomando como referência a experiência finlandesa, um grupo de alunos de doutorado da Faculdade de Saúde Pública T. H. Chan, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, criou, em 2015, um projeto chamado “Barakat Bundle” (que significa pacote abençoado).

Karima Ladhani, mestre em saúde pública e uma das coordenadoras do projeto, explica que a ideia é distribuir, em países do sul da Ásia, não apenas itens de primeira necessidade para bebês, mas também produtos especialmente escolhidos para a realidade local --como termômetros que apitam se a criança tiver febre, suplementos de ácido fólico e uma banheira-- para tentar diminuir a mortalidade materna e infantil.  

"Independentemente da geografia, cultura ou classe social, cada mãe tem esperanças e sonhos para seu bebê. Na Finlândia, as mães têm a opção de ganhar a caixa ou 140 euros, mas a maioria escolhe o kit. Isso porque ele é mais do que um enxoval, é um gesto capaz de traduzir as aspirações mais subjetivas dessas mulheres."

A estimativa é de que o “Barakat Bundle” salve as vidas de 58 mil crianças e 3.000 mães nos próximos cinco anos.

Annette Acosta/Divulgação
Karima Ladhani, de vermelho (dir.) e sua equipe na Índia imagem: Annette Acosta/Divulgação

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