Gravidez e filhos

Escola do príncipe George não dá muita bola para tecnologia

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Príncipe George indo pela primeira vez para à escola imagem: Reprodução/Instagram

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL

Terceiro na linha da sucessão ao trono britânico, o príncipe George, 2, entrou na escola neste ano. A instituição escolhida foi a Westacre Montessori, em Norfolk, a mesma frequentada pelo pai, o príncipe William. Na contramão da valorização da tecnologia no ensino, na Westacre, o uso do computador não é prioridade.

De acordo com o site da Montessori Society, da qual a escola do menino faz parte, o trabalho com tecnologia não precisa necessariamente fazer uso dessa máquina. É possível trabalhar o tema com interruptores de luz, dentre outros itens.

A escola é adepta do método montessoriano. Criado pela italiana Maria Montessori (1870-1952), ele prega que a criança aprende sozinha, cabendo aos adultos proporcionar um ambiente e materiais para essa aprendizagem

A educação do príncipe George terá como prioridade a aprendizagem da administração do próprio tempo e a organização das tarefas. “Fazemos com que eles aprendam a tomar decisões, a organizar a própria agenda, conforme vão crescendo”, fala Edimara de Lima, diretora da Prima Escola Montessori, em São Paulo.

De acordo com o site da Montessori Society, a tomada de decisões passa, inclusive, sobre não forçar as crianças a ficarem sentadas à mesa se concentrando, caso elas prefiram estar no jardim, arrancando ervas daninhas da terra.

O método montessoriano é famoso por dar às crianças liberdade de escolha e muitos materiais --deixados ao alcance dos alunos-- para que aprendam os conteúdos curriculares. Não há muita diferença em relação ao que se ensina em uma escola tradicional, exceto no ensino de história e geografia.

As escolas montessorianas trabalham partindo da história geral, do universo, para a particular --as tradicionais fazem o movimento contrário.

Reprodução/Montessori Society
No método montessoriano, os materiais ficam espalhados pela sala de aula imagem: Reprodução/Montessori Society

De acordo com Edimara, a grande diferença proporcionada pelo método montessoriano é o modo como se ensina. É permitido que as crianças explorem muito o que está ao seu redor, experimentem e escolham (e desde cedo aprendam que escolher significa ter de excluir).

No mais, o professor não tem papel de destaque, como acontece em escolas tradicionais. A autoeducação tem mais ênfase do que as aulas expositivas, quando o educador fala e os alunos escutam.

Maria Cristina de Abreu, professora da Prima Escola Montessoriana formada pela MCI (Montessori Center International), em Londres, explica que as escolas de lá trabalham de maneira semelhantes às do Brasil. “Em matemática, as crianças pequenas usam as 'number rods', chamadas aqui de barras azuis e vermelhas, que medem entre dez centímetros e um metro, para aprender questões relacionadas à quantidade”, conta.

Na vida prática, a escola proporciona que as crianças sejam mais independentes e aprendam a abrir e fechar botões e zíperes, bem como a dar o laço no cadarço do sapato.

Reprodução/Montessori Society
Visando à independência das crianças, todos os itens ficam ao alcance delas imagem: Reprodução/Montessori Society

Segundo Maria Cristina, o grande segredo da educação montessoriana é saber o que fazer com os materiais de aprendizado. Na Prima Escola, por exemplo, cada classe tem de 600 a 650 propostas de trabalho a serem selecionadas pelo educador e então oferecidas aos alunos.

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