Gravidez e filhos

É seguro? Vídeo mostra bebês e crianças praticando esportes radicais

Do UOL, em São Paulo

Com mais de 6,5 milhões de visualizações no YouTube, o vídeo acima mostra bebês e crianças praticando atividades físicas incomuns para o público infantil, incluindo esportes radicais como skate, snowboarding, surfe, boxe e esqui aquático.

Quem assiste à filmagem logo se pergunta: será que essas modalidades são seguras para crianças tão pequenas?

Para Getúlio Morato Filho, pediatra especializado em medicina esportiva e professor do curso de medicina da ESCS (Escola Superior de Ciências da Saúde), em Brasília, a prática de esportes, em geral, é recomendada e bastante saudável para o desenvolvimento da criança, mas é preciso tomar alguns cuidados.

Segundo o médico, devem ser evitadas as modalidades que oferecem risco de trauma de cabeça ou concussão (problema causado pela aceleração e desaceleração do cérebro dentro da caixa craniana). Por esse motivo, o boxe está entre as atividades desaconselhadas para crianças pela AAP (Academia Americana de Pediatria).

“Atividades competitivas ou que exigem uma especialização muito precoce não são recomendadas para crianças que ainda não chegaram à puberdade. Nessa fase, é mais interessante trabalhar a coordenação, o equilíbrio e buscar práticas que sejam divertidas.”

Segundo o médico, exercícios que envolvam força, como o levantamento de peso, podem ser prejudiciais, uma vez que a criança ainda não desenvolveu a massa óssea e pode sofrer lesões.

Já atividades para as quais haja um preparo, adaptadas à idade e ao tamanho da criança, e que recebam o acompanhamento de um adulto, podem ser realizadas. O surfe e o skate, por exemplo, podem contribuir para a aquisição de equilíbrio. Já as artes marciais e os esportes em equipe ajudam a desenvolver a disciplina.

“Em todo esporte há um risco intrínseco. A orientação de um profissional de educação física é fundamental para garantir que a prática seja segura e saudável.”

De qualquer maneira, nunca se deve deixar a criança sozinha durante o exercício. “As atividades precisam ser controladas e monitoradas, principalmente porque a criança não tem noção do perigo e acaba se colocando em risco.”

De acordo com o médico, os esportes também melhoram o apetite, favorecem o crescimento e ajudam no desenvolvimento do metabolismo dos nutrientes, prevenindo a obesidade infantil. “Uma hora por dia de atividade moderada, cinco vezes por semana, pode ser muito benéfica para a criança.”

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