Gravidez e filhos

Drama de Madonna: adolescente afastar-se dos pais é natural e até saudável

Reprodução/Instagram
Madonna postou foto de Rocco no Instagram para falar da saudade que sente do garoto imagem: Reprodução/Instagram

Melissa Diniz

Do UOL, em São Paulo

Desde que o filho Rocco, 15, decidiu ir morar com o pai, o cineasta britânico Guy Ritchie, no final de 2015, a cantora Madonna vem utilizando sua conta no Instagram para lamentar a ausência do garoto, declarando publicamente seu amor por ele. O adolescente, no entanto, não só tem se mantido insensível, como teria bloqueado a mãe nas redes sociais por considerá-la controladora e distante.

Assim como Rocco, muitos adolescentes vivem uma fase de afastamento emocional da família. Segundo a psicóloga Sâmara Jorge, especialista em orientação de pais, esse comportamento é natural e até esperado. Faz parte do processo de busca e afirmação da própria identidade.

“Muitos pais e mães sentem-se rejeitados e preocupados quando o filho se isola ou não é mais tão presente, cúmplice e disponível. Mas isso não é sinônimo de falta de amor. Apenas reflete a necessidade de se firmar como um ser independente e autônomo no caminho da própria vida”, diz.

Para a psicóloga e psicopedagoga Ana Cássia Maturano, o comportamento um tanto arredio revela uma busca pelo próprio jeito de ser. “Quando os filhos são crianças, sua única referência são os pais. Aos poucos, eles vão se ligando aos amigos e a outras pessoas. Não por acaso, costumam ter ídolos e seguem determinados modismos nessa fase.”

Segundo Ana Cássia, a tentativa de “negar” os pais, às vezes, vem acompanhada de uma certa agressividade. “É comum o adolescente dizer frases como ‘eu te odeio’, mas isso não deve ser levado ao pé da letra. Na verdade, ele quer dizer ‘odeio gostar de você e precisar da sua ajuda’. Compreender isso ajuda a evitar embates desnecessários.”

Foto Rio News
9.dez.2012 - Madonna se apresenta ao lado do filho Rocco no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, com o quarto e último show de sua turnê brasileira imagem: Foto Rio News

Os conflitos naturais da adolescência a tornam uma fase muitas vezes complicada para pais e filhos. O grau de dificuldade vai depender de como se estabeleceu o vínculo de confiança ao longo da infância e do jogo de cintura dos pais para acolher, respeitar e dar limites aos adolescentes.

“Os pais precisam compreender que os filhos cresceram e é chegada a hora de terem novas experiências. Eles vão errar, sofrer, frustrar-se e angustiar-se, mas também vão acertar, conhecendo seus potenciais”, fala Sâmara.

De acordo com a psicóloga, o maior desafio dos pais é respeitar a privacidade do adolescente sem se ausentar de sua vida. “Não se fazer presente é sinônimo de abandono e não de respeito à individualidade.”

Não quero ir...

A participação em eventos de família costuma ser um dos pontos sensíveis nessa relação. “Da mesma forma que os compromissos do filho precisam ser respeitados, os pais devem explicar que alguns programas são obrigatórios. Não há como faltar ao aniversário de 80 anos da avó, mas talvez ele não precise ir a todos os almoços de domingo”, afirma Ana Cássia.

Forçar e pressionar o jovem a agir da maneira como os pais acham correto pode ser bastante prejudicial e gerar ainda mais afastamento. “Encher o filho de cobranças, brigar ou agir de forma autoritária não costumam ser bons caminhos. Ninguém gosta de viver em clima de discórdia”, diz Sâmara.

Na opinião da terapeuta, o ideal é tentar uma aproximação afetiva, buscar programas e assuntos que despertem o interesse do adolescente, tentando criar momentos descontraídos. “´É preciso agir com humor, mas também com autoridade quando for necessário.”

Caso o adolescente esteja agindo de maneira excessivamente hostil, é preciso intervir.  “Os pais devem sinalizar que o filho está avançando os limites e agindo de forma desrespeitosa, ajudando-o a desenvolver a consciência sobre o seu comportamento e como ele afeta as pessoas que estão em volta”, diz Sâmara.

Sem constrangimento

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Madonna postou foto de Rocco bebê imagem: Reprodução/Instagram

A dificuldade de aceitar que o filho cresceu pode levar os pais a tratá-lo como criança, mesmo na frente de terceiros, o que pode embaraçá-lo. “Os pais não fazem por mal, mas também sofrem ao perceber que perderam seu bebê”, diz Ana Cássia.

Por isso, vale fazer pequenas concessões, como evitar chamá-lo por apelidos, não postar fotos dele criança nas redes sociais --o que Madonna fez nessa fase saudosa de Rocco-- e tomar cuidado com comentários que possam gerar constrangimento.

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