Gravidez e filhos

Ninar é diferente de chacoalhar o bebê; entenda os riscos

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Especialistas não recomendam que os pais brinquem de jogar o bebê para cima imagem: Getty Images

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

Uma notícia publicada pelo jornal chinês "People's Daily" de que uma menina de sete meses morreu enquanto era ninada colocou os pais em alerta. Segundo a publicação, o pai segurava a filha no colo em uma cadeira de balanço quando ela começou a espumar pela boca. Ela foi declarada morta ao chegar no hospital e diagnosticada como vítima da síndrome do bebê sacudido, quando a criança sofre lesões cerebrais por ser balançada com força. No entanto, segundo os pediatras ouvidos pelo UOL, um simples ninar não é capaz de causar esse tipo de dano neurológico.

A síndrome do bebê sacudido acontece em casos de movimentações bruscas. Segundo Silvana Frizzo, neuropediatra do hospital infantil Sabará, em São Paulo, às vezes, os adultos, desesperados com o choro da criança, acabam balançando-a com força pelos braços, em um movimento para frente e para trás, sem apoio da cabeça. Ainda que não existam dados da incidência da síndrome no Brasil, ela é a segunda causa de morte em crianças nos Estados Unidos.

Como o volume cerebral do bebê é desproporcional ao corpo, o órgão fica "solto" dentro da caixa craniana. "Quando a criança é chacoalhada, acontece um processo de aceleração e desaceralação, provocando a ruptura dos vasos presentes no sistema nervoso central e na retina", explica a pediatra Flávia Nassif, que atende no Hospital Sírio-Libânes, em São Paulo.

O movimento, de fato, faz com que ela pare de chorar, no entanto, os sintomas da síndrome começam a aparecer. "A criança pode ter um quadro confusional --caracterizado por sonolência, convulsão ou agitação--, sangramento na retina ou hemorragia intracraniana ", afirma Flávia.

A orientação, segundo Luci Yara Pfeiffer, do Departamento de Segurança da Criança e Adolescente da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), é levar a criança imediatamente a um pronto-socorro infantil, de preferência que possua uma UTI neonatal, para iniciar o tratamento das sequelas.

"Em muitos casos, a criança não aguenta as lesões e morre. No entanto, as que sobrevivem podem ficar cegas, com paralisa cerebral, dificuldades motoras e cognitivas, retardo mental, dificuldades de sociabilização e aprendizado, além de crises convulsivas para o resto da vida. Tudo depende da intensidade do sangramento e do tempo que ela demorar para chegar a um serviço de emergência", declara Silvana.

Outra medida para evitar a síndrome, é evitar brincadeiras bruscas com os filhos. "Jogar a criança para cima ou para um outro tio de brincadeira pode gerar uma descompensação cerebral. Todo movimento brusco com a cabeça da criança pequena deve ser evitado", afirma a pediatra do Departamento de Segurança da Criança e Adolescente da SBP.

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