Gravidez e filhos

Fortalecer períneo na gravidez evita incontinência e facilita o parto

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Exercícios de Kegel na gestação previnem incontinência urinária e preparam para o parto imagem: Getty Images

Melissa Diniz

Do UOL, em São Paulo

Quase sempre negligenciada durante o pré-natal, a musculatura do assoalho pélvico ou períneo (região que fica na base da pélvis, entre a parte de baixo da vulva e o ânus) precisa ser fortalecida na gravidez com movimentos simples que ajudam, inclusive, no trabalho de parto. Os chamados exercícios de Kegel consistem em contrair e relaxar essa musculatura, que sustenta a bexiga, a uretra, a vagina e o útero, além da parte final do intestino.

“Na gestação, pela ação dos hormônios e pelo próprio peso da barriga, os músculos perdem o tônus. Por volta do segundo e do terceiro trimestres, algumas gestantes sofrem de incontinência urinária por causa disso e pode acontecer o que chamamos de prolapso, condição em que, por falta de sustentação, os órgãos saem de sua posição original”, explica Carla Dellabarba Petricelli, fisioterapeuta do Departamento de Obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Mesmo que a mulher nunca tenha engravidado, com a idade, o períneo tende a perder elasticidade e força, por causa da frouxidão ligamentar. O problema também pode aparecer após o parto, quando a musculatura não foi preparada adequadamente.

"O ideal seria que as mulheres tivessem o hábito de exercitar a musculatura do assoalho pélvico ao longo de toda a vida, evitando assim algumas disfunções sexuais e a incontinência urinária e fecal", diz a fisioterapeuta.

Carla afirma que não há na literatura científica nenhuma evidência de contraindicação para a prática dos exercícios de Kegel na gravidez. “É importante fazer desde o início da gestação, preparando o corpo para a descida e a expulsão do bebê.”

O método foi criado pelo ginecologista norte-americano Arnold Kegel, no final da década de 1940. “Naquela época, indicava-se fazer de 300 a 400 contrações por dia. Hoje, sabemos que é melhor priorizar a qualidade e não a quantidade, até porque esses músculos fatigam rapidamente”, diz.

Segundo a ginecologista e obstetra Juliana Amato, os exercícios de contrair e relaxar o períneo devem ser feitos de três a quatro vezes ao dia e podem ser realizados em situações diversas, como no trabalho, no trânsito ou em casa. “São contrações simples, como aquelas que fazemos quando prendemos a urina, não exigem esforço físico e, portanto, podem ser feitas por todas as grávidas, inclusive em gestações gemelares”, diz.

Depois do parto, os exercícios de Kegel auxiliam na recuperação da musculatura e podem ser feitos mesmo por mulheres que passaram pela episiotomia (incisão feita no períneo para ampliar o canal de parto) ou que tiveram parto prematuro. “Em virtude do grande número de cesáreas, a maioria dos médicos não fala a respeito dos exercícios para o assoalho pélvico durante o pré-natal, a não ser nos casos em que a mulher planeja um parto normal”, afirma Juliana.

Porém, de acordo com Carla Petricelli, independentemente do tipo de parto, a prática das contrações do períneo é indicada e benéfica. “A cesárea não previne alterações do assoalho pélvico, uma vez que todas as grávidas passam pelas mesmas oscilações hormonais.”

A especialista indica que, antes de iniciar a prática, a gestante passe por uma consulta com um fisioterapeuta. “Pesquisas mostram que 30% das mulheres não sabem contrair a musculatura do períneo e não adianta fazer de forma errada, usando músculos da perna, do abdômen ou dos glúteos, por exemplo. Após a orientação de um profissional, a paciente pode fazer sozinha.”

Os exercícios de Kegel têm uma finalidade diferente do Epi-no, espécie de balão inflável que é introduzido na vagina da gestante para preparar a musculatura vaginal e do períneo para o parto normal, evitando lacerações e a necessidade da episiotomia.

“O Epi-no é usado no final da gestação, em torno da 35ª semana, para trabalhar o alargamento perineal. O treino de fortalecimento dos músculos precisa começar muito antes e um não dispensa o outro. É como na academia, o alongamento não substitui a musculação”, afirma Carla.

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