Adolescência

Fazer mochilão é boa pedida para jovem, mas requer cuidados e planejamento

Arquivo pessoal
Em sua viagem como mochileira, Melissa Breveglieri, 19, fez um tour pela Europa. Nesta foto, ela estava em Budapeste, Hungria imagem: Arquivo pessoal

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Com uma mochila nas costas e muita disposição para conhecer lugares, pessoas e costumes diferentes, muitos jovens saem mundo afora para fazer o chamado mochilão.

Melissa Breveglieri, 19, embarcou nessa aventura em janeiro de 2015. Saiu de São Paulo e foi para Amsterdã e, de lá, viajou pela Europa de trem. Comprou um passe que dá direito a viajar pelo continente por dois meses e usou-o a viagem inteira.

De Amsterdã, foi para Bruxelas e Bruges (Bélgica), Munique e Fussen (Alemanha), Innsbruck e Salzburg (Áustria), Florença, Pisa e Milão (Itália), Budapeste (Hungria), Praga (República Tcheca), Viena (Áustria), Berlim (Alemanha), Basel e Dornach (Suíça), nessa ordem. Escolheu esses destinos porque ainda não os conhecia e teve a companhia de um amigo, mas eles não tinham o compromisso de ficarem juntos sempre.

“Depois de formada no ensino médio, sem querer começar o ensino superior logo em seguida, decidi fazer um mochilão pela Europa. Dei aulas de inglês por um ano e juntei dinheiro. No início, meus pais estranharam a ideia, mas depois gostaram dos meus planos e me ajudaram financeiramente.”

A mochileira estipulou gastar 40 euros por dia com alimentação, transporte, passeios e compras. “Se extrapolava um dia, no outro, compensava, andava mais para não gastar com transporte e me alimentava melhor no café da manhã oferecido pelo hostel, para não ter de pagar muito pelo almoço.”

Arquivo pessoal
Melissa, em Fussen (Alemanha) imagem: Arquivo pessoal

O contato com a família era feito via Whatsapp ou Facetime, geralmente todos os dias. Seu pai, Paulo Romão, tinha salvo no celular o roteiro da viagem e sabia a que horas poderia mandar uma mensagem ou telefonar.

“Depois do susto inicial que tivemos com a ideia de ela viajar, fiquei entusiasmado com a ideia, é uma experiência interessante, mas acho fundamental saber falar inglês fluentemente. Ela teve de aprender a se virar e conheceu os próprios limites, ainda mais quando pegou uma forte gripe”, diz.

Para Melissa, o mochilão foi a melhor coisa que fez na vida e a melhor forma de gastar dinheiro. “Mesmo tendo conhecido tantos lugares e pessoas, parece que há muito por desbravar. Não senti saudade de casa um só dia nem liguei chorando para minha família. Agora quero conhecer a Ásia ou a América Latina.”

É bom lembrar que, para viajarem para o exterior, menores de 18 anos precisam de autorização expressa de ambos os pais ou do responsável legal.

Antes de colocar a mochila nas costas

Cíntia Gabriel, da Ci Intercâmbio e Viagem, dá dicas de como organizar organizar o mochilão

- Sejam quais forem os destinos escolhidos, pesquise antes sobre idioma, hábitos culturais, clima, segurança local, custo de vida e infraestrutura;

- Escolher com antecedência os passeios que serão feitos ajuda a definir quanto será gasto por dia e quantos dias o jovem ficará em cada local;

- Falar inglês fluentemente é recomendável para quem vai viajar para fora do Brasil. Espanhol, se o destino for a América Latina;

- Uma boa mochila garante segurança e conforto. Modelos de 60 litros são recomendáveis. Ela deve ser resistente e ter divisórias;

- A mala deve conter roupas leves, confortáveis, fáceis de lavar, que sequem rápido e não amassem e calçados confortáveis para caminhar bastante;

- A família deve combinar como e quando o jovem entrará em contato antes da viagem, Deve conhecer seus destinos, horários de trem e locais de acomodação. Qualquer alteração deve ser comunicada;

- Pesquise se no local de destino há uma embaixada brasileira para emergências;

- Sempre leve uma cópia autenticada do passaporte. Assim, o viajante pode deixar o original no cofre do lugar onde está hospedado e passear tranquilo.

Saiba como controlar as finanças

Myrian Lund, especialista em finanças pessoais e professora dos cursos de MBA da FGV (Fundação Getulio Vargas), do Rio de Janeiro, explica como gerenciar o dinheiro:

- Planeje a viagem com antecedência. Estipule o roteiro geral e diário, tempo de parada em cada destino e valores a serem gastos com refeições transporte e pequenas compras;

- Compre e pague as passagens com antecedência e pela internet, é muito mais econômico. Reserve antes hostels, hotéis ou pousadas para passar a noite;

- Comece a economizar com um ano de antecedência. Informe-se sobre os melhores investimentos para fazer o dinheiro render. Letras do Tesouro Direto indexada à taxa Selic costumam ser boas opções;

- Leve um pouco da moeda dos locais pelos quais vai passar. Fazer a troca no próprio país acarreta perdas por causa do câmbio;

- Contrate um seguro viagem para ter mais segurança;

Levar um cartão de débito pré-pago, que pode ser carregado pela internet, é mais seguro e ajuda a cumprir o planejamento de gastos diário;

- O cartão de crédito deve ser usado só para emergências;

- Evite mudar o roteiro da viagem em cima da hora. Cancelamentos e alterações costumam sair caros.

Mochileiro, o protagonista

Gisela Castanho, psicóloga especialista em adolescentes e família e organizadora do livro Terapia de família com adolescentes (ed. Roca - Grupo Gen) dá algumas dicas para a família do jovem mochileiro:

- Os pais devem se portar como uma retaguarda segura para o filho que vai viajar, não são os protagonistas da viagem. As decisões cabem ao mochileiro;

- O jovem precisa ter a experiência da autonomia responsável, ou seja, tomar decisões e arcar com as consequências;

- Respeite a autonomia do filho. Pais que ligam o tempo todo demandando informações provocam ansiedade no viajante;

- Caso o jovem se mostre inseguro antes da partida procure encorajá-lo, mas sem forçar. É imprudência empurrar o passarinho para fora do ninho se ele ainda não se sente pronto para voar;

- Não caia no erro de dizer “no seu lugar eu faria…”, ainda mais se sua opinião não tiver sido solicitada;

- Se o mochilão for realizado com amigos, procure conhecer os parceiros do jovem e a família de cada um deles e troquem contatos;

- É normal sentir falta de casa e da família durante viagens longas, principalmente quando se viaja sozinho. Caso o mochileiro telefone para casa chorando, não se desespere. Mantenha-se sereno e ofereça apoio emocional;

- Se não confia no seu filho, pense antes de liberá-lo para uma viagem nesse esquema.

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