Adolescência

Pais contam como lidaram com a gravidez dos filhos adolescentes

Do UOL, em São Paulo

A gravidez na adolescência não afeta apenas o jovem --que geralmente não está preparado emocionalmente e financeiramente para assumir o novo papel. Atinge também os avós, que precisarão amparar filho e neto. A seguir, veja histórias.

Fabieli Domiciano, 37, bancária, avó de Lorenna, 4 meses 

Fernando Moraes/UOL
Fabieli Domiciano e a neta, Lorenna imagem: Fernando Moraes/UOL

"Nunca proibi que minha filha tivesse relações sexuais, mas pedia que se cuidasse. Quando descobri, só pensei que ela não era a primeira adolescente grávida nem seria a última. Tinha de ampará-la. Organizei uma reunião com os pais do menino, que queriam que ela fosse morar com eles. Mas achei que ela não deveria sair de casa com 16 anos, então, abri a minha casa. Incentivei minha filha a ir para a escola até o último momento. Minha neta nasceu no período de férias escolares. Quando as aulas voltaram, ela retornou também, só que no período da noite. Sou eu quem cuida da minha neta quando a mãe está fora. Ter um bebê novamente em casa é uma grande alegria. Quando a neném nasceu, minha filha também começou a trabalhar em uma ONG, para ajudar nas despesas. Durante o dia, minha neta fica com a bisavó. Hoje, minha filha e o namorado falam em morar junto, em uma casa só deles. E tudo bem, já que não posso mais segurar. Também já deu para perceber que os dois têm responsabilidade para tanto."

 Érica Carvalho de Oliveira, 34, gerente de departamento, mãe de Sabrina, 18, e avó de Yasmin, 4

"Minha filha insistia em dizer que não tinha relações sexuais com o namorado, mas eu suspeitava da gravidez. Por isso, levei-a para fazer um exame. Ao saber do resultado positivo, não reagi na hora, não briguei. No dia seguinte, caí em mim e chorei muito. Nunca quis isso para ela, mas tive de apoiar. Ela não se prevenia e também nunca me contou que tinha relações sexuais, acho que tinha medo de mim. Fiz todo o enxoval do bebê com a ajuda do namorado dela. A família dele ajudou como pôde. A minha neta nasceu quando minha filha tinha 14 anos. Achei que ela não daria conta, mas virou uma mãezona. Até nos aproximamos nessa época. Fazia de tudo por eles. Como dizem, avó é mãe duas vezes. Três meses depois, saí do trabalho para ajudar a cuidar da criança. Como tinha muitos anos de empresa, consegui receber um dinheiro que poderia nos manter. Fiquei um ano sem trabalhar antes de voltar para o mercado. Minha filha voltou a estudar quando minha neta completou três anos anos."

Priscila Molitor, 33, comerciante, mãe de Nathasha, 15, e avó de Pietro, 2 meses 

Ricardo Matsukawa/UOL
Priscila com a filha, Natasha, e o neto, Pietro imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

"Minha filha tinha 14 anos quando engravidou. Foi o namorado dela quem me contou, mas eu já desconfiava. Não briguei quando soube, mas chamei os dois para uma conversa séria. Quis que ela continuasse morando comigo, mesmo namorando. Nos primeiros dias, logo após o nascimento do bebê, ajudei muito, mas sempre tive o cuidado de não tomar a frente. Ela tinha de aprender a ser independente. O pai do bebê também participou bastante. No momento, quem banca os dois financeiramente é o meu marido, o namorado dela também ajuda. Minha filha volta a estudar em agosto, então, vou cuidar do Pietro no período da manhã. Eu que me ofereci, porque faço questão que ela termine os estudos. Como trabalho com decoração de festas, meus dias mais ocupados são os finais de semana. Além disso, eu me sinto um pouco mãe dele também, ele é neto e meu segundo filho. Quando ela engravidou, muitos julgaram, mas eu dei todo o apoio, disse que as pessoas iriam comentar mesmo e que ela teria de superar isso. Minha filha só precisa tomar cuidado para que não aconteça novamente tão cedo."

Alessandra Santana, 38, diarista, mãe de Gabriela, 17, e avó de Emily, 1

"Minha filha tinha 15 anos quando começou a namorar escondido. Quando ela me contou, já estava com planos de sair de casa para morar com o rapaz. Eu não queria deixar, mas ela disse que se eu não autorizasse pararia de estudar. Então, ela foi. Cerca de quatro meses depois, engravidou. Ao descobrir, fiquei muito nervosa, até chorei, porque também engravidei com essa idade e a minha vida foi difícil. Mas ela me contou que tinha sido planejado, que o sonho dela era ser mãe. Realmente, ela se realizou durante a gestação e se tornou uma supermãe. Cuidou da bebê sozinha. A única ajuda que eu dava era levá-la de carro ao médico ou fazer companhia de vez em quando. Até hoje, ajudo quando quero, dou fralda, roupa e presente no aniversário. Minha filha parou de estudar, mas vai voltar neste ano, quando minha neta for para a creche. O marido trabalha para sustentar a casa." .

Mario de Godoi, 59, aposentado, avô de Gustavo, 5 

Fernando Moraes/UOL
Mario de Godoi e o neto, Gustavo imagem: Fernando Moraes/UOL

"Conversava muito com o meu filho, Jefferson, sobre prevenção mas, mesmo assim, ele acabou engravidando a namorada. A menina tinha 16 anos na época e o Jefferson, 18. Ao descobrir, ficamos em choque. O Gustavo nasceu e a mãe dele chegou a morar na minha casa. Fui dormir em outro quarto para que a menina ficasse na minha cama, com a minha mulher. Financeiramente, arcava com tudo. O relacionamento terminou e, a partir de então, meu neto ficava um tempo em cada casa. Até que passou a ficar mais tempo comigo. Quando ele fez três anos, consegui uma escolinha e pedi para cuidar dele em definitivo. A mãe deixou e, hoje, eu e meu filho nos revezamos na criação. As decisões são tomadas em conjunto. Mas, se meu neto quer algo, é para mim que ele pede, mesmo que o pai esteja perto. Recentemente, ele foi passar dois dias na casa da mãe e, quando liguei para falar com ele, chorou e pediu para eu ir buscá-lo." 

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